Você sabe o que é wetware? Entenda ideia por trás dos “computadores biológicos”

Você sabe o que é wetware? Entenda ideia por trás dos “computadores biológicos” – Canaltech

Computação quântica? Miniaturização de componentes? Nada disso: a tecnologia que promete dar muito mais poder aos computadores é um híbrido entre biologia e computação. Neurônios vivos estão sendo usados em chips para aumentar o poder de processamento e a velocidade das máquinas.

Chamada de wetware, a tecnologia vem sendo testada por empresas como a Cortical Labs, que demonstrou a evolução de seus sistemas biológicos computacionais com o DishBrain, capaz de jogar Pong, do Atari, e, recentemente, com o CL1, capaz de jogar o primeiro Doom.

O que é wetware?

Wetware, para definir bem o termo, é usado para descrever qualquer sistema que usa matéria biológica — especialmente neurônios vivos — como parte do processamento de informações. Se hardware é a parte física e software são os programas, o wetware é a camada biológica que processa os sinais de uma forma única.


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Usar o poder e velocidade de processamento do cérebro para cálculos computacionais é uma ótima ideia — mas é preciso muita pesquisa para concretizá-la (Imagem: Divulgação/Western Sydney University)
Usar o poder e velocidade de processamento do cérebro para cálculos computacionais é uma ótima ideia — mas é preciso muita pesquisa para concretizá-la (Imagem: Divulgação/Western Sydney University)

Como wetware é diferente de hardware e software

Na construção moderna de computadores, a construção é baseada em silício e componentes eletrônicos, enquanto o software é o conjunto de instruções programadas na forma de aplicativos. O wetware, por sua vez, aproveita características de organismos vivos, como plasticidade, capacidade de adaptação e aprendizado com baixo consumo energético para ajudar o processamento computacional.

Diferente de CPUs, GPUs e memórias tradicionais, essa nova construção poderá permitir uma computação totalmente nova e mais poderosa. Mas como neurônios vivos, mas não organizados em um cérebro, podem virar um sistema computacional?

As células cerebrais em questão são cultivadas sobre uma matriz de eletrodos, recebendo estímulos elétricos e respondendo com padrões de atividade. O sistema interpreta esses padrões e os usa para realizar funções.

Ao invés de “programar” as células, os cientistas criam um ambiente de estímulo e feedback para observar adaptação e aprendizado, o que foi demonstrado quando o wetware aprendeu a jogar.

O wetware não é exatamente novidade, mas voltou a chamar a atenção agora: os avanços na área atiçaram a curiosidade de empresas, já que parece possível que a tecnologia seja uma alternativa ou complemento ao silício em tarefas computacionais. O CL1, por exemplo, deixou de ser tão acadêmico e parece mais concreto.

O uso de células cerebrais aumenta muito as capacidades computacionais, mas será difícil escalonar a iniciativa, além de questões éticas envolvidas (Imagem: Vecstock/Freepik)
O uso de células cerebrais aumenta muito as capacidades computacionais, mas será difícil escalonar a iniciativa, além de questões éticas envolvidas (Imagem: Vecstock/Freepik)

Wetware vs computação tradicional

As vantagens principais desses novos computadores são a capacidade de adaptação, o aprendizado rápido e o potencial para eficiência energética. Não é um milagre, mas sim um uso inteligente da capacidade dos nossos próprios cérebros: com muito menos energia que um computador, eles conseguem processar informações complexas rapidamente e com muita eficiência.

Claro, há limites para isso. O wetware ainda está longe de substituir os PCs, GPUs ou data centers convencionais, dadas as barreiras de custo, escalabilidade, padronização e até mesmo questões éticas.

Especialmente para o público leigo, pode ser difícil vender a ideia de “células cerebrais usadas em computadores”, o que exige transparência e comunicação clara por parte dos pesquisadores.

A nova tecnologia talvez não substitua o hardware tradicional, mas certamente abrirá nichos de computação híbrida, pesquisa e simulação. O wetware poderá ser uma camada relevante da ciência no aprendizado biológico e controle eletrônico, no que a Cortical Labs chama de “biological intelligence”.

Embora pareça algo saído de um filme de ficção científica, o wetware já está no mundo real, mesmo que em estágios iniciais de implementação. Talvez a tecnologia não chegue no seu computador pessoal, mas certamente ajudará a ciência e as pesquisas de ponta a melhorar ainda mais as tecnologias que usamos no dia-a-dia. 

Leia a matéria no Canaltech.

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