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A fumaça da rua invade a sua casa e a compra de um purificador de ar parece a solução perfeita. Mas será que esse aparelho realmente limpa o ambiente e, de quebra, ajuda a reduzir problemas respiratórios ou apenas cria uma ilusão? Descubra antes de gastar o seu dinheiro.
Christian Scapulatempo Strobel, engenheiro mecânico e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que o processo de limpeza dos purificadores domésticos ocorre de forma bastante física e direta.
O aparelho utiliza um ventilador interno potente para puxar o ar sujo do ambiente de forma mecânica. Em seguida, o motor força essa massa de ar a passar por um sistema composto por diversos filtros específicos.
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Assim, a sujeira pesada e a fuligem fina ficam presas nas tramas de proteção. O equipamento devolve o ar limpo para o quarto de forma contínua, em um ciclo ininterrupto e silencioso.

O sistema mecânico de alta eficiência na retenção de partículas ganha o nome oficial de filtro HEPA. Esse componente possui uma eficiência mínima atestada de 99,97% para partículas minúsculas de 0,3 micrômetros. Alguns fabricantes indicam classes como H13 e H14 para demonstrar o nível de eficiência superior da peça.
Enquanto o filtro de carvão ativado tem uma função completamente diferente no sistema. O material mineral entra em ação de forma específica para reter gases poluentes e os maus odores comuns nas grandes cidades.
Purificadores atuam fortemente contra as partículas inaláveis, como o PM10 e o perigoso PM2.5, capaz de atingir os pulmões de forma profunda. Entretanto, a eliminação total é impossível na vida real. Afinal, o pó entra pelas frestas e se deposita rapidamente antes de alcançar a máquina em muitos casos.
O professor Strobel informa de maneira clara: “Ele reduz bastante a poeira, mas ‘eliminar’ 100% é forte demais”. O resultado depende de fatores como a qualidade do filtro, tamanho do aparelho e da manutenção periódica.
O consumidor precisa conferir a Taxa de Entrega de Ar Limpo, conhecida pela sigla CADR. A própria agência de proteção ambiental americana orienta o uso do CADR como referência de escolha.
Segundo o especialista, um critério prático é: calcular o volume do cômodo ao multiplicar a área pelo pé-direito do teto. Depois, dividir o valor do CADR pelo volume. De maneira prática, isso pode ser representado da seguinte maneira.
Um resultado igual a dois equivale a duas trocas completas de ar por hora. Em locais com tráfego intenso na porta, o ideal é superdimensionar a potência.
Para o cenário caótico das avenidas, o equipamento exige obrigatoriamente a combinação de duas tecnologias distintas.
O material HEPA bloqueia de forma exclusiva a fuligem e a poeira fina. O carvão ativado atua de forma complementar para absorver a parte gasosa e o cheiro ruim da queima de combustível. O HEPA sozinho não tem qualquer capacidade para resolver os odores.
Em locais muito poluídos, a máquina exige uma troca bem mais frequente de peças, pois a trama carrega sujeira muito mais rápido. É vital evitar a compra de aparelhos com gerador de ozônio. Essas opções não são recomendadas em espaços ocupados, pois o ozônio irrita as vias respiratórias de forma severa.
Leia a matéria no Canaltech.