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O Brasil se tornou um dos países mais visados do mundo para ataques cibernéticos e não apenas por motivos financeiros. Em entrevista ao Podcast Canaltech, Raphael Tedesco, especialista em cibersegurança da NSFOCUS, explicou como hackers movidos por ideologia estão ganhando força e por que o Brasil está no centro desse novo cenário digital.
Nos últimos meses, o nome “Azael” tem circulado entre especialistas e órgãos de segurança digital. Segundo Raphael, trata-se de um hacker com provável origem brasileira, com cerca de 35 anos, que teria somado conhecimentos técnicos em redes e telecomunicações a motivações políticas.
Azael faz parte do grupo hacktivista Team RCT e teria iniciado suas ações em apoio à causa palestina. No entanto, os ataques se expandiram, mirando órgãos públicos brasileiros e entidades com ideologias divergentes. “Quando o hacker não busca dinheiro, mas sim defender uma ideologia, não há espaço para negociação. E isso o torna ainda mais perigoso”, alerta Tedesco.
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Ouça o episódio completo do Podcast Canaltech com Raphael Tedesco:
Os ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) têm se popularizado por um motivo preocupante: hoje, é possível contratar esse tipo de ofensiva por menos de US$ 10 na deep web. “Qualquer pessoa, de um adolescente a um empresário, pode contratar esse serviço sem conhecimento técnico”, explica Raphael.
Dispositivos conectados à internet, como smart TVs, geladeiras inteligentes e até assistentes virtuais, podem ser infectados e transformados em bots que sobrecarregam servidores com tráfego malicioso. O resultado? Sites e serviços ficam fora do ar, afetando empresas, governos e até a população.
Há rumores de que hackers como Azael estariam usando computação quântica para impulsionar ataques. Raphael pondera que, por enquanto, isso é mais retórica do que realidade. “Mas em até três anos, essa tecnologia pode, sim, se tornar uma ameaça concreta”, afirma. A possibilidade ganha força quando grupos são financiados por governos e têm acesso a recursos avançados.
De acordo com dados da NSFOCUS, o Brasil é o terceiro país que mais sofre com ataques DDoS no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e China. E mais: também figura entre os 10 países que mais originam esse tipo de ofensiva.
Com mais de 3.500 provedores de internet em um território extenso, o país se torna terreno fértil tanto para receber quanto para propagar ataques. Além disso, a infraestrutura digital pública ainda apresenta muitas fragilidades, o que aumenta a exposição.
Os efeitos de um ataque DDoS podem ser mais profundos do que aparentam. Além de tirar sites e sistemas do ar, essas ofensivas costumam servir como “cortina de fumaça” para ações mais graves como roubo de dados, implantação de malwares e invasão de sistemas corporativos.
“Mais de 70% dos ataques DDoS acabam mascarando outras atividades maliciosas”, revela Raphael. Isso exige atenção redobrada de equipes de segurança digital, que precisam agir rapidamente para conter múltiplas frentes de ataque.
A proteção contra ataques DDoS e outras ameaças cibernéticas começa com cultura e prevenção. Para empresas, a segurança precisa estar presente desde o desenvolvimento de produtos e serviços até a operação diária. Já o usuário comum precisa estar atento a golpes de engenharia social como phishing e vazamento de credenciais.
“Ainda que tenhamos tecnologias avançadas, o elo mais fraco continua sendo o humano”, diz Raphael. “Um simples clique pode abrir as portas da rede para os criminosos.”
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