IA pode ficar mais cara com a alta do petróleo? Especialistas explicam

IA pode ficar mais cara com a alta do petróleo? Especialistas explicam – Canaltech

O barril do petróleo americano ultrapassou momentaneamente os US$ 119 na segunda-feira (9), partindo de US$ 70 menos de duas semanas antes, e hoje opera na faixa dos US$ 85, ainda consideravelmente acima da média histórica recente.

O gatilho foi o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro, que entrou na segunda semana com bombardeios intensos sobre Teerã e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, passagem por onde é transportado cerca de 20% de todo o petróleo mundial.

O efeito cascata é imediato: a commodity move toda a cadeia produtiva global, dos fretes marítimos às usinas de energia, passando pelas fábricas de semicondutores. E o mercado de inteligência artificial (IA), que depende de toda essa estrutura, está na linha de frente dos impactos.


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O Canaltech conversou com especialistas e te explica como a alta no preço do petróleo pode afetar o desenvolvimento de IA e o serviço dos chatbots que usamos.

Data centers no olho do furacão

Treinar e operar grandes modelos de IA consome uma quantidade colossal de eletricidade. O uso diário de ferramentas, como ChatGPT, Gemini e Claude, representa até 90% do custo energético total de um modelo ao longo da vida, segundo o coordenador acadêmico da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professor dos MBAs da instituição, Alexandre Caramelo.

“Cada pergunta que você faz tem um custo energético. O aumento do petróleo torna cada pergunta mais cara, tanto para o Google quanto para a OpenAI ou outra empresa”, explica.

A questão não é só a energia dos data centers. O chip de uma GPU da Nvidia, por exemplo, é desenhado nos Estados Unidos, fabricado em Taiwan e encapsulado na Malásia, e cada etapa dessa jornada logística consome combustível.

O professor dos programas C-Level da FGV, Kenneth Corrêa, aponta ainda um gargalo menos óbvio: o hélio.

“A cadeia de petróleo e gás natural, especialmente a extração de GNL no Catar, é a principal fonte global desse gás, que é insubstituível na fabricação de semicondutores avançados”, alerta.

Sem ele, a linha de produção de chips simplesmente desacelera.

Alvos de guerra

Os data centers se tornaram, pela primeira vez, alvo de bombardeios durante uma guerra. Na última quarta-feira (4), a Guarda Revolucionária do Irã confirmou que a infraestrutura da AWS foi alvejada.

Os danos foram localizados, com clientes de países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein com instabilidade no serviço.

Com o avanço do uso de IA em operações militares, os data centers se tornam, apesar de privados, importantes alvos para o enfraquecimento de oponentes, já que alimentam a tecnologia utilizada em ataques.

data center
Ao todo, dois data centers foram atingidos nos Emirados Árabes Unidos e um no Bahrein (Imagem: Reprodução/Unsplash)

ChatGPT e Gemini vão ficar mais caros?

Não imediatamente, mas o caminho aponta nessa direção. As grandes empresas de tecnologia operam com contratos de energia de longo prazo, os chamados PPAs (Power Purchase Agreements), que protegem contra oscilações de curto prazo.

“Isso não dura para sempre”, pondera Caramelo. “Esses contratos vencem, têm que ser renegociados, e nesse novo patamar de petróleo, nem sempre vai ser tão vantajoso”.

Corrêa estima que, se o barril ultrapassar novamente os US$ 100, e permanecer acima dessa faixa por mais de dois trimestres, veremos ajustes graduais.

Antes disso, o sinal mais provável é o encolhimento das versões gratuitas: janelas de contexto menores, respostas mais lentas e limite de tokens reduzido. “As versões pagas, como o Pro e o Plus, tendem a ter preços reajustados”, completa Caramelo.

Serviços de streaming e cloud gaming devem seguir o mesmo caminho, já que competem pela mesma infraestrutura de servidores e refrigeração.

Brasil como hub estratégico?

É aqui que o Brasil entra com uma vantagem comparativa real. A matriz energética brasileira é majoritariamente renovável — hidrelétrica, eólica e solar — o que a torna menos sensível às flutuações do petróleo.

Para Caramelo, isso já está atraindo olhares: “O Brasil tem um potencial muito grande para data centers. A gente vê isso com projetos da ByteDance (TikTok) no Ceará, da Microsoft, da AI City. São investimentos bilionários que fazem sentido exatamente por causa da nossa matriz”.

Corrêa confirma que as Big Techs já estão buscando justamente esse tipo de solução, colocando data centers próximos a fontes de energia limpa para fugir da volatilidade dos combustíveis fósseis.

O maior obstáculo, no momento, é que o Brasil ainda depende de hardware estrangeiro.

O futuro da IA pós-choque

A crise funciona como um catalisador que expõe o que estava oculto. “Até então, ninguém se preocupava muito com o custo de treinamento e de inferência. Agora isso fica mais evidente”, observa Caramelo.

A tendência, segundo ele, é que a IA do futuro seja mais enxuta, mais cara e mais estratégica, com as Big Techs investindo em chips próprios otimizados para eficiência energética, como os TPUs do Google e os projetos da Amazon.

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