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A popularização dos wearables implementou diversos recursos de saúde dos quais não tínhamos acesso de forma constante antigamente. Hoje, é comum encontrar notícias de pessoas que foram “salvas” por alertas dos seus smartwatches, que graças a sensores avançados, encontraram irregularidades em seu organismo.
Isso levanta uma dúvida cada vez mais comum: um smartwatch substitui exames médicos? De acordo com o cardiologista Eduardo Martelli, professor na Universidade Federal do Paraná, os sensores presentes nesses dispositivos têm utilidade importante, mas com limitações claras.
“Eles servem como uma excelente triagem, mas não substituem o exame clínico”, explica. O smartwatch pode ajudar a identificar possíveis irregularidades, mas o diagnóstico definitivo ainda depende de exames médicos específicos.
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A maioria dos smartwatches utiliza sensores ópticos para monitorar a frequência cardíaca. Esses sensores emitem luz na pele e analisam sua reflexão para estimar os batimentos. O método é prático e funciona bem no dia a dia, mas não tem a mesma precisão de um exame clínico.
“Essa medição baseada em luz é mais grosseira e pode sofrer interferências”, afirma Martelli. “Fatores como suor, movimento do pulso e até tatuagens podem comprometer a leitura, tornando os dados menos confiáveis em determinadas situações”.
Alguns modelos mais avançados contam com eletrocardiograma (ECG) integrado, que utiliza eletrodos para medir a atividade elétrica do coração. Nesses casos, a precisão é maior. “A medição por ECG no dispositivo é muito mais confiável do que a óptica”, destaca o especialista.

Na prática, o principal papel do smartwatch é funcionar como um alerta precoce. Quando o dispositivo detecta um ritmo cardíaco irregular, ele pode notificar o usuário, incentivando a busca por avaliação médica.
Esse tipo de tecnologia tem contribuído para aumentar a detecção de condições como arritmias, incluindo a fibrilação atrial. No entanto, ainda há um desafio importante: o que fazer com essas informações.
“Nem sempre um alerta significa doença. É preciso avaliar o contexto do paciente”, explica Martelli. “Um resultado positivo em pessoas jovens e saudáveis pode ser apenas um falso positivo, enquanto em pacientes com fatores de risco a chance de ser um problema real é maior”.
Apesar dos benefícios, o uso indiscriminado dos dados pode gerar ansiedade ou interpretações equivocadas. O especialista ressalta que os resultados precisam ser analisados com cautela.
“O contexto é fundamental. Idade, histórico de saúde e sintomas fazem toda a diferença na interpretação”, afirma. Isso significa que confiar apenas no smartwatch, sem orientação médica, pode levar a conclusões equivocadas.
Outro ponto importante é que os dispositivos não substituem exames mais completos, como o eletrocardiograma tradicional ou o monitoramento contínuo realizado em ambiente clínico.

Mesmo com limitações, os smartwatches representam um avanço importante na relação entre tecnologia e saúde. Eles ajudam a aproximar o usuário do próprio corpo e incentivam o acompanhamento de indicadores básicos.
Para os especialistas, o caminho é a integração entre tecnologia e medicina. “Os dispositivos são ferramentas úteis, mas devem ser usados em conjunto com avaliação médica”, reforça Martelli.
O diagnóstico e o tratamento continuam sendo responsabilidade de profissionais de saúde. Usar a tecnologia com consciência, entendendo seus limites, é o melhor caminho para aproveitar seus benefícios sem abrir mão da segurança médica.
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