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Após uma queda global, os serviços da Cloudflare foram normalizados por volta das 15h desta terça-feira (18). Agora, as empresas afetadas, como OpenAI, Canva, Spotify e PayPal, começam a contabilizar os danos.
Para setores como o financeiro e os e-commerces, o tempo fora do ar pode representar cifras milionárias, além da perda de confiança nos serviços prestados.
A estimativa do valor exato é complexa, mas dados históricos apontam para um cenário de alto custo. Um estudo do Ponemon Institute, de 2016, aponta que o custo médio de uma interrupção não planejada em data centers girava em torno de US$ 9 mil por minuto.
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Considerando a inflação e o aumento da digitalização nos últimos nove anos, o prejuízo pode ser consideravelmente maior.
Marcello Marin, mestre em Governança Corporativa, explica que o impacto é imediato para quem monetiza por minuto. “Os mais afetados normalmente são quem depende da disponibilidade contínua. A gente pode falar dos e-commerce, meios de pagamento”.
Marin destaca ainda a sensibilidade do mercado de criptomoedas, onde a instabilidade gera pânico, volatilidade e impede o acesso a corretoras.
A Cloudflare funciona como um intermediário entre o usuário e o servidor. Já a Amazon Web Services (AWS), que teve uma queda global em outubro, opera em uma camada mais profunda de infraestrutura.
Enquanto a AWS guarda os dados e hospeda os sistemas, uma falha na Cloudflare afeta a entrega do conteúdo.
André Miceli, coordenador do MBA de Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que a AWS sustenta sistemas empresariais, financeiros e governamentais. “Uma queda da AWS normalmente paralisa serviços essenciais e gera prejuízos maiores“, explica Miceli.
A questão está, de fato, no tempo de instabilidade e na quantidade de sites afetados. Enquanto a queda da Cloudflare durou cerca de 6 horas, a AWS ficou instável por 15 horas.
No último trimestre, de acordo com a Statista, 30% do mercado de cloud era controlado pela AWS, enquanto cerca de 20% de todos os sites utilizam algum serviço da Cloudflare, segundo o Increv.

A falha desta terça, somada a da AWS em outubro, levanta questões sobre a dependência de infraestrutura digital que a maioria das empresas possuem.
“Quando um fornecedor tão central enfrenta uma falha assim, evidencia o nível de interdependência do ecossistema digital atual”, afirma Daniel Barbosa, pesquisador de segurança na ESET Brasil.
Para o professor Júlio Chaves, da Escola de Matemática Aplicada da FGV, o incidente demonstra uma vulnerabilidade crítica da internet moderna.
“Esse tema [queda da Cloudflare] toca na soberania. Nós dependemos de serviços de empresas estrangeiras, e isso denota uma fragilidade, de que falta soberania do seu serviço e do seu próprio país”, afirma Chaves.
Já Daniel Marques, presidente da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), acredita que o episódio escancara o risco sistêmico de concentrar a infraestrutura digital em poucos atores globais.
“Permanecer dependente significa risco sistêmico, vulnerabilidade geopolítica e bloqueio à inovação local”, afirma Marques.
De acordo com o especialista, para mitigar falhas futuras são necessárias três camadas de ação: técnica (arquiteturas distribuídas, multi-cloud), estratégica (cultura de resiliência e testes de estresse) e política (protocolos claros de continuidade).
Marques completa que a regulação deve “exigir padrões mínimos de segurança, interoperabilidade, transparência e relatórios de incidentes”, mas, “sem sufocar a inovação”.
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