EY alerta empresas que elas devem possuir a carteira para manter seus clientes

No cenário em evolução das finanças digitais, a empresa de consultoria Big Four EY concentrou-se no que acredita ser a próxima fronteira definidora: as carteiras.

As carteiras estão rapidamente se tornando a interface crítica para a próxima era dos serviços financeiros, e não apenas ferramentas para manter criptomoedas, de acordo com Mark Nichols, diretor da EY.

“A carteira é a estratégia”, disse Nichols, co-líder do negócio de consultoria de ativos digitais da empresa, à CoinDesk em entrevista. “Quem é dono da carteira, quem provisiona a carteira, ganhará o relacionamento com o cliente.”

Nichols e sua contraparte da Costa Oeste, Rebecca Carvatt, veem as carteiras como mais do que infraestrutura. Eles são a porta de entrada para armazenar, movimentar e gerenciar valor tokenizado em um mundo onde os instrumentos financeiros, desde pagamentos até crédito privado, estão cada vez mais migrando para a rede, disse ele.

Não apenas custódia: carteiras como centro de finanças tokenizadas

A visão é expansiva. Longe de serem um utilitário de nicho para entusiastas da criptografia, as carteiras estão se tornando o tecido conjuntivo de um sistema financeiro tokenizado mais amplo. Em breve, as carteiras serão indispensáveis ​​para investidores de varejo, gestores de ativos, tesoureiros e até bancos comerciais, segundo Carvatt, co-líder do negócio de consultoria de ativos digitais da EY.

“Eles serão o ponto de acesso para tudo – pagamentos, ativos tokenizados e stablecoins”, disse ela.

A perspectiva da EY posiciona as carteiras como as novas contas bancárias do futuro, com serviços adaptados não apenas a indivíduos, mas também a empresas e investidores institucionais que necessitam de integração sofisticada com sistemas de risco, ferramentas de compliance e fluxos de capital em tempo real.

A implicação é clara: quem controla a carteira controla o relacionamento. Para as instituições financeiras que já estão perdendo terreno para plataformas cripto-nativas, a mudança é existencial.

Além da liquidez: a verdadeira promessa da tokenização

A mudança mais ampla para a tokenização é muitas vezes enquadrada como uma jogada pela liquidez, mas a EY acredita que a narrativa subestima o verdadeiro impacto. “Não se trata apenas de liquidez”, diz Nichols. “A liquidez não é o princípio e o fim de tudo, trata-se da utilidade que o financiamento on-chain permite.”

O que a EY vê, em vez disso, é o surgimento da blockchain como uma infraestrutura em tempo real para os mercados financeiros, que permite cadeias de transações programáveis ​​e remodela fundamentalmente a forma como o capital é gerido. A tokenização permite a liquidação atômica, claro, mas seu verdadeiro poder reside na otimização das margens e na eficiência operacional.

Nichols aponta cenários em que as empresas podem usar stablecoins ou ativos tokenizados para atender às chamadas de margem com mais frequência e precisão. Isto, por sua vez, reduz os requisitos de margem inicial, libertando capital para investimento. “Trata-se de um melhor alinhamento de riscos e gestão de capital em tempo real”, diz ele. “E a carteira se torna a porta de entrada para tornar isso possível.”

Uma década no espaço: o profundo banco de criptografia da EY

Enquanto algumas empresas correm para recuperar o atraso, a EY vem construindo no espaço dos ativos digitais há mais de 12 anos. Seus primeiros investimentos em práticas de auditoria e conformidade cripto-nativas agora abrangem milhares de profissionais, apoiando tudo, desde declarações fiscais de fundos de hedge até consultoria tokenizada de fusões e aquisições.

“Trabalhamos com todos os perfis de clientes – grandes bancos, gestores de ativos, bolsas, nativos digitais, provedores de infraestrutura”, diz Nichols. “e tenho trabalhado no ecossistema de ativos digitais há mais de uma década.”

O negócio de auditoria de fundos de hedge da EY foi um dos primeiros a apoiar a criptografia, e sua equipe de consultoria ajudou as empresas a se prepararem para listagens públicas e ambientes regulatórios complexos. A empresa desenvolveu serviços personalizados para monitoramento de carteiras, conformidade on-chain e relatórios fiscais nativos de tokens. Também continua a aconselhar as instituições financeiras tradicionais sobre como conceber estratégias de ativos digitais seguras e compatíveis, especialmente à medida que começam a desenvolver ou integrar infraestruturas de carteira.

Carteiras para todos: uma visão segmento por segmento

A EY deixa claro que as necessidades de carteira não são monolíticas. Os consumidores desejam uma experiência do usuário perfeita e acesso seguro a pagamentos e criptografia. As empresas precisam de integração com funções de tesouraria e conformidade regulatória em todas as jurisdições. Os clientes institucionais exigem custódia segura, conectividade com finanças descentralizadas (DeFi) e produtos de staking, e ferramentas de risco integradas.

A autocustódia, argumenta a EY, não será popular. O usuário ou instituição comum não deseja gerenciar suas próprias chaves privadas. Em vez disso, surgirão fornecedores de carteiras confiáveis, bancos, fintechs ou custodiantes especializados; cada um adaptando sua oferta com base no segmento que atende.

O provisionamento de carteiras, então, torna-se um imperativo estratégico. Quer as empresas optem por construir a sua própria, adquirir fornecedores ou formar parcerias, a carteira é a nova porta de entrada para os serviços financeiros. As empresas que agirem agora reduzirão os custos futuros de aquisição de clientes e deterão uma posição mais defensável no ecossistema de ativos digitais.

Regulamentação: um catalisador, não um obstáculo

Uma das crenças mais persistentes sobre a tokenização é que a regulamentação é um bloqueador. Mas os líderes da EY discordam. “Já temos o quadro regulamentar nos mercados principais e, juntamente com a indústria em geral, a aprovação da legislação sobre a estrutura do mercado permitirá que as questões remanescentes sejam resolvidas”, afirma Nichols. “Um título é um título, uma mercadoria é uma mercadoria. Blockchain é tecnologia.”

Nos EUA, a Lei GENIUS e as isenções existentes da Securities and Exchange Commission (SEC) fornecem caminhos para produtos tokenizados compatíveis. Globalmente, as jurisdições estão a competir para atrair inovação em ativos digitais com regimes de licenciamento em evolução. Embora a harmonização ainda esteja em curso, a dinâmica é inequívoca.

A EY vê este momento como um apelo à maturidade, um ponto de inflexão onde a infraestrutura está a alcançar a visão. “Já passamos da fase de experimentação”, diz Carvatt. “Agora trata-se de implementação segura e escalável.”

Repensando a gestão de ativos desde o início

Talvez em nenhum lugar o impacto da tokenização e da infraestrutura de carteira seja mais profundo do que na gestão de ativos. Um fundo típico requer atualmente uma rede de distribuição, uma equipe de investimento, um custodiante, um administrador de fundos e canais de relatórios regulatórios. Com a tokenização e os contratos inteligentes, grande parte dessa pilha torna-se programável e potencialmente obsoleta.

“Os gestores de ativos querem apenas construir grandes portfólios”, diz Nichols. “O Blockchain permite que eles façam isso sem todo o atrito do legado.”

Ao tokenizar os subjacentes dos fundos e incorporar a lógica em contratos inteligentes, os gestores de ativos podem automatizar funções como distribuição, conformidade e relatórios. Isto abre a porta a taxas mais baixas, a um acesso mais amplo aos investidores e a novos tipos de produtos, especialmente em crédito privado e alternativas, onde o custo tem sido historicamente uma barreira.

“Desde quem não tem conta bancária até quem não tem corretor, estamos vendo mais pessoas ganhando exposição a ativos que antes estavam fora de alcance”, diz Carvatt. “Isso é poderoso.”

O futuro das finanças está onchain

Seja para criptomoedas, pagamentos ou ativos tokenizados, as carteiras serão a porta de entrada para uma nova realidade financeira. As empresas que ignorarem isto arriscarão a irrelevância. Aqueles que o adotarem serão os donos da infraestrutura e do relacionamento com o cliente, no centro das finanças digitais.

“O futuro das finanças está na rede”, diz Nichols. “E a carteira está no centro.”

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