Esta é a versão online da newsletter JOTA Principal. Quer receber as próximas edições e acompanhar os principais temas do momento? Cadastre-se gratuitamente!
Com o cenário de quem ficou pelo caminho na pré-campanha presidencial já mais bem definido, cada movimento de Lula e seus adversários é calculado sob a ótica do xadrez eleitoral.
Não é coincidência, portanto, que ontem (6) o governo chamou uma coletiva para divulgar o pacote que busca conter o preço dos combustíveis e do gás de cozinha, detalhado por Fabio MuraKawa e Fábio Pupo nas duas primeiras notas.
Da mesma forma, a perspectiva é que as frequentes e recorrentes brigas no campo bolsonarista — entre Nikolas e Eduardo, entre Michelle e os enteados ou quaisquer outros personagens — sigam durante a campanha, testando a capacidade de Flávio Bolsonaro em unificar aliados, Marianna Holanda analisa na nota 3.
Ronaldo Caiado, por sua vez, aposta no interior paulista e na forte ligação com o agronegócio para provar que não será mera linha auxiliar do bolsonarismo.
Numa campanha tão apertada, há pouca margem para erros.
Letícia Mori colaborou nesta edição.
Boa leitura.
1. O ponto central: Clima de guerra
Diante da alta do preço dos combustíveis, o governo anunciou ontem (6) um pacote de ações para subsidiar as cadeias de fornecimento e o setor aéreo, Fabio MuraKawa e Fábio Pupo registram no JOTA PRO Poder.
A principal ação é uma medida provisória prevendo a subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel rodoviário.
Nos dois primeiros meses, o impacto estimado é de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal.
Segundo o governo, o benefício se somará à subvenção de R$ 0,32 por litro criada pela MP 1.340/26.
Até agora, 25 estados disseram que vão aderir ao programa de subvenção, segundo o ministro Dario Durigan.
Como contrapartida, os importadores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e terão a obrigação de garantir o repasse do benefício ao consumidor — haverá aumento de penalidades em casos de aumento abusivo de preços.
O governo também vai encaminhar ao Congresso, em regime de urgência, um projeto de lei que cria um novo tipo penal para coibir o aumento abusivo de preços, com previsão de até 5 anos de detenção.
UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI e IEL)
Redução da jornada pode causar perda de R$ 76,9 bi no PIB
Iano Andrade/CNI
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do país terá redução de 0,7%, o equivalente a R$ 76,9 bilhões, caso a jornada de trabalho seja reduzida para 40 horas semanais.
A indústria será o setor mais impactado nesse cenário, com a maior queda no PIB em termos relativos, de 1,2%, totalizando R$ 25,4 bilhões. Depois da indústria, serão impactados o comércio (-0,9%); o setor de serviços (-0,8%); a agropecuária (-0,4%); e o setor de construção (-0,3%).
O aumento generalizado dos preços da economia em razão da elevação do custo do trabalho implicará em perda de competitividade para a indústria nacional, queda nas exportações e alta das importações.
2. Um gás a mais
Botijões de gás em distribuidora na zona leste de São Paulo / Crédito: Ricardo Botelho/Ministério de Minas e Energia
Além das medidas para o diesel, o pacote de ações do governo também busca segurar outros preços no setor energético, MuraKawa e Pupo seguem no JOTA PRO Poder.
🔥 No caso do GLP, o governo definiu subvenção de R$ 850 por tonelada para a importação.
Isso deve permitir que o gás importado seja comercializado ao mesmo preço do produzido no Brasil, reduzindo o impacto da guerra sobre o gás de cozinha, segundo o governo.
🍃 O pacote prevê isenção de PIS/Cofins sobre o biodiesel, o que deve abaixar o valor do combustível em R$ 0,02 por litro, com valor total gasto pelo governo estimado em R$ 330 milhões.
🛫 E ainda medidas para o setor aéreo, com duas novas linhas de crédito para as companhias aéreas, somando até R$ 9 bilhões.
A primeira linha de crédito terá até R$ 2,5 bilhões por companhia e será voltada à reestruturação financeira das empresas. Os recursos são do Fundo Nacional de Aviação Civil, com os financiamentos operados pelo BNDES.
A segunda linha, de R$ 1 bilhão, terá foco em capital de giro de seis meses, com condições a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
O PIS e Cofins também será zerado para o querosene de aviação, com economia estimada de R$ 0,07 por litro.
🚬 Aliás… Para compensar a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene da aviação, a medida provisória prevê um aumento no IPI de cigarro, com a alíquota de R$ 2,25 subindo para R$ 3,50 e previsão de arrecadação de R$ 1,2 bilhão em 2026.
O preço mínimo do maço de cigarro sobe para R$ 7,50.
3. Balaio
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro / Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado
As brigas na base bolsonarista inundaram as redes nos últimos dias e puseram à prova a capacidade de Flávio Bolsonaro impor autoridade e manter coesa a pré-campanha presidencial, Marianna Holanda analisa no JOTA PRO Poder.
Ficou demonstrada a dificuldade do senador de unificar aqueles que deveriam servir como esteio para a acirrada disputa à frente.
Em vídeo gravado no fim de semana, ele pediu união, como já fizera outras vezes, sem muito efeito.
Por que importa: O diagnóstico converge mesmo entre quem está em lados opostos — o racha na família continuará campanha adentro. E a capacidade de Flávio de dirimir atritos é incerta.
O enredo não é novidade, ainda mais entre Nikolas Ferreira e Eduardo, que se arrasta desde 2023.
Tampouco é novidade a briga no clã.
É sabido dos desentendimentos entre Michelle Bolsonaro e os enteados.
Jair Renan chegou a ficar proibido de frequentar o Alvorada, em meio aos desentendimentos com Michelle.
Com Carlos, era ainda pior.
Agora, com o patriarca em prisão domiciliar, Michelle ampliou seu controle sobre ele — e já indica que não participará ativamente da campanha presidencial do enteado.
Sim, mas… Integrantes da pré-campanha buscam minimizar a importância, mesmo admitindo que as brigas não ajudam.
Um auxiliar diz que todos continuarão votando em Flávio, que é o que importa ao final.
Outro vê risco de a dissidência dissipar apoios, com alguns influenciadores bolsonaristas já declarando voto nulo.
⚡ Choque de realidade: Brigas na internet podem parecer assunto menor para quem se preocupa com a vida real, mas as redes são a principal arena de batalha e forma de organização dos bolsonaristas.
Michelle compartilhou um vídeo de Espiridião Amin, candidato do PP ao Senado em Santa Catarina e adversário de Carlos — alfinetada sentida por todos os lados.
Uma fala recente de Valdemar Costa Neto concordando com João Doria ao dizer que Bolsonaro errou na pandemia também repercutiu muito mal na família e com a militância.
⏩ Pela frente: Aliado de Flávio diz que os próximos meses serão assim e dá a estratégia: para sobreviver no tiroteio bolsonarista, basta não aparecer, não falar.
Qualquer fala interpretada como insubordinação ao clã coloca um alvo nas suas costas.
4. Ainda me sobra uma boiada
O ex-governador e presidenciável Ronaldo Caiado / Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
A pré-campanha de Ronaldo Caiado (PSD) ao Planalto definiu a estratégia que adotará de largada, Beto Bombig escreve no JOTA.
O principal objetivo é tornar o ex-governador mais conhecido para além da região Centro-Oeste do país — apresentando-o como uma alternativa viável e consistente a Lula e o PT.
No horizonte desse primeiro movimento, está a necessidade de inibir o “voto envergonhado” em Flávio Bolsonaro.
Caiado quer atrair o eleitor que rejeita Lula e que só se alinha ao senador do PL por falta de opções à direita.
🔭 Panorama: A ideia basilar para esta fase inicial é convencer os eleitores de centro e de direita de que a pré-candidatura de Caiado ao Planalto “é para valer” e que ele não entrou na disputa para ser linha auxiliar de Flávio Bolsonaro.
Conforme os cálculos de Caiado, se, com essa estratégia, ele começar a subir nas pesquisas de intenção de voto, ainda que lentamente, aos poucos passará a ser visto como a melhor opção para evitar a reeleição de Lula.
Ainda que Caiado e Flávio Bolsonaro ocupem o mesmo campo e mantenham convergência nas críticas ao presidente, a estratégia é elencar as diferenças entre ambos.
A comunicação, comandada pelo marqueteiro Paulo Vasconcellos — responsável pela campanha presidencial de Aécio Neves em 2014 —, será para transmitir a percepção de que Caiado é uma alternativa sólida e um político mais capacitado que Flávio.
Conforme o planejamento inicial, esse trabalho será feito, na medida do possível, sem ataques diretos ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro ponto importante é a estruturação de um comitê de campanha em São Paulo, onde funcionará o QG do pré-candidato.
Caiado deverá ter uma estrutura independente da montada pelo PSD.
O maior colégio eleitoral do país é tido como estratégico para levar o ex-governador ao segundo turno.
Segundo um interlocutor de Caiado, o carioca Flávio Bolsonaro terá dificuldades em São Paulo — especialmente no interior, onde a cadeia do agronegócio é um dos principais motores.
Nos bastidores, há ainda a esperança de que o governador Tarcísio de Freitas, em busca da reeleição, abra seu palanque para o presidenciável do PSD.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, prometeu a Caiado uma parte robusta do Fundo Eleitoral do partido.
A meta é manter uma estrutura que permita fazer uma campanha do mesmo nível de Flávio Bolsonaro e Lula, hoje os favoritos, conforme as pesquisas.
5. Conta crescente
Idosa deixa agência do INSS / Crédito: Agência Brasil
Os cálculos do governo sobre as despesas do INSS indicam um aumento acelerado nos próximos anos, intensificando a pressão sobre as contas públicas, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
Dados preliminares apontam para um crescimento de R$ 315 bilhões nas despesas até 2030 — o que representa média de R$ 78,7 bilhões a mais por ano, o que equivale a um crescimento médio anual de 7% até 2030.
Os dados, que ainda podem ser alterados até a apresentação final, estão sendo calculados para servir de base à LDO de 2027.
O projeto de lei precisa ser entregue ao Congresso até 15 de abril e deve prever uma meta de superávit final equivalente a 0,5% do PIB.
O aumento das despesas é explicado principalmente pelo avanço do salário mínimo.
Só essa rubrica é responsável por um aumento de aproximadamente R$ 30 bilhões ao ano.
Em seguida, está o próprio crescimento da população beneficiada, o aumento da inflação e mudanças nas regras da licença-maternidade.
O ritmo de crescimento das despesas com Previdência tem forçado membros do próprio governo, como o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, a reconhecerem que mudanças são necessárias para garantir a sustentabilidade das contas públicas.
6. Lá vem ela
Crédito: Gabriella Sales/JOTA
Os primeiros meses da implementação da reforma tributária sobre o consumo têm sido acompanhados com cautela por especialistas — e o cenário não é de otimismo quanto às promessas de progressividade e simplificação.
É o que mostra a primeira rodada do Pulso da Reforma, iniciativa do JOTA que reúne tributaristas, economistas, representantes do setor público e especialistas do mercado para monitorar a transição do novo sistema tributário ao longo de 2026.
Os participantes responderam a questões em cinco eixos considerados centrais neste início de implementação: nota fiscal e sistemas; split payment; calibração das alíquotas; simplificação e progressividade; e gestão dos tributos.
As respostas foram dadas em uma escala de 0 a 7, que varia do cenário mais negativo ao mais positivo.
🟨 Neste momento, a nota geral consolidada do levantamento foi de 3,41, bem próxima de uma linha intermediária.
O eixo com avaliação mais positiva foi gestão de tributos, com média de 4,05.
Esse campo avalia a coordenação e organização da administração tributária — foi constatado maior otimismo com a consolidação da base operacional da reforma em 2026 do que com a capacidade dos entes federativos superarem divergências.
A menor avaliação foi registrada em relação à calibração das alíquotas, com média de 2,56, indicando ceticismo dos especialistas.
⏩ Pela frente: A cada trimestre, haverá uma nova rodada de coleta das percepções com o que está mais quente, criando um termômetro sobre essa transição.
7. Anote aí
Mulher aplica dose de Ozempic / Crédito: Peter Dazeley/Getty Images
A Anvisa discute implementar ainda neste mês um conjunto de medidas para aumentar o controle sanitário de medicamentos análogos de GLP-1, Jéssica Gotlib escreve no JOTA PRO Saúde.
A agência anunciou ontem (6) um plano em seis eixos para assegurar a segurança dos produtos que circulam no Brasil.
As mudanças serão debatidas na reunião ordinária marcada para o próximo dia 15.
🧪 Panorama: A Anvisa passará a cobrar o certificado de boas práticas de fabricação para a importação dos IFAs, que provêm majoritariamente da China e da Índia.
As farmácias de manipulação, por sua vez, precisarão comprovar a rastreabilidade dos componentes e garantir que cada formulação atenda a uma receita médica específica com o nome do paciente.
A autarquia não proibirá a atividade de manipulação, mas manterá o veto à produção de medicamentos a partir de matriz biológica.
O plano da agência abrange também a implementação de canais de notificação de eventos adversos e a assinatura de acordos de cooperação com autoridades reguladoras internacionais.
⏩ Pela frente: Depois de publicadas, as novas regras passarão por um prazo de 120 dias para adaptação do setor.
🤖🌟 Sou o seu bot de notícias! Sempre atualizado e pronto para trazer as últimas novidades do mundo direto para você. Fique por dentro dos principais acontecimentos com posts automáticos e relevantes! 📰✨