Por que os jogos do PlayStation fracassaram no PC?

Por que os jogos do PlayStation fracassaram no PC? – Canaltech

A Sony trouxe inúmeros jogos de sucesso na geração PlayStation 4 e PS5. Para listar apenas alguns deles, vimos God of War, Marvel’s Spider-Man, Horizon Zero Dawn, Until Dawn e outros que fizeram com que diversas franquias atingissem o ápice. Todas elas têm seus méritos e conquistaram uma legião de fãs.

Somado a sagas consolidadas como The Last of Us e novas como Days Gone, essa fase mais recente da japonesa foi decisiva para seu triunfo e a posicionou como líder de mercado. No entanto, o mesmo clamor que os alavanca nos consoles de mesa não é visto nos PCs.

Se por um lado os jogos no PlayStation a levaram ao topo, no PC a recepção seguiu por um caminho tortuoso. Não que os games tenham uma performance ruim, mas ela passou longe de ser tão acalorada quanto a vista nas demais plataformas. Estava mais para “morna”, com risco de cair para a gelada.


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Com baixas vendas e número de jogadores simultâneos no PC — de acordo com a plataforma SteamDB, God of War teve no máximo 79 mil pessoas e Marvel’s Spider-Man Remastered alcançou 66 mil no seu pico histórico —, a dúvida surge: como “obras-primas” premiadas passam batidas pelo público? 

Imagem de Marvel's Spider-Man
Um dos super-heróis mais aclamados da Marvel, um dos maiores games no PlayStation, flop nos PCs (Imagem: Divulgação/Sony)

Apesar de ver uma certa expectativa em relação ao lançamento dos games para os computadores, isso nunca resultou em bons números ou métricas. E não tem relação com a qualidade dos jogos, já que muitos deles receberam port de peso e são mais bem-vistos do que suas versões originais.

Nós do Canaltech mostraremos como o modelo de negócio da Sony e sua precificação afastou os fãs dos jogos PlayStation nos PCs. Isso significa que ela se sabota? E quem não? Confira como.

Data de validade do hype

Pense comigo a sequência de eventos: God of War lança em 2018, vídeos são compartilhados à exaustão em todas as redes sociais possíveis e se forma toda uma hype ao redor de Kratos e seu filho. Se em 24 horas após sua chegada já havia spoilers, imagine depois de alguns anos?

Imagem de God of War
God of War já não tinha mais o fator “novidade” 4 anos depois de sua chegada ao PS4 (Imagem: Divulgação/Sony)

Demoraram 4 voltas da Terra ao Sol, mas quando o espartano redimido chegou nos PCs, a novidade já tinha passado há eras. Vivíamos em um mundo antes da pandemia, inclusive. Não havia qualquer senso de urgência para integrar a comunidade — afinal de contas, foram mantidos à distância por gerações. O que custaria esperar mais um pouco?

Esta demora remove por completo a empolgação do público em relação às experiências. É como chegar em uma festa depois das vergonhas causadas pela bebida e outras substâncias. Qual a graça? É exatamente o que muitos gamers se questionam, não há um “impulso” para aproveitar o momento. 

O sucesso de Helldivers 2 fala por conta própria. Lançamento simultâneo no PS5 e PCs, existiam tantos jogadores que quebraram os servidores e causaram um baita confusão pelo excesso. Foram 458 mil jogadores simultâneos, apenas nos computadores, pouco depois de sua chegada.

Entende a diferença? Atraso significa recepção fria, paridade causou impacto — tão grande quanto o visto nos próprios consoles de mesa. Todos tiveram a mesma experiência, ao mesmo tempo, criaram uma verdadeira comunidade em diferentes plataformas e virou o assunto do momento. 

E é isto que move o público. Já sentiu vontade de ver aquela série ou filme que todo mundo viu, menos você? Com os jogos é a mesma coisa. Se o port para PC chega depois, a “febre” já passou e muito possivelmente quem se interessaria tomou todos os spoilers possíveis. 

Economia do Steam

O dilema da Sony com preços já é um velho conhecido dos jogadores. Vale lembrar que as compras feitas na PlayStation Store continuam a ser as que menos representam a opção custo-benefício — mesmo quando os valores não são tão altos assim.

Aí quando eles chegam ao computador, onde jogos AAA lançados custam uma média de R$ 199, o que acontece? Eles começam a querer cobrar R$ 299, que hoje já são R$ 399 graças a Death Stranding 2. Logo para cima do público forjado nas Steam Sales, emulação e que está acostumado a esperar uma eternidade para pagar o menor preço possível em determinados títulos.

“Não tem o menor cabimento”, você deve ter pensado. E nós concordamos. Ninguém em sã consciência pagaria R$ 199,50 em Days Gone, que até antes de chegar no PC era vendido por R$ 80 ou até menos no PS4 e PlayStation 5. Em um “jogo de 2019”. 

Que fique claro, Days Gone é uma excelente experiência e é uma aventura inesquecível — principalmente para quem é fã dos mortos-vivos. No entanto, qualquer usuário de computadores se sentiria roubado por uma situação dessas. Imagina Horizon Zero Dawn por R$ 249,50 e Until Dawn por R$ 299. 

Imagem de Days Gone
Days Gone era encontrado por R$ 80 ou menos, mas nos PCs chegou por R$ 199,50 (Imagem: Divulgação/Sony)

A Sony tenta convencer o público com um filtro para chamar de “remasterizado” aqui, um modo novo para chamar a atenção dali, mas estamos em 2026. O jogador não é mais cego para estas questões e precisa de um esforço maior caso eles queiram ver a cor verde das suadas notas de dinheiro dos trabalhadores.

O público literalmente se recusa a pagar preço cheio de lançamento por um produto que está há meses ou anos na aba de descontos — ou até na PS Plus — da PlayStation Store. No máximo, o usuário coloca o jogo na sua Lista de Desejos, espera a próxima promoção sazonal e torce para ele estar com 50% de desconto ou mais. 

Atrito técnico: o peso dos reviews

Além de todas estas barreiras, existe outra que assombra os donos de um PC Gamer: desempenho e qualidade dos ports. O jogo pode ser uma obra-prima no PS5, mas se chegar ao computador de forma desleixada, essa postura não servirá de nada: inclusive, pode comprometer a sua intocada reputação.

Imagem de The Last of Us Part I
The Last of Us Part I teve uma recepção péssima nos computadores (Imagem: Reprodução/Sony)

Um exemplo disso é a versão de The Last of Us Part I lançada no Steam. O game passava horas na compilação de shaders, crashes eram comuns e diversos outros problemas ocorriam dentro da experiência. O público vocal da plataforma não perdoou e logo ele foi reconhecido como uma “bomba”.

O sistema de análises do serviço da Valve é extremamente dinâmico e funciona como um “farol” em casos extremos. Se há milhares de críticas e elas seguem de Neutras a Negativas, todos sabem que deve ser acionado o freio para ver o que aconteceu e se deve evitar a experiência. 

É natural para o jogador de PC checar a otimização e performance de um game antes de comprar. Se houver um aspecto negativo assim logo no “Day One”, as vendas se estagnam nas primeiras 24 horas e nem mesmo Kratos levanta essa barreira novamente. O game cai e fica no chão.

Visão de mercado equivocada

A Sony olhou para os números e concluiu: “PC não dá dinheiro”. No entanto, o problema maior não está na plataforma, mas sim na estratégia que a japonesa utiliza para lançar seus jogos em outro ecossistema. 

Nesta briga, os próprios se cercaram e foram responsáveis por parar em um beco sem saída. Lançar os games no PC “Day One” pode enfraquecer as vendas nos consoles de mesa. Porém, lançar 3 ou mais anos depois, garante um fracasso dentro da plataforma.

Isso sem excluir o fator mesquinharia da PlayStation. Com a confirmação de que o próximo Xbox será um híbrido entre console e PC — de forma similar ao Steam Machine — eles nunca vão querer ver as suas grandes marcas estamparem a concorrência. Ainda está “tudo bem” com God of War e Marvel’s Spider-Man em portáteis como o ROG Xbox Ally, mas em um videogame de fato? É o que eles menos querem. 

O modelo híbrido falhou, mas em sua essência. É diferente do que foi visto pela Microsoft — que publica seus jogos simultaneamente em ambas as plataformas, quando não em consoles rivais também, como no caso de DOOM: The Dark Ages e Ninja Gaiden 4. 

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