Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


Em momentos de insegurança no relacionamento amoroso ou preocupações voltadas ao comportamento dos filhos, muitos recorrem a alternativas para vigiar pessoas próximas. Logo, é comum encontrar buscas do tipo “como clonar WhatsApp” ou “como ver mensagens apagadas de outra pessoa”, e todas levam o indivíduo desconfiado para um resultado: o stalkerware.
Oferecendo ferramentas que prometem “poder total” sobre dispositivos alheios, esses aplicativos permitem que os usuários tenham acesso a mensagens, chamadas e localizações das pessoas que querem stalkear. Tudo sem nunca ser descoberto, ou quase.
Isso porque, enquanto o usuário acredita que está no controle da situação, o stalkerware pode estar secretamente coletando dados sensíveis da pessoa, que fornece informações como e-mail e dados bancários para criar a conta. Esse rastro digital pode causar estragos nas mãos de hackers, caso o sistema desses apps seja invadido por causa de vulnerabilidades de segurança.
–
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
–
Um caso recente, por exemplo, foi o vazamento de mais de 500 mil registros confidenciais de aplicativos stalkerware, expostos por um hacktivista. A ação resultou na exposição de dados de pagamentos e endereços de e-mails dos clientes que usavam os apps espiões de uma empresa ucraniana chamada Struktura.
O incidente mostra como, em uma questão de minutos, aquele que acha ser o caçador pode se tornar a caça, tendo seus próprios dados vazados enquanto tenta vigiar os outros. Mas qual é o real perigo por trás dos stalkerware?

Antes de qualquer coisa, vamos entender o que é um stalkerware. Basicamente, um stalkerware é um software comercializado para espionagem online, sendo vendido sob pretexto de controle parental ou até mesmo para monitoramento de funcionários em empresas. Outro uso popular é para espionagem conjugal.
Uma vez que a pessoa instala um aplicativo espião no celular, o software exige uma série de permissões para obter acesso em tempo real ao dispositivo da pessoa que será vigiada. É dessa forma que o usuário consegue obter acesso em tempo real à atividade alheia, como mensagens SMS e no WhatsApp, e o GPS.
A questão é que, para que o cliente consiga acessar esses dados, o aplicativo precisa enviar as informações para um servidor central. Logo, enquanto o usuário acredita que a conexão é apenas entre ele e a vítima, a empresa criminosa também está recebendo esses materiais.
Por mais que pareçam “inofensivos” para quem usa, aplicativos stalkerware operam na ilegalidade por não seguirem normas ISO de segurança e a Lei Geral Proteção Dados (LGPD). Os apps espiões também não cumprem o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), oferecendo ferramentas que invadem a privacidade de usuários que não sabem que estão sendo vigiados.

Além disso, as empresas por trás de apps stalkerware estão mais interessadas no lucro rápido do que na segurança de seus clientes, o que explica infraestruturas fracas e códigos feitos às pressas que podem resultar em uma série de brechas de segurança. São esses buracos que, explorados por hackers, podem resultar no roubo de informações sensíveis.
Vale mencionar ainda que, caso o usuário do stalkerware vire uma vítima de vazamento de dados, não é possível nem ao menos processar a empresa ou reclamar no Procon, por exemplo. Afinal, a pessoa estava usando um serviço ilegal.
O cenário de vazamento pode se tornar um pesadelo ainda maior quando a extorsão entra em jogo. Isso porque os dados expostos podem ser usados por hackers para chantagear o usuário do stalkerware.

Imagine que você instalou um app espião e suas informações pessoais foram comprometidas. Pode ser que, em uma tarde qualquer, você receba um e-mail de um remetente desconhecido dizendo que sabe que você andou espionando seu parceiro pelo celular.
A carta na manga dos criminosos é exigir o pagamento de um determinado valor para que essas informações não sejam vazadas para a pessoa vigiada. É assim que o usuário que utilizou o aplicativo para descobrir segredos de alguém acaba virando refém do que tentou esconder.
É por esse e tantos outros motivos que usar ferramentas projetadas para violar a privacidade alheia pode se voltar contra aqueles que acham que estão no controle da situação durante a espionagem. Ilegais e vulneráveis, esses apps colocam a sua segurança em risco por agirem na criminalidade, comprometendo dados sensíveis que podem se transformar em casos graves de extorsão e outros incidentes variados.
Leia a matéria no Canaltech.