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Em 22 de novembro de 2005, chegava ao mercado o poderoso e saudoso Xbox 360. O console da Microsoft fez parte da infância e adolescência de milhões de jogadores, especialmente aqui no Brasil, onde o Xbox 360 fez um barulho imenso.
Diferente de hoje em dia, a sétima geração da Microsoft ficou conhecida por seu foco no hardware e nos jogos, com exclusividades de peso: desde first-parties como Gears, Halo, Fable e Forza até acordos com terceiros, como BioShock, Mass Effect e The Elder Scrolls IV: Oblivion.
O Xbox 360 também foi pioneiro ao aprimorar a Xbox Live e serviços online apresentados em seu antecessor, e criar uma verdadeira cultura digital nos consoles, com funcionalidades padronizadas e utilizadas até hoje, como chat nativo, conquistas e muito mais.
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Para entender todo o legado do Xbox 360, o Canaltech trouxe uma rápida recapitulação da história do melhor console que a Microsoft já lançou.
Antes de entrarmos de fato no lançamento do Xbox 360, precisamos voltar ainda mais no tempo. Apesar de ter vindo ao mundo apenas em 2005, a história do console de sétima geração da Microsoft começou três anos antes.
Foi em 2002 que a gigante de Redmond iniciou o desenvolvimento do Xbox 360 sob os codinomes Trinity e, posteriormente, Xenon. Neste período, os chefões da Microsoft, Bill Gates e Steve Ballmer, aprovaram uma mudança de estratégia para a próxima geração do Xbox, que naquela altura já havia vendido 3,5 milhões de unidades. Essa mudança marcou a transição de hardware do Xbox, abandonando a parceria de produção de chips com a Intel e a Nvidia e optando por seguir com a IBM e a ATI.
Esta mudança foi extremamente importante para o sucesso inicial do Xbox 360. Em paralelo com a Microsoft, a IBM também estava envolvida em uma parceria com a Sony para desenvolver o superprocessador Cell, com investimento de US$ 400 milhões, sem contar custos de fabricação. O problema é que, quando a dona do Xbox contratou a empresa para desenvolver o chip para sua nova geração, a IBM usou o design central do Cell e disponibilizou os chips primeiro para a Microsoft.

Também em 2002 estreava um dos pilares da plataforma, a Xbox Live, que trouxe recursos online e foi um sucesso imediato, com mais de 80 mil assinantes em seu primeiro fim de semana.
Neste período, o Xbox original sofria de alguns problemas, como o scratch gate (falha que arranhava os discos dentro do próprio console), e foi um calvário para a “invasão verde” em território japonês, além dos altos preços na Europa, que dificultaram na infiltração do hardware no continente.
Uma das mais aclamadas desenvolvedoras da época, a Rare foi comprada pela Microsoft em um negócio de US$ 375 milhões, sendo uma importante aquisição para o futuro line-up de exclusivos da Microsoft no Xbox 360.
No maior estilo anos 2000, a Microsoft apresentou o Xbox 360 oficialmente durante o programa MTV Presents em 12 de maio de 2005. O evento contou com cerca de 20 minutos e foi apresentado por uma das estrelas de O Senhor dos Anéis, Elijah Wood.

A apresentação focou no design do Xbox 360, bem como em seus recursos online e controle sem fio. Para quem curte a banda, o programa contou com uma apresentação ao vivo do The Killers e também marcou a presença de várias celebridades.
Nos jogos, a Microsoft apresentou na MTV sua line-up composta por Call of Duty 2, Perfect Dark Zero, Quake 4, Tony Hawk’s American Wasteland, Need for Speed: Most Wanted, Gears of War e muitos outros títulos. Mais de seis meses depois, os jogadores puderam experimentar todos esses e diversos outros games.
Em 22 de novembro de 2005, o Xbox 360 chegava ao mercado e inaugurava a sétima geração de consoles em 36 mercados. O lançamento foi uma verdadeira façanha logística e comercial da Microsoft, que claramente estava dando tudo de si para subjugar as veteranas Sony e Nintendo.
Lembra do imbróglio entre IBM, Microsoft e a dona do PlayStation em torno do superprocessador Cell? Bem, além de a Microsoft conseguir chips antes da Sony, a dona do Xbox 360 contou com uma fabricante reserva, o que permitiu que a empresa contornasse problemas na produção inicial dos chips, algo que não foi feito no PlayStation 3.

O resultado foi que o Xbox 360 chegou ao mercado um ano antes dos rivais, o que não só deixou o caminho livre para a Microsoft, como permitiu a chegada de jogos exclusivos temporários, como BioShock.
Vale lembrar que, com este cenário, a gigante de Redmond também iniciou a primeira geração na era HD (720p/1080p). Tudo isso num hardware com design côncavo, botão de ligar com luzes verdes e a clássica e icônica interface Blades, que foi substituída em atualizações posteriores.
Um dos pilares do Xbox 360 foram os seus recursos online da Xbox Live, que permitiram que a Microsoft definisse este mercado nos consoles. Graças a esse ecossistema online, a empresa expandiu a cultura digital nos consoles, impulsionando jogos online e estabelecendo funcionalidades importantes até hoje, como sistemas de conquista, rankings, grupos e chats de voz nativos.
Outra importante revolução foi o marketplace do Xbox 360, que redefiniu a forma com que os jogadores consumiam games. As mídias físicas ainda eram prioridade das fabricantes de consoles, mas a loja online do Xbox permitiu que os jogadores contornassem escassez e logística, permitindo comprar e baixar jogos instantaneamente. Também ajudou desenvolvedores a lançar atualizações e conteúdos adicionais de forma mais simples.

Falando em marketplaces, outra novidade trazida pelo Xbox 360 foi o Xbox Live Arcade (XBLA), uma iniciativa apenas para jogos digitais que fortaleceu estúdios indie ao facilitar a comercialização na plataforma. Foi dessa iniciativa que nasceram jogos como Braid, FEZ e Limbo, todos aclamados na época e considerados os pais dos títulos independentes como conhecemos hoje. Empresas maiores também fizeram uso do XBLA, como a Capcom, que trouxe um reboot do clássico Strider.
Se hoje a Microsoft colocou hardware e exclusividade em segundo plano, no Xbox 360 a coisa foi muito diferente. Nos primeiros anos da sétima geração, a plataforma contou com exclusivos temporários de peso, como os já citados BioShock, Mass Effect e The Elder Scrolls: Oblivion, dando um gás inicial ao Xbox 360.
O console também contou com jogos first-party aclamados até hoje, como Halo 3; inaugurou a série Gears, além de aprimorar séries como Fable e Forza (tanto Horizon como Motorsport). A Rare, adquirida anteriormente, ficou responsável por trazer “experiências Nintendo” ao Xbox 360, incluindo o saudoso Viva Piñata, e jogos para o Project Natal (falaremos mais sobre isso abaixo).
Lembra que o Xbox original passou por problemas no mercado japonês? No Xbox 360, a Microsoft estava apostando muito alto e queria se infiltrar de vez no Japão. Para isso, a companhia investiu muito, fechando parceria com nomes como o criador de Final Fantasy, Hironobu Sakaguchi.

O Xbox 360 marcou a época mais próxima da marca no Japão, com títulos como Lost Odyssey, Blue Dragon e Ninja Blade, este último desenvolvido por ninguém menos que a FromSoftware. Claro que o primeiro Xbox já havia tido certa proximidade com o mercado nipônico, visto exclusivos e system-sellers como Dead or Alive e Ninja Gaiden.
A aposta no Japão se mostrou um relativo sucesso para o Xbox 360. Apesar de ficar atrás do Wii e PlayStation 3, o console da Microsoft vendeu cerca de 1,6 milhão de unidades no país, ultrapassando o Sega Mark-III (o Master System japonês).
Lançado em 1° de dezembro de 2006 no Brasil, o Xbox 360 foi de longe o console mais popular da sétima geração ao permitir um fácil desbloqueio e, por consequência, o uso de softwares piratas, algo em que a Sony era mais restritiva.
Apesar da polêmica envolvendo a prática, pirataria e videogames andaram de mãos dadas na história dos jogos no Brasil. Por isso, não era difícil encontrar o Xbox 360 em “feiras do rolo” e no mercado cinza, além dos jogos pirateados que podiam ser encontrados em qualquer feirinha ou loja de bairro.
O Xbox 360 começou a fazer parte de muitos lares brasileiros, ao trazer uma potência absurda por preços muito mais baixos que o PlayStation 3, tudo isso impulsionado pela facilidade de desbloqueio e pirataria.

A Microsoft também fez esforços à la Tectoy, sendo uma das primeiras grandes empresas de jogos a localizar seus títulos em português do Brasil. Cinco anos depois, a empresa trouxe a fabricação do hardware para o território nacional, barateando o Xbox 360 e tornando-o ainda mais popular entre públicos com menos poder aquisitivo.
Todos esses esforços resultaram em uma popularidade que durou anos. Para se ter ideia, a Pesquisa Games Brasil 2016 revelou que o Xbox 360 era o console onde a maioria dos brasileiros jogava, apesar da oitava geração já estar no mercado há três anos.
Como nem tudo são flores, o Xbox 360 sofreu de um problema grave frequentemente relacionado a superaquecimento conhecido como as Três Luzes Vermelhas da Morte (ou 3RL), comum nas primeiras versões do console.
O defeito acontecia por vários fatores, principalmente por superaquecimento que afetava componentes como CPU e GPU, mas podia ser causado por problemas de solda e ventilação, ou mesmo falhas e problemas em fonte de alimentação e placa-mãe.

Ele era conhecido como “Três Luzes Vermelhas da Morte” pois, quando alguma dessas falhas acontecia, três das quatro luzes do botão de ligar do Xbox acendiam em vermelho, sinalizando que o console estava inutilizado. Ou seja, era a confirmação de que o seu Xbox 360 tinha virado um tijolo.
As Três Luzes Vermelhas da Morte foi um dos maiores defeitos técnicos da história dos consoles, com estimativas de que o problema afetou modelos do Xbox 360 entre 2005 e 2008. Claro que isso custou rios de dinheiro para a Microsoft, que investiu US$ 1,15 bilhão para reverter os danos, segundo o ex-chefe da divisão Xbox, Peter Moore, em entrevistas ao IGN e Eurogamer.
Já na segunda metade da vida do Xbox 360, a Microsoft lançaria seu Project Natal, ou mais conhecido como Kinect. A companhia prometeu muitas coisas que não foram lançadas em torno do aparelho, mas seu sucesso gritante é inegável.
O Kinect foi uma resposta clara da empresa ao Wii, que, apesar de ter se distanciado do mercado de consoles de alta performance, nadou de braçada na geração, vendendo mais que o PlayStation 3 e o Xbox 360. E a resposta da Microsoft não poderia ser mais bem-sucedida.

Lançado em 2010, o Kinect permitia que os jogadores transformassem o corpo e a voz em controle, possibilitando jogar títulos dedicados ao dispositivo, como Just Dance e Kinect Adventures. Muitos desses jogos eram desenvolvidos pela Rare, que já havia se distanciado da produção de jogos tradicionais.
Apesar de ser conhecido como uma das pedras que afundou o Xbox One, o Kinect foi um sucesso gigantesco na época, vendendo 8 milhões de unidades em apenas 60 dias e sendo reconhecido pelo Guinness como o “Dispositivo Eletrônico de Consumo com Vendas Mais Rápidas da História”. O aparelho fechou a geração do Xbox 360 com 24 milhões de unidades comercializadas, passando em certo momento das vendas mensais do próprio Wii.
O Xbox 360 terminou a geração atrás do PlayStation 3, apesar de seu forte início, muito influenciado pelas falhas de hardware das Três Luzes Vermelhas, mas foi por pouco.
O console da Microsoft vendeu cerca de 84 milhões de unidades e deve manter o posto de hardware mais vendido pela companhia por muitos anos, visto a atual estratégia da marca.

Foi no Xbox 360 que muitos dos recursos online e tendências dos jogos surgiram e se solidificaram como um padrão na indústria. O legado deixado pelo lado verde da força na sétima geração é indiscutível e fator de nostalgia para muitos fãs.
Infelizmente, apesar de hoje marcar um dia festivo para o Xbox 360, é impossível não comparar com o estado atual da divisão Xbox, que parece mais perdida do que nunca. Tudo o que podemos fazer é saudar o Xbox 360 e respeitar seu legado monstruoso. Parabéns ao nosso querido 360!
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