Entidades empresariais e parlamentares querem adiar redução de jornada de trabalho

Confederações empresariais e frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo firmaram posição de que atuarão para evitar que o fim da escala 6×1 seja votado ainda em 2026.

Em almoço promovido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), parlamentares e presidentes de associações defenderam que o ano eleitoral pode influenciar o debate.

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Como estratégia, o grupo começou a difundir entre os parlamentares um conjunto de dados mostrando que a mudança geraria aumento de custos para diversos setores. Também foi publicado um manifesto, assinado por 100 empresas e associações.

“Tivemos discussões longevas e profícuas nas reformas tributária e da previdência. Por que temos que fazer uma discussão tão importante para a economia do país de forma tão açodada em um ano eleitoral? Isso não é justo. Temos que fazer uma discussão sem motivações extras”, defendeu o presidente da Confederação Nacional da Industria (CNI), Ricardo Alban.

A mobilização tem início em um ambiente considerado difícil pelos deputados ligados ao setor produtivo. “Hoje estamos perdendo, pela forma que o tema é colocado na rua”, avaliou Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE). “Precisamos reverter a narrativa e levar isso para nossos deputados”, pediu aos colegas.

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Já o deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços (FCS), defendeu que o objetivo do grupo deve ser evitar que o projeto seja sequer pautado. Isso porque os parlamentares ligados ao mercado estariam pressionados de um lado pelos empresários e do outro pela opinião popular. Para ele, mesmo se a PEC for derrotada, o governo Lula sairia ganhando. “Colocar em votação é o que eles [o governo] querem, independentemente do resultado. Quem votar contra o projeto vai apanhar, quem votar a favor do projeto vai apanhar”, avaliou.

Alban ainda rejeitou a ideia de aprovar a redução de jornada neste ano com a inclusão de uma contrapartida. Questionado pelo JOTA sobre a possibilidade do fim da escala 6×1 ser compensado pela desoneração da folha de pagamentos, ele argumentou que a medida não seria viável pelo potencial de afetar a Previdência.

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