Guerra contra o Irã é símbolo da decadência dos EUA e de Israel

O ano de 2026 continua sob o rufar dos tambores da guerra e o signo da destruição da ordem política-jurídica internacional do pós-Segunda Guerra. Inicialmente com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o império americano agora avança suas ambições imperialistas sobre o Irã ao lado de seu “proxy” no Oriente Médio, Israel, o maior interessado no conflito.

O que realmente está por trás do ataque dos EUA e Israel ao Irã? Do lado americano, Trump deseja atingir a China por meio do Irã e Venezuela: 80% do petróleo exportado pelo Irã tem como destino o mercado chinês, o que representa 13,4% de todo o petróleo importado pela China. No mesmo sentido, a China era a maior compradora do petróleo venezuelano, que, depois da queda de Maduro, passou a ser direcionado prioritariamente para o mercado americano.

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Também é do interesse de Trump desviar a atenção do escândalo dos Arquivos Epstein, nos quais é citado mais de 5.300 vezes, segundo dados do jornal The New York Times, e que pode envolvê-lo em crimes de natureza sexual.

Já a intenção de Israel com a guerra é executar o projeto sionista, colonialista e genocida (comissão nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU afirmou que as ações de Israel em Gaza constituem genocídio e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro do país, é considerado criminoso de guerra pelo Tribunal de Haia) de criação da “Grande Israel”, objetivo declarado diversas vezes por Netanyahu.

Para isso, pretende expulsar definitivamente os palestinos de Gaza e da Cisjordânia; invadir e ocupar o sul do Líbano, como já fizeram após a invasão de 1978 quando permaneceram no território por 20 anos; e derrubar o último grande bastião de resistência aos seus planos, o Irã, para com isso criar caos no Oriente Médio assumindo o controle da região.

Ao contrário da imagem de força que os EUA desejam transmitir, o que essas agressões revelam na verdade é a decadência de um império que está sendo superado economicamente e tecnologicamente pelo seu principal rival, a China, e que agora apela ao arsenal militar para tentar manter o seu domínio sobre o planeta.

O que a história revela é que o recurso à força bruta, ao contrário de ser um símbolo de poder, é um dos maiores sinais de decadência de uma civilização. Para Hannah Arendt, filósofa judia que analisou o horror dos regimes totalitários, poder e violência são antagônicos.

Ela define poder como a capacidade humana de agir em conjunto e violência como um meio instrumental usado muitas vezes justamente quando o poder está em perigo. Segundo a filósofa, a violência pode destruir o poder, mas nunca o criar e, quanto mais um governo depende da violência, menos poder ele de fato tem.

No entanto, a maior batalha de Trump é interna. Além dos Arquivos Epstein que o perseguem, estudos divulgados pela CNN estimam que o custo da guerra até agora pode chegar a mais de US$ 890 milhões por dia, enquanto outra pesquisa da Reuters/Ipsos revela que apenas 1 em cada 4 americanos aprova a ação contra o Irã.

Todos esses gastos com uma guerra indesejada ocorrem enquanto o povo americano luta por saúde pública gratuita e milhões tiveram seus benefícios sociais cortados pelo governo. Até representantes da base trumpista têm pulado fora do barco governista, como o jornalista conservador Tucker Carlson e o supremacista branco Nick Fuentes.

Nessa batalha doméstica estão incluídos problemas econômicos, como o fracasso do tarifaço imposto pelo governo americano a diversos países do mundo. Em decisão recente, a Suprema Corte dos EUA, onde Trump tem maioria, considerou as medidas ilegais.

A isso soma-se outra decisão judicial: o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA ordenou ao governo o reembolso do pagamento com juros das quantias pagas por importadores, o que significa que a administração federal pode acabar sendo obrigada a pagar reembolsos que chegam a US$ 175 bilhões.

Ainda dentre as adversidades de Trump está o fim da ampla operação de prisões de imigrantes e cidadãos americanos conduzida pelo ICE (serviço de imigração americano) em Minnesota, epicentro da ofensiva trumpista contra a imigração, decretado pelo governo após forte pressão popular e duas mortes de civis durante as ações do órgão.

A tudo isso somam-se ainda vitórias esmagadoras de candidatos do Partido Democrata, inclusive de membros ligados à ala socialista democrática, em eleições suplementares ocorridas nos últimos meses. No Texas, reduto eleitoral do Partido Republicano, por exemplo, o candidato democrata ao Senado estadual recebeu 57% dos votos em um distrito onde o presidente americano venceu por 17 pontos percentuais de vantagem contra a democrata Kamala Harris em novembro de 2024.

Já no front israelense, desde a sua criação, o regime sionista nunca havia perdido tanta credibilidade perante o mundo e dentro de suas fronteiras. As operações militares em Gaza, que já mataram mais de 72 mil palestinos e continuam mesmo após o cessar-fogo decretado no ano passado, geram danos talvez irreparáveis na sua legitimidade e imagem internacional.

Especialistas avaliam que a crise de Israel é tão intensa que o país poderá nem chegar a completar 100 anos de existência, desfazendo-se antes disso. Essa é a análise do major general israelense aposentado Itzhak Brik. Segundo o militar, a resiliência de Israel está se deteriorando em todos os setores, incluindo segurança, economia, educação, saúde, infraestrutura e ciência.

Brik afirmou que, ao longo das décadas, Israel tornou-se uma sociedade “dilacerada por dentro”, marcada por “um profundo ódio entre grupos sociais, entre direita e esquerda, e entre judeus e árabes”, divisão que, segundo ele, permeia todos os aspectos da vida. Para o militar, Netanyahu “prioriza a sobrevivência política em detrimento do interesse público” e o país está em um “caminho para a destruição” que só pode ser evitado por meio de mudanças radicais na liderança.

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Dados oficiais de Israel revelam um número recorde de israelenses deixando o país entre 2020 e 2024, bem como uma queda nos números de imigração, com um aumento de 39% na emigração de Israel em 2024 em comparação com o ano anterior. Razões de segurança e políticas, como a radicalização da sociedade à direita e a normalização de práticas de limpeza étnica, estão entre as razões alegadas pelos emigrantes para sair do país.

O que tem dominado os noticiários internacionais atualmente, portanto, é a decadência em tempo real do império americano e de seu parceiro de crimes Israel. Essa queda, no entanto, não se faz sem causar severos danos ao mundo, e caberá à comunidade internacional saber resistir aos efeitos mais danosos desse momento que inaugura um novo período na história da humanidade.

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