Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


Uma das marcas mais mencionadas nos canais de TV nas décadas passadas, a Tecnomania não existe mais da forma que se conhecia anteriormente. Afinal, a criadora da câmera TekPix não conseguiu fazer com que a popularidade do produto se transmitisse para outros equipamentos.
A empresa foi considerada um verdadeiro fenômeno nacional, com marketing agressivo em programas de TV aberta e call centers. O foco era atingir o público de cidades do interior, com parcelamento facilitado em muitos meses e o princípio de imediatismo sempre presente.
Por isso, eram comuns frases como “Pode começar a ligar antes que as linhas congestionem”, ou mesmo a promessa de desconto nas parcelas para quem entrasse em contato em um período curto de tempo.
–
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
–
A campanha feita pelo vendedor Juarez Aparecido Pontes Fernandes, ou “Juarez da TekPix”, tornou-se icônica. Com performance entusiasmada, tinha o bordão “Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de TekPix”.

Por algum tempo, a estratégia de criar percepção de valor com apelo de multifuncionalidade e preço “acessível” deu certo.
Estima-se que, no auge, tenham sido vendidas até 1.300 câmeras por dia, alcançando cerca de 600 mil unidades comercializadas no total, e R$ 20 milhões de faturamento. Esses números não são oficiais, mas apenas estimativas.
No entanto, por trás do marketing, a realidade não era tão nítida.
Na prática, a TekPix era produzida na China, sob o modelo white label — ou seja, com produtos genéricos que recebem marcas locais. Na época, a fabricação chinesa era praticamente sinônimo de baixa qualidade, uma realidade bem diferente da atual.
Por isso, versões muito semelhantes eram vendidas no exterior por cerca de US$ 70 — o que não refletia em muito mais que R$ 300 na conversão da época.
No entanto, no Brasil, os preços poderiam chegar a até R$ 3.500. O “conceito brasileiro” se resumiu apenas em uma estratégia de marketing.

Não demorou muito para a TekPix ter começado a enfrentar críticas devido à sua baixa qualidade. As imagens capturadas com ela tinham resolução abaixo do esperado, com ruídos e pouca nitidez.
As funções de MP3, MP4 e webcam, muito divulgadas nas propagandas, tinham desempenho inferior a produtos similares. Além disso, seu armazenamento total de 32 MB tinha apenas 4 MB disponíveis, e o cartão de memória era vendido separadamente.
Para a Tecnomania, o golpe final chegou com a popularização dos smartphones.
Os celulares logo passaram a ser comercializados com câmeras superiores, qualidade geral superior e preços mais condizentes com o que o mercado esperava.
Em 2013, houve uma tentativa de recuperação da Tecnomania, com o lançamento de um tablet com Android. O equipamento fracassou pelo histórico negativo da marca e tinha especificações simples, com câmera de apenas 1,3 MP. No mesmo ano, a empresa faliu.
De forma curiosa, ainda existe um site da Tecnomania. No entanto, a página mostra apenas o antigo logotipo da empresa, e nada mais.
No entanto, a figura central das propagandas — a do Juarez da TekPix — segue ativa. Afinal, o apresentador permanece no campo da publicidade e marketing, ainda usando o famoso bordão “Vamos falar de coisa boa?” para anunciar serviços de restaurantes e academias, por exemplo.
Leia a matéria no Canaltech.