Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124

Relator da comissão responsável pelo anteprojeto de reforma do Código Civil, o advogado e professor Flávio Tartuce tem atuado como uma das principais vozes em defesa da proposta, que pretende atualizar mais da metade do atual código. Em meio às críticas recebidas desde que o texto foi protocolado no Senado, em janeiro, Tartuce reafirma a seriedade técnica da proposta e destaca a importância do debate respeitoso e construtivo.
“Gostaríamos que esses grandes juristas, que reconhecemos, fizessem um esforço para debater assuntos e fazer proposições”, afirmou Tartuce durante evento realizado na Fundação FHC, em São Paulo, nesta segunda-feira (19). Ele reagiu às contestações que sugerem o arquivamento da proposta, avaliando que essa postura representa um desrespeito com o trabalho da comissão elaboradora.
Elaborado ao longo de meses, o anteprojeto tem como objetivo modernizar institutos fundamentais do direito civil e incorporar novas demandas sociais, como a regulação do ambiente digital e a atualização das regras de responsabilidade civil, contratos e patrimônio. Segundo Tartuce, a proposta reforça a segurança jurídica e atualiza princípios já consolidados, como a função social do contrato, paridade e simetria.
Uma das críticas mais recorrentes ao texto diz respeito a supostos conflitos com leis recentes, como as de juros e seguros. O relator esclarece que a proposta da comissão foi finalizada antes da aprovação dessas normas. “A lei do seguro é muito boa e foi muito além do que a gente mandou. Tem ajustes que se pode debater, mas a lei de seguro é muito mais abrangente, é excelente”, destacou.
No que diz respeito à responsabilidade civil, Tartuce negou que o texto preveja novos tipos de danos indenizáveis, como danos probabilísticos ou estatísticos. Segundo ele, o projeto trata apenas do “dano futuro por perda de chance”, já reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relator reconhece que o tema da indenização extrapatrimonial é sensível, mas defende sua valorização. “Acho que esse tema vai ser naturalmente debatido, porque envolve muitos interesses.”
Tartuce também rebateu críticas de que a reforma traria conceitos vagos ou sem respaldo jurídico. Para ele, a função social do contrato e os conceitos de paridade e simetria já constam na legislação vigente. “A função social do contrato já está nos artigos 421 e 2.035. E a Lei da Liberdade Econômica, aliás, confirmou a função social do contrato.”
Em relação à liberdade contratual, ele esclareceu que a proposta amplia os instrumentos para contratos entre partes com equilíbrio de condições. “Nós ampliamos a liberdade, e muito, nos contratos paritários e simétricos.” Já os contratos assimétricos, explicou, seguem sendo regulados pelo Código de Defesa do Consumidor.
Outro ponto importante da proposta é a criação de um capítulo específico para o direito civil digital — área em constante transformação. “Entendemos ser necessário ter um capítulo de direito civil digital com conceitos fundamentais e princípios. A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, é um tema que a comissão entendeu que deveria estar no livro de direito digital, assim como patrimônio digital”, disse.
Apesar das divergências, Tartuce reforça que o texto não está fechado e será naturalmente aprimorado no Congresso. Para ele, o mais importante agora é garantir que o debate ocorra de forma qualificada e construtiva, respeitando o trabalho técnico realizado até aqui.
Fonte
Oferecimento: https://amplojuridico.com.br