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Se você imagina que a era do streaming está contida apenas na Netflix que domina a televisão da sua sala, saiba que existe um lado sombrio desse modelo de assinatura de serviços online: o mercado RedVDS.
Desmascarado pela Microsoft, o RedVDS funciona como um serviço de assinatura comum, como aqueles nos quais você consegue assistir a filmes e séries, ou ouvir música, por exemplo. A diferença é que esse marketplace é totalmente voltado para o universo do cibercrime, que é responsável por uma série de ataques envolvendo fraudes, golpes e outras ações criminosas que você possa imaginar na internet.
Atualmente fora do ar graças a uma ação judicial coordenada nos Estados Unidos e no Reino Unido pela Microsoft, o mercado RedVDS gerou cerca de US$ 40 milhões em prejuízo durante o auge de suas operações, impactando indivíduos e empresas com golpes variados.
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Para entender o que é e como o RedVDS conseguiu emplacar atividades criminosas na web em larga escala, o Canaltech conta tudo que você precisa saber sobre esse serviço obscuro da internet.
Movimentando milhões, o mercado RedVDS é, basicamente, um serviço de assinatura online de crimes cibernéticos. A plataforma clandestina funciona nos quatro cantos do globo, servindo como um local onde hackers podem comprar e vender ferramentas usadas na aplicação de golpes digitais.

Como qualquer serviço de streaming que se preze, o RedVDS cobra um valor pela assinatura: basta pagar US$ 24 por mês para ter em mãos uma grande variedade de recursos para orquestrar ciberataques com apenas alguns cliques. Tudo de um jeito barato e difícil de ser rastreado pelas autoridades.
Entre as possibilidades que a plataforma oferece está o acesso a computadores descartáveis que conseguem rodar softwares não licenciados, inclusive o Windows. É assim que os hackers, mesmo aqueles que não possuem tanta experiência, organizam ataques rápidos e eficientes, navegando anonimamente.
Além disso, quem acessa o RedVDS tem à disposição ferramentas que facilitam o envio automatizado de e-mails de phishing e oferecem hospedagem para infraestruturas e esquemas de golpes, além de recursos de inteligência artificial (IA) generativa que auxiliam na identificação rápida de alvos e na criação de mensagens mais realistas, como deepfakes e manipulação de voz.
Olhando para o modus operandi dos ataques em si, a Microsoft identificou algumas práticas em comum, como a fraude por desvio de pagamento em ambientes corporativos. Nesse caso, há um comprometimento do e-mail de um funcionário de cargo alto para monitorar conversas sobre questões monetárias. Assim, no primeiro sinal de uma transferência bancária, os criminosos fingem ser um colaborador confiável para redirecionar o fundo para contas fraudulentas.

Outra técnica que o serviço de assinatura do RedVDS oferece é o desvio de pagamentos imobiliários. O que ocorre nesses casos é a violação de contas de corretores ou empresas da área, com os hackers enviando e-mails com instruções falsas de pagamento para desviar fundos das vítimas. Ao todo, foram encontrados mais de 9 mil clientes que sofreram prejuízos com o golpe, grande parte deles localizados na Austrália e no Canadá.
Sendo um serviço de assinatura global de cibercrime, o mercado RedVDS chegou a impactar diversas áreas antes da ação judicial da Microsoft. Além do setor imobiliário, os golpes proporcionados pela plataforma geraram prejuízos gigantescos para empresas de construção, manufatura, logística e serviços jurídicos. As áreas da saúde e da educação também foram afetadas, com até atendimento a pacientes interrompidos.
Um caso que chamou a atenção na análise foi o da H2 Pharma, uma empresa farmacêutica do Alabama, nos EUA, que perdeu mais de US$ 7,3 milhões depois de se tornar vítima de um golpe patrocinado pelo RedVDS. Já a Gatehouse Dock Condominium Association, no setor imobiliário, sofreu uma fraude de US$ 500 mil nas mesmas condições.

Vale mencionar ainda que a Microsoft identificou durante as investigações que mais de 2.600 máquinas associadas ao serviço criminoso enviaram em média 1 milhão de mensagens de phishing por dia apenas para clientes da empresa. Tudo isso dentro do período de um único mês.
Outro dado que preocupou os especialistas foi a detecção de ataques que comprometeram mais de 191 mil contas de e-mail da Microsoft em mais de 130 mil organizações no mundo todo, mostrando como os criminosos são ágeis em emplacar golpes em larga escala.
Diante do aumento de casos envolvendo ataques digitais, principalmente com a popularidade de ferramentas de inteligência artificial que tornam golpes cada vez mais difíceis de serem detectados, é fundamental saber como se proteger no ambiente online para não se tornar a próxima vítima.
Afinal, embora ações legais já tenham sido tomadas pela Microsoft para interromper as operações do RedVDS, ciberataques podem ocorrer quando menos se espera. Logo, estar preparado para enfrentá-los é uma das melhores saídas para evitar o problema antes que ele aconteça, especialmente quando falamos sobre atividades corporativas.
Sendo assim, veja a seguir 5 dicas para se proteger:
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