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No último final de semana, as redes sociais foram tomadas por boatos de que os Estados Unidos desativariam o GPS no Brasil. Além de ser uma medida tecnicamente complexa e improvável, uma eventual queda do serviço de satélites não iria interromper por completo o funcionamento de apps como Maps, Waze e Uber.
Isso acontece porque o GPS é um dos sistemas de geolocalização que existem no mundo, mas não é o único. Muitos celulares já possuem receptores compatíveis com outros sistemas do tipo, então poderiam usar os respectivos dados. O Canaltech explica o caso:
Não. Sigla em inglês para “Sistema Global de Navegação por Satélite”, o GNSS é um sistema que usa uma constelação de satélites que orbitam sobre a terra para trazer dados precisos de localização.
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A partir da posição de quatro ou mais satélites, é possível entender as coordenadas exatas de um receptor (que pode ser celular, computador, relógio, e por aí vai).
O GPS é um modelo de GNSS feito pelos Estados Unidos com usos civis e militares. Por ser o sistema mais antigo, é comum que os serviços de geolocalização em geral sejam chamados de GPS, porém são todos sistemas com as mesmas funções.
“GNSS é o nome genérico de um sistema de navegação por satélite global. Então nós temos o GPS, que é o GNSS dos EUA; o GLONASS, da Rússia, o Galileo, da União Europeia; o BeiDou, da China, e assim em diante”, explica o físico do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru (SP), Demilson Quintão.
Provavelmente não. A maioria dos aparelhos disponíveis no mercado são compatíveis com alternativas ao GPS, como GLONASS e Galileo, então eles usariam essas tecnologias para incorporar os dados de localização caso houvesse algum problema com o sinal do GPS.
O iPhone tem suporte ao GLONASS desde a versão 4S, por exemplo, enquanto modelos mais novos são compatíveis com GPS, GLONASS, Galileo, QZSS (Japão), BeiDou e NavIC (Índia).
Demilson Quintão entende que aplicativos como Google Maps, Waze e iFood funcionariam normalmente porque receberiam os dados de outros conjuntos de satélites. O único impasse estaria com aparelhos mais antigos com receptores que se conectam somente ao sistema dos EUA.
“O GPS foi o primeiro GNSS que surgiu, então tem muito equipamento antigo que só é capaz de receber sinais dele, mas para celulares e coisas mais novas, isso não vai afetar em nada”, detalha.
Você ainda pode descobrir quais são os satélites que fornecem dados na sua região com a ajuda de ferramentas gratuitas, como o app GPS Test (Android). Ao ativar o acesso à localização do aparelho, o app cria um mapa com todas as constelações ao redor.

É possível, mas muito improvável. Os Estados Unidos poderiam desativar a frequência de uso civil do GPS, por exemplo, mas isso afetaria todos os outros países ao redor que estivessem na área de cobertura dos satélites, aponta o físico do IPMet. Além disso, os outros serviços concorrentes ainda estariam disponíveis.
Existem algumas alternativas que atrapalham o sinal, porém não são simples. Uma delas é o jamming, que usa interferência de rádio para bloquear o acesso à localização numa região específica muito usado em zonas de guerra, mas exigiria instalações em todo o país.
Outra técnica é o spoofing, ainda mais sofisticada, que usa equipamentos para enganar os receptores com sinais falsos. Novamente, isso exigiria a presença de tais máquinas em solo nacional.
Ter um GNSS próprio envolve criar uma constelação de satélites e exige investimentos muito altos em infraestrutura. O CTO da empresa de análise de dados beAnalytic, Claudio Lima Bezerra, explica que o Brasil e outros países usam as tecnologias já existentes por conta desses obstáculos.
“Envolve investimentos bilionários, infraestrutura espacial avançada e décadas de desenvolvimento tecnológico. Em vez disso, o país opta por utilizar os sistemas já existentes, como o GPS, o Galileo, o GLONASS e o BeiDou, que são abertos ao uso civil e gratuitos”, afirma.
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Leia a matéria no Canaltech.