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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou para o dia 4 de maio uma audiência pública para debater a capacidade de atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para fiscalizar instituições financeiras e evitar escândalos como o do Banco Master.
A discussão se dará em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pelo Partido Novo – a legenda questiona a forma de cálculo da taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários.
No entanto, Dino acredita que a discussão precisa ser mais profunda. Para ele, é preciso saber a equivalência entre a eficiência e a taxa cobrada e também se existem eventuais falhas estruturais e operacionais da CVM no Brasil.
Dino ressalta que há “crescente sofisticação das organizações criminosas no Brasil” e um deslocamento das atividades “tradicionais” — historicamente associadas ao tráfico de drogas e a economias ilícitas periféricas — para ambientes formais e regulados, como o sistema financeiro e o mercado de capitais.
Foram convidados para a audiência representantes do Partido Novo; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o advogado-geral da União, Jorge Messias; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos de Andrade Uzeda Accioly; o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Andrade Saadi; e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O Novo sustenta que a CVM criou imposto mascarado de taxa, pois os valores arrecadados com a taxa de polícia são desproporcionalmente maiores do que todas as despesas do órgão. Segundo o partido, nos últimos três anos (2022 a 2024), a CVM arrecadou cerca de R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões provenientes de taxas. Entretanto, a dotação orçamentária destinada à autarquia, no mesmo período, foi de apenas R$ 670 milhões, ou seja, quase 1/4 do valor arrecadado e 1/3 do valor recolhido a título de taxa.
Já a CVM sustenta que as taxas fortalecem a economia como um todo, criando um ambiente de negócios com benefícios para os setores envolvidos.
No despacho convocando a audiência pública, o ministro traz um trecho de uma matéria da Agência Senado em que o presidente interino da CVM, João Carlos Uzeda Accioly, teria afirmado em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) as limitações da entidade.
Accioly disse que a CVM detectou movimentações atípicas do Banco Master desde 2022, mas por falta de pessoal e orçamento, a maior parte dos processos de apuração ainda está em andamento.
“Com este quadro fático, ganham relevância as teses da parte autora, no sentido de que não estaria havendo proporcionalidade entre a arrecadação e o custo da atividade da CVM, inexistindo o atributo da equivalência razoável da taxa, vulnerando o princípio da eficiência”, escreveu Dino.
O ministro quer debater seis tópicos:
Interessados devem se inscrever até 8 de abril pelo email audiencias.gmfd@stf.jus.br