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Um novo relatório da equipe divulgado pelo membro do Comitê Judiciário da Câmara, Jamie Raskin, alega que o presidente Donald Trump utilizou significativamente a presidência para expandir sua riqueza pessoal por meio de empreendimentos em criptomoedas.
O relatóriointitulado Trump, Crypto, and a New Age of Corruption, descreve uma série de conclusões que sugerem que as decisões políticas da Administração, incluindo o desmantelamento de equipas de aplicação da regulamentação e a emissão de indultos, beneficiaram diretamente os interesses financeiros pessoais do Presidente.
De acordo com o documento, o portfólio de criptomoedas do presidente Trump está avaliado em até US$ 11,6 bilhões, com a receita das vendas de ativos criptográficos ultrapassando US$ 800 milhões somente no primeiro semestre de 2025.

O documento de 50 páginas argumenta que as participações do Presidente na World Liberty Financial (WLF) e o memecoin TRUMP criam um conflito de interesses estrutural que as atuais leis federais de ética estão mal equipadas para resolver.
A equipe do comitê também afirma que atores estrangeiros e corporativos utilizaram essas plataformas de ativos digitais para canalizar capital para os empreendimentos do Presidente, contornando efetivamente as restrições tradicionais de financiamento de campanha.
Um foco central do relatório é o mecanismo pelo qual a empresa familiar do Presidente alegadamente recebe fundos.
O comitê descreve uma dinâmica em que “atores estrangeiros e interesses corporativos” compram tokens ou fornecem liquidez para protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) vinculados a Trump.
O relatório argumenta que estas transações constituem lobby não regulamentado. Ao contrário das doações políticas tradicionais, que são limitadas e divulgadas à Comissão Eleitoral Federal (FEC), as compras simbólicas e a provisão de liquidez em bolsas descentralizadas podem, em teoria, ser ilimitadas e anónimas.
“Donald Trump transformou o Salão Oval na operação de inicialização de criptografia mais corrupta do mundo”, afirmou Raskin no comunicado que acompanha o relatório.
O documento alega que, ao deter tokens de governação em vez de ações tradicionais, o Presidente beneficia da valorização dos preços impulsionada pelos seus próprios anúncios políticos, uma dinâmica que o relatório caracteriza como “autonegociante”.
O relatório afirmava:
“[Trump’s] a capacidade de acumular bilhões de dólares em criptomoedas em menos de um ano implica fraquezas gritantes em nosso sistema de financiamento de campanha, leis de conflito de interesses e lobby e estatutos de suborno.”
O relatório destaca uma sequência específica de eventos envolvendo a bolsa de criptomoedas Binance e seu ex-CEO, Changpeng “CZ” Zhao, como evidência desse “lobby paralelo”.
De acordo com o cronograma do comitê, a Binance concordou com um acordo de US$ 4,3 bilhões com o Departamento de Justiça (DOJ) em 2023, com Zhao deixando o cargo como parte do acordo judicial.
O relatório alega que, nos meses seguintes, as entidades vinculadas à Binance forneceram apoio promocional e capital para World Liberty Financial, o empreendimento criptográfico da família Trump.
Em 23 de outubro, o presidente Trump emitiu um comunicado completo perdão a Zhao. O relatório estabelece uma correlação directa entre o apoio à World Liberty Financial e a clemência executiva, descrevendo o perdão como parte de um padrão em que os “maus actores” que apoiam os empreendimentos do Presidente recebem alívio das penas federais.
O relatório da equipe do comitê detalha mudanças extensas na estrutura regulatória federal, que afirma terem sido projetadas para proteger os investidores e doadores do Presidente.
Especificamente, o relatório cita a dissolução do Equipe Nacional de Fiscalização de Criptomoedas (NCET) do DOJ, uma unidade criada para processar atividades criminosas no espaço de ativos digitais.
Além disso, o documento alega que a Administração interveio para suspender ou encerrar investigações sobre várias grandes empresas de criptomoedas, incluindo Coinbase, Kraken, Ripple e Gemini.
O relatório observa que estas empresas ou os seus executivos têm sido doadores ou apoiantes significativos dos esforços políticos e empresariais do Presidente.


O relatório também examina o impacto no mercado da política de “reserva criptoestratégica” da Administração. Ele observa que a decisão de incluir tokens específicos, como Solana (SOL) e Ondulação (XRP), na Reserva Federal levou a uma valorização imediata dos preços de 25% e 33%, respectivamente.
O comité argumenta que, ao selecionar ativos específicos para apoio estatal, a Administração manipulou as avaliações de mercado para beneficiar os doadores que detêm grandes posições nesses tokens específicos.
Para além da política financeira interna, o relatório levanta preocupações de segurança nacional no que diz respeito às relações da Administração com entidades estrangeiras. Ele detalha uma suposta transação envolvendo a MGX, uma empresa de investimentos sediada nos Emirados Árabes Unidos, e a G42, uma holding de tecnologia.
De acordo com o relatório, MGX investiu bilhões na Binance– capital que o relatório afirma ter apoiado indiretamente o ecossistema criptográfico de Trump.
Simultaneamente, o relatório alega que funcionários da Casa Branca, incluindo o cofundador da World Liberty Financial, Steve Witkoff, negociaram para fornecer ao G42 acesso a chips avançados de inteligência artificial (IA) fabricados nos EUA.
A equipe do comitê afirma que este acordo ocorreu apesar das objeções do Conselho de Segurança Nacional (NSC) em relação ao potencial desvio de tecnologia para a China.
O relatório afirma que seis funcionários do NSC foram despedidos após expressarem preocupações sobre o acordo, sugerindo que os protocolos de segurança nacional estavam subordinados aos interesses financeiros do Presidente.
O relatório conclui identificando o que descreve como “fraquezas graves” nas atuais leis antissuborno e de conflito de interesses.
Argumenta que estatutos como a Lei de Registo de Agentes Estrangeiros (FARA) e as leis nacionais sobre suborno se baseiam em instrumentos financeiros tradicionais e não cobrem adequadamente os activos digitais descentralizados.
O comitê alerta que, sem reforma legislativa, a natureza “pseudônima” da criptomoeda cria um novo canal de influência que é tecnicamente legal, mas eticamente comprometedor.
Assim, Raskin apela a reformas imediatas no Congresso para colmatar estas lacunas e restaurar a “responsabilidade e integridade” do poder executivo.
Até ao momento desta publicação, a Casa Branca não emitiu uma resposta formal às alegações específicas relativas ao despedimento de funcionários do NSC ou à metodologia utilizada para avaliar as participações do Presidente em 11,6 mil milhões de dólares, conforme citado no relatório.