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Em negociações avançadas sobre uma possível candidatura ao governo de Minas, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) tem conversado com interlocutores do presidente Lula e demais líderes do PT em duas frentes: montar um arco forte de alianças que lhe dê sustentação político-eleitoral e garantir condições financeiras e institucionais para exercer um eventual mandato.
A decisão final de Rodrigo Pacheco (PSD) está condicionada, segundo interlocutores, ao futuro tabuleiro nacional montado pelo presidente e à relação do governo federal com a União, caso ambos sejam eleitos este ano.
Mais do que uma decisão regional, pontuam aliados de Pacheco, o desfecho das negociações está atrelado ao sucesso de Lula em construir um arco de alianças no plano nacional, especialmente com MDB e União Brasil — ou, no mínimo, garantir a neutralidade dessas siglas na disputa presidencial.
Na outra frente, Pacheco disse a Lula que quer ser um governador para marcar a história de Minas, “um novo JK”. Nas negociações, ele pediu autonomia para, uma vez eleito e se necessário for, implementar agendas mais identificadas com o campo da direita. O senador também solicitou a interferência do presidente para melhorar as condições do pagamento da dívida do estado.
De seu lado, Lula disse que, se os dois forem eleitos, o governo federal vai investir pesado na infraestrutura de Minas, que, na visão do presidente, está sucateada. A meta é entregar rodovias, parques industriais e centros de pesquisa.
A mudança de partido de Pacheco é certa. Hoje, o PSD tem pré-candidato ao governo de Minas, o vice-governador Mateus Simões. Pacheco conversa com o MDB e União Brasil. A equação, segundo fontes, é: ele se sentiria confortável em ambos os partidos, desde que o presidente consiga segurá-los em seu campo ou afastá-los formalmente de uma aliança com Jair Bolsonaro até a janela partidária, que se encerra em 31 de março.
Na direita mineira, há expectativa de anúncio até a próxima semana do desenho do palanque que dará apoio ao senador Flávio Bolsonaro no estado. Internamente, o PL mineiro vive um racha estruturado em três correntes.
A primeira delas, articulada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, aposta em uma aliança com o vice-governador Mateus Simões, pré-candidato do PSD ao governo. Essa linha trabalha dois cenários: ou Romeu Zema desiste de disputar a Presidência e abre o caminho para se candidatar a vice na chapa de Flávio, ou, na falta desse arranjo, o primeiro turno teria um palanque misto, com Zema e Flávio.
A segunda corrente defende uma candidatura própria do PL ao governo de Minas, totalmente engajada na campanha presidencial de Flávio. O problema dessa tese é a falta de um nome consolidado: entre os cotados aparece Flávio Roscoe, presidente da Fiemg.
A terceira ala aponta o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como interlocutor natural para o campo bolsonarista em Minas. Cleitinho aparece bem em pesquisas locais e tem feito acenos explícitos a Flávio, reforçando declarações de apoio ao projeto presidencial. Apesar disso, ele é visto como figura errática por parte da bancada mais radical, por causa de posições tomadas no Senado que nem sempre se alinham com o bolsonarismo mais duro.