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Uma análise do jornalista Stephen Clark, do Ars Technica, aponta que o governo dos EUA já gastou cerca de US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 41,5 bilhões) ao longo de 16 anos para desenvolver uma nova geração do sistema GPS, mas a tecnologia ainda não está operacional.
Também chamado de GPS III, o projeto envolve não apenas novos satélites, mas principalmente um sistema de controle em solo conhecido como OCX (Next-Generation Operational Control System). Esse software seria responsável por comandar a constelação de mais de 30 satélites e habilitar novos recursos, como sinais criptografados mais resistentes a interferências e ataques eletrônicos.
Apesar de os satélites mais modernos já estarem em órbita desde 2018, o sistema que deveria destravar todo o potencial dessa nova geração ainda enfrenta falhas críticas. O OCX foi oficialmente entregue à Força Espacial dos EUA em 2025, mas segue inoperante após meses de testes, que identificaram problemas em praticamente todos os subsistemas.
Autoridades americanas reconhecem que o programa acumula atrasos e dificuldades técnicas desde o início. Originalmente previsto para ser concluído em 2016 por US$ 3,7 bilhões, o projeto mais que dobrou de custo ao longo dos anos, impulsionado por falhas de engenharia, problemas de desenvolvimento de software e decisões consideradas inadequadas no processo de contratação.
Na prática, isso criou uma situação curiosa: os Estados Unidos já possuem uma infraestrutura espacial moderna, com satélites capazes de operar sinais mais seguros, mas ainda dependem de sistemas antigos para controlá-los.

Atualizações emergenciais no sistema legado permitiram o uso parcial de novas funcionalidades, como o chamado “M-code”, um sinal militar projetado para resistir a interferências e falsificação de dados. Esse tipo de problema é cada vez mais comuns em zonas de conflito como Ucrânia e Oriente Médio, onde os EUA possuem numerosas bases militares.
Mesmo assim, segundo Clark, o potencial completo da nova geração de GPS segue travado, segundo . O software OCX deveria permitir o uso avançado desses sinais em centenas de sistemas militares (incluindo aviões, navios, veículos terrestres e mísseis), mas ainda não conseguiu atingir esse nível de operação.
Diante dos atrasos, o Pentágono já avalia alternativas, incluindo continuar evoluindo o sistema atual em vez de depender do novo software. Há também a possibilidade de cancelamento total do programa, caso os problemas persistam.
Leia a matéria no Canaltech.