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A confirmação de Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência pelo PSD reforça a tendência de polarização já no primeiro turno, conforme indica a primeira pesquisa eleitoral divulgada após a desistência de Ratinho Jr.
Na avaliação do presidente do partido, Gilberto Kassab, a escolha por Caiado em detrimento do governador gaúcho, Eduardo Leite, significa mais força aos candidatos nos estados, pois para ele há um “sentimento de renovação” no ar.
Com o cenário nacional ganhando contornos mais definidos, os estados ainda têm muitas incertezas — a começar pelo Rio de Janeiro. Nesse caso, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, tenta costurar mais uma saída de consenso para mais um problema a ser mediado pelo tribunal.
Boa leitura.
1. O ponto central: ‘Mais antigo e longevo adversário’
A escolha de Ronaldo Caiado como pré-candidato a presidente do PSD demonstrou o pragmatismo de Gilberto Kassab no sentido de formar uma grande bancada legislativa — em vez de criar uma alternativa eleitoral para a polarização entre Lula e o bolsonarismo, Beto Bombig, Marianna Holanda e Fabio MuraKawa analisam no JOTA PRO Poder.
O lançamento confirmou que Caiado será um pré-candidato de oposição ao atual governo, com críticas ácidas e duras a Lula.
O governador de Goiás deixou claro que é um candidato que tem lado, o lado antipetista: “Sou o mais antigo e longevo adversário do PT”, disse o pré-candidato, que já disputou a Presidência, em 1989.
Caiado disputará votos antipetistas com Flávio Bolsonaro — o que, em tese, pode beneficiar Lula no primeiro turno.
No entanto, como o senador do PL está muito à frente nas pesquisas, há a possibilidade de Caiado se transformar em uma “linha auxiliar”, um franco atirador nos ataques a Lula, buscando apenas uma composição no segundo turno — o que ele negou em entrevista.
A confirmação de Caiado torna ainda mais crucial para Lula e Flávio a disputa pelo eleitor de centro neste primeiro turno.
O voto em Caiado deve ser um voto mais à direita, como ele próprio deixou claro querer buscar.
Isso abre a possibilidade de Flávio trabalhar sua imagem como “moderado”, a exemplo do que estão dizendo seus aliados.
A candidatura de Caiado sinaliza o que o entorno de Flávio esperava, com melhores condições de negociação para ele em um eventual segundo turno.
Há conversas no sentido de que Caiado seja um “superministro” a partir de 2027, caso Flávio seja eleito.
🕵️ Nos bastidores: Em conversas com correligionários, Kassab avaliou que uma candidatura antipetista ajudará candidatos do PSD nos estados, segundo o JOTAapurou.
Para ele, há um “sentimento de renovação no país”, conforme relatos colhidos pelo JOTA.
⏩ Pela frente: Sempre apontado como um político que enxerga longe, Kassab terá a partir de agora que mostrar a viabilidade de sua escolha.
Para isso, precisa, antes de tudo, conseguir um vice que sinalize ao centro.
Se, novamente, escolher um nome totalmente alinhado ao campo antipetista, deixará claro que ele também escolheu um lado nesta eleição.
E, ao lado do pragmatismo dentro do cenário apontado pelas pesquisas, a escolha por Caiado, com a defesa enfática da anistia, também posiciona o PSD para o cenário hipotético e até aqui improvável de implosão da candidatura de Flávio.
UMA MENSAGEM DA OpenAI
As principais dúvidas que pairam sobre o PL de IA
Crédito: Getty Images
Com o possível avanço da regulamentação da inteligência artificial na Câmara (PL 2.338/2023), o debate tem se concentrado nos pontos mais sensíveis do texto e nas incertezas sobre sua aplicação prática. Um dos principais está na definição de categorias como “alto risco”, que orientam o nível de exigência regulatória e o tipo de obrigação que cada sistema deverá cumprir.
Embora o texto traga exemplos, como aplicações em crédito, saúde e segurança pública, ele convive com conceitos abertos. Na prática, isso pode ampliar a margem de interpretação e dificultar o enquadramento de sistemas cujo impacto depende do contexto de uso, avaliam especialistas.
O que pode ser classificado como alto risco:
Sistemas de identificação biométrica usados em políticas públicas para acesso a benefícios e direitos.
Aplicações para triagem automática de currículos ou recomendação de estudantes para programas educacionais, mesmo quando funcionam apenas como apoio à decisão;
Na segurança pública, mesmo que a IA seja explorada para fins estatísticos ou de apoio, ela já pode ser considerada de alto risco.
Por que importa: O problema de uma abrangência tão ampla para as aplicações de “alto risco” é que isso crie obstáculos à adoção da tecnologia, com impactos sobre ganhos de produtividade e inovação. Por isso, há a necessidade de amadurecer a proposta.
2. Primeiro retrato
Lula discursa em evento / Crédito: Mateus Bonomi/Anadolu via Getty Images
A pesquisa BTG/Nexus oferece o primeiro retrato da corrida eleitoral após a desistência de Ratinho Jr.,Daniel Marcelino analisa no JOTA.
Por que importa: No primeiro turno, a pesquisa mostra um cenário de forte concentração entre dois polos.
No cenário mais provável — com Caiado —, Lula aparece com 41% contra 38% de Flávio Bolsonaro, uma diferença pequena dentro de um quadro altamente competitivo.
Os demais candidatos ficam muito distantes, todos abaixo de 5%, o que indica baixa viabilidade da terceira via neste momento.
🚨 O levantamento também mostra cerca de 10% do eleitorado entre indecisos e votos brancos ou nulos — um contingente relevante que ainda pode oscilar, embora insuficiente para alterar o padrão central da disputa, concentrada nos dois principais nomes.
No segundo turno, o cenário é de empate absoluto e alta incerteza.
A projeção coloca Lula e Flávio Bolsonaro com 46% cada, com 7% de votos brancos ou nulos; um nível suficientemente alto para ser decisivo.
Esse equilíbrio reflete não apenas a divisão do eleitorado, mas também taxas de rejeição praticamente idênticas (49% para Lula e 48% para Flávio), o que limita o crescimento de ambos.
A leitura do primeiro levantamento BTG/Nexus é de uma eleição aberta e altamente competitiva, com tendência de definição por margens estreitas.
O desfecho deve depender, sobretudo, da capacidade dos candidatos de reduzir rejeição e atrair eleitores indecisos na reta final.
3. Cardápio
O presidente do Supremo, Edson Fachin, em sessão no plenário / Crédito: Gustavo Moreno/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, vai convidar os ministros para diálogos sobre as eleições de mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro,Flávia Maia escreve em sua coluna no JOTA.
O julgamento será no dia 8 de abril, no plenário físico.
Por que importa: O objetivo é conseguir um consenso para o julgamento das ações do PSD, que estão sob as relatorias de Cristiano Zanin e Luiz Fux.
As duas têm liminares vigentes: uma suspendendo as eleições indiretas e a outra alterando trechos da lei fluminense que disciplinou a votação para governador via Alerj.
A ideia é começar as conversas com o colegiado o quanto antes e chegar com uma proposta amarrada no dia marcado para análise das liminares.
🕵️ Nos bastidores: O cálculo é tentar repetir a fórmula de sucesso no julgamento das ações dos penduricalhos — em que se chegou a um denominador comum após encontros com os relatores das ações e os demais ministros.
Na semana do julgamento, Fachin chegou a promover dois almoços em dias seguidos para fechar a tese.
A avaliação é que a estratégia foi bem sucedida.
Aliás… O PL pediu ao Supremo que o cargo de governador interino seja assumido pelo novo presidente da Alerj até a eleição-tampão.
Esse nome será escolhido após a retotalização dos votos da vaga aberta pela cassação do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União).
O PL alega que, uma vez estabelecido o novo presidente da Alerj, é ele quem deve assumir o posto de governador até as eleições para o mandato-tampão. Leia mais.
4. Eu? Não
Eduardo Bolsonaro na CPAC de 2025 / Crédito: Gage Skidmore
A defesa de Jair Bolsonaro negou que tenha ocorrido alguma comunicação direta ou indireta com o ex-presidente por meio de gravação ou de outro recurso proibido durante sua prisão domiciliar,Lucas Mendes registra no JOTA.
Os advogados afirmaram que ele vem cumprindo “de forma rigorosa” as condições impostas no regime.
🤳 Panorama: A informação foi enviada ao Supremo após o ministro Alexandre de Moraes cobrar explicações sobre um vídeo de Eduardo Bolsonaro.
Em publicação no X, o ex-deputado aparece durante discurso na CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), nos Estados Unidos, e diz que estava fazendo uma gravação para mostrá-la ao pai.
“Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro”, ele afirma.
Segundo a defesa, o ex-presidente não sabia dessa gravação e só teve conhecimento do fato após a intimação do STF.
5. ‘Não protege, nem persegue’
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues / Crédito: José Cruz/Agência Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse ontem (30) que a corporação é alvo de acusações pela sua atuação e também por coisas que não fez,Lucas Mendes escreve no JOTA.
“Somos muitas vezes acusados por fazer o nosso trabalho e outras também de ter feito o que não fizemos”, declarou.
Segundo Rodrigues, em sua gestão à frente da corporação “jamais houve o direcionamento” de qualquer investigação e nem o “favorecimento” de servidores por motivos políticos ou ideológicos.
“A Polícia Federal não protege e nem persegue.”
Por que importa: Em meio às investigações do caso Master, parte da classe política atribui ao governo Lula, nos bastidores, a responsabilidade pela atuação da PF, como o JOTAvem mostrando.
Sem mencionar o Master, Rodrigues disse que a investigação que “descontinuou uma fraude bilionária do sistema financeiro” não chegaria ao resultado obtido se não houvesse coordenação com o Banco Central.
“A coragem e a capacidade técnica do presidente Gabriel Galípolo para fazer as coisas certas com a estrita convenção e legalidade permitiram o avanço consistente das investigações”, afirmou.
6. ‘Crescente sofisticação’
O ministro Flávio Dino / Crédito: Rosinei Coutinho/STF
Flávio Dino convocou para 4 de maio uma audiência pública para debater a capacidade de atuação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários),Flávia Maia registra no JOTA.
A discussão se dará em uma ADI apresentada pelo Novo — o partido questiona a forma de cálculo da taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários.
O ministro acredita que a discussão precisa ser mais profunda.
Para ele, é necessário saber a equivalência entre a eficiência e a taxa cobrada e também se existem eventuais falhas estruturais e operacionais da CVM.
Dino ressalta que há “crescente sofisticação das organizações criminosas no Brasil” e um deslocamento das atividades para ambientes formais e regulados.
7. ‘A morte tem nome de mulher’
A presidente do STM, ministro Maria Elizabeth Rocha / Crédito: Felipe Lampe/IASP
“A repressão penal é importante, mas insuficiente para banir a violência real e a violência simbólica perpetrada contra o feminino”, disse a ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar,Mariana Larrubia registra no JOTA.
Para ela, além de novas leis, há a necessidade de uma “pedagogia do respeito”, com iniciativas de letramento para incrementar “uma posição equilibrada entre os sexos na sociedade”.
Primeira mulher a presidir o STM em 217 anos, Rocha comentou o PL 896/23, recentemente aprovado pelo Senado, que equipara a misoginia ao crime de racismo.
A magistrada participou de evento no Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo) sobre a atuação das mulheres no Judiciário, ao lado da colega ministra Verônica Abdalla, também do STM — as únicas mulheres na Corte.
Rocha retomou os avanços constitucionais das mulheres, mas relembrou que o número de mortes em razão do gênero vem aumentando.
Em 2025, o Brasil chegou ao maior número de feminicídios da última década, com 1.568 mortes em razão de gênero registradas, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“Todos nós sabemos que a morte tem nome de mulher.”
“Um homem mata uma mulher porque acha que ele tem poder sobre ela e que ela é propriedade sua”, disse.
“Ele mata a mulher pelo fato de ela ser mulher, por ele entender que ela está numa posição de subalternidade na sociedade e que deve obediência a ele.”
Aliás… O Supremo vai decidir se são válidas as provas produzidas em processos sobre crimes sexuais em que a vítima for desrespeitada ou constrangida.
Entre as situações do tipo está a chamada revitimização, quando a mulher passa por um novo sofrimento após o crime, ou é alvo de perguntas sobre seu modo de vida e histórico de experiências sexuais.
O STF entendeu que essa discussão tem repercussão geral. Leia mais.
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