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O início de cada show no Lollapalooza Brasil tem uma onda de celulares ao alto gravando os momentos iniciais, prontos para posts nas redes sociais. Por outro lado, o dia a dia do festival também é marcado por câmeras analógicas e itens retrôs que fogem da instantaneidade.
Ao andar pelo Autódromo de Interlagos, é fácil deparar com máquinas com rolos de filmes, câmeras com impressoras portáteis e as populares “charmeras” — uma filmadora do tamanho de um chaveiro.
A tendência mostra uma vontade de seguir a imperfeição: no lugar de recorrer ao pós-processamento dos celulares, que mantém a maior quantidade de detalhes, os fãs recorrem a aparelhos mais simples e com hardware muito mais limitado.
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Além disso, os registros nem sempre são publicados na mesma hora. As câmeras digitais precisam transferir os arquivos via cabo ou os filmes precisam ser revelados, então a lembrança nas redes sociais pode ficar para depois como um dump.
A produtora e comunicadora de moda Larissa Cruvinel, de 32 anos, esteve nos três dias de festival e levou um “arsenal” de câmeras analógicas, Fujifilm Instax e Sony Cybershot. O gosto pela fotografia analógica veio da família, assim como algumas das máquinas antigas, e registrou os principais shows do festival.
Cruvinel não se considera uma pessoa “cronicamente online” (que está de olho nas tendências da rede a todo momento) e opta pela fotografia analógica para rever os principais momentos.
“Para mim, a graça está exatamente no pós: é viver primeiro e depois ver os registros, compartilhar com os meus amigos. A câmera analógica é exatamente por isso, porque eu acho que você revela ela depois, passou o evento, com toda aquela euforia e todo mundo postando naquele momento. Aí você revê e aí vem aquele sentimento de novo do que você viveu no festival”, comenta.
A produtora ainda revela que essas câmeras permitem eternizar momentos de uma maneira mais nostálgica, fugindo dos filtros e do que os celulares oferecem. “O granulado da analógica tem um charme, a Cybershot também tem o flash que deixa a foto com um aspecto diferente do celular”, completa.

A nostalgia não ficou limitada apenas aos fãs que estavam presentes nos três dias de Lollapalooza: patrocinadoras do festival aproveitaram a tendência para distribuir brindes com itens retrôs.
A marca de cerveja Flying Fish seguiu a fama das “charmeras” para distribuir pequenas câmeras digitais pelo festival. A diretora de marketing da empresa, Thaís Soares, explicou que a decisão era de dialogar com as referências culturais do público do festival, com foco na estética Y2K (referente ao início da década de 2000).

“Existe uma autenticidade característica dessa geração, que tem um olhar único e que busca por algo mais real, menos perfeito e menos editado. A proposta das mini câmeras digitais, que resgata a estética dos anos 2000, entra exatamente nesse espaço. Elas trazem um visual mais cru e espontâneo”, afirmou ao Canaltech.
A cervejaria Budweiser explorou a nostalgia em áudio ao distribuir um gravador de voz em fitas para os fãs. Para a diretora de marketing da empresa, Mariana Santos, a escolha passa por um momento de “newstalgia” (combinação entre “Novo” e “nostalgia”, em tradução livre) de remontar ao passado com as tecnologias atuais.
“Identificamos uma forte tendência de revisitar símbolos do passado, principalmente entre as novas gerações, que resgatam objetos icônicos e reinterpretam o vintage de um jeito atual, seja na moda, na música ou na forma de se expressar. Os anos 2000 nunca foram tão amados”, conclui.
Leia a matéria no Canaltech.