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A troca de lideranças do Xbox, iniciada na última sexta-feira (20), aconteceu em um momento muito delicado para a marca. Todas as frentes da divisão de jogos sofreram com problemas nos últimos 12 meses, seja por aumento de preços, cortes de funcionários ou queda na receita.
O merecido descanso de Phil Spencer deixa um verdadeiro barco à deriva para Asha Sharma, que chegou ao comando da divisão sem qualquer experiência em games. Enquanto isso, Sarah Bond aparentemente foi chutada da embarcação (e a tripulação parece ter gostado).
Para entender o tamanho da missão que Sharma tem pela frente, o Canaltech listou os desafios que a nova CEO irá enfrentar nesta verdadeira crise multifacetada do Xbox.
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Diferentemente de companhias como a Nintendo, o Xbox sofre para manter veteranos no time. Na Big N, é possível encontrar desenvolvedores e profissionais de outros setores que estão por lá desde o Nintendinho.
O cenário é totalmente diferente no lado verde da força. A Microsoft tem feito cada vez mais demissões em massa, que afetam as equipes do Xbox, afasta talentos e intensifica o turnover dos estúdios.
Em julho de 2025, por exemplo, os veteranos da RARE, Gregg Mayles (Donkey Kong Country, Banjo-Kazooie) e Louise O’Connor (Conker’s Bad Fur Day), deixaram o estúdio após uma onda de demissões e cancelamentos, o que atingiu em cheio Everwild.
Não é apenas na parte criativa que há essa fuga de cérebros no Xbox. O setor corporativo também vem sofrendo baixas constantes. É o caso de Kareem Choudhry, que liderou os esforços de retrocompatibilidade do ecossistema e também foi responsável pelo lançamento do Xbox Cloud Gaming. Choudhry deixou a empresa seis meses depois de Sarah Bond ser promovida a presidente da divisão.

Na mesma época, o diretor de marketing do Xbox, Jerret West, deixou o cargo. Logo em seguida, foi iniciada a campanha Xbox Everywhere e a polêmica “Isso é um Xbox”. De acordo com um relatório recente do The Verge, a equipe de marketing se reportava diretamente a Bond após a saída de West. Phil Spencer também reforçou a mensagem de Xbox em todos os lugares e dispositivos durante entrevistas no últimos anos.
Sharma terá uma tarefa difícil para reter seus principais talentos, à medida que a Microsoft se mostra cada vez mais hostil com fechamentos, cortes de empregos e se volta aos investimentos em Inteligência Artificial (área na qual a nova CEO do Xbox estava envolvida em seu último cargo na companhia).
Toda essa mudança de estratégia para o Xbox em todos os lugares e o foco em serviços como Xbox Game Pass e Xbox Cloud Gaming fez com que o hardware da marca fosse escanteado. A cereja do bolo foi o novo modelo multiplataforma da companhia, que leva jogos exclusivos do ecossistema Xbox/Windows aos rivais PlayStation 5 e Nintendo Switch. Isso é totalmente contra o fator-chave para o sucesso do hardware de games na indústria: a exclusividade.
Todas essas decisões somadas fizeram com que o Xbox Series se tornasse ignorável, afinal os usuários podem jogar a partir da TV, do celular ou do PC. Não à toa, a receita de hardware do Xbox registra quedas trimestrais consecutivas há pelo menos três anos fiscais.

Os modelos do Xbox Series também registraram altas de preço consecutivas em 2025, com versões parrudas chegando ao Brasil por mais de R$ 5 mil, um pouco mais baratas que o PlayStation 5 Pro. A escassez de hardware afeta tanto o varejo brasileiro quanto o de vários outros mercados do mundo.
Sharma terá que lidar com tudo isso: preços altos de componentes e hardware, percepção pública da marca, escassez e marketing. Em resposta a um usuário no X, a nova CEO afirmou estar “ouvindo” os fãs em relação aos exclusivos do console. O comentário despertou uma faísca de experança em muitos jogadores, mas a pergunta que fica é: dá para voltar atrás?
A primeira grande barreira que Asha Sharma terá que quebrar é a resistência dos jogadores e desenvolvedores quanto ao uso da Inteligência Artificial na comunicação e no desenvolvimento dos jogos. Conforme muito bem explicado em nosso dossiê sobre a nova CEO do Xbox, Sharma não tem nenhuma experiência anterior no mundo dos games.
A executiva iniciou sua carreira na Microsoft em 2011, compondo o time de marketing da empresa por dois anos. Após isso, Sharma passou por cargos de liderança na Meta e na Instacart, retornando à dona do Xbox em 2024 como presidente de produtos do núcleo de IA da Microsoft.
Apesar do background um pouco assustador para os fãs do Xbox, Sharma afirmou em sua mensagem de boas-vindas que, “à medida que a monetização e a IA evoluem e influenciam este futuro, não buscaremos eficiência a curto prazo nem inundaremos nosso ecossistema com lixo de IA sem alma. Os jogos são e sempre serão arte, elaborados por humanos e criados com a tecnologia mais inovadora fornecida por nós”, o que deve acalmar alguns jogadores.

A Gamertag da executiva também entrou em debate entre diversos jogadores. Muitos questionaram o fato de Sharma ter criado sua conta há cerca de um mês, com tempos de jogos e conquistas que fizeram alguns levantarem as sobrancelhas. A CEO esclareceu que a conta em si foi criada recentemente para “aprender e entender esse mundo”.
Ela tem jogado com sua família e, por isso, há uma variedade incomum de jogos e conquistas registradas. “Tenho jogado com a minha família, e é uma conta doméstica compartilhada entre vários dispositivos”, destacou. Sharma avisa que o problema foi resolvido durante o fim de semana e cada membro de sua família está jogando em uma Gamertag diferente.
Entre todos os receios e suspeitas, devemos adimitir uma coisa sobre Asha Sharma: ela é corajosa. A situação do Xbox beira a calamidade, apesar de financeiramente estar mais estável do que parece aos olhos da indústria e do público. Não é qualquer um que aceitaria o tranco.
Em sua explicação sobre a Gamertag, a executiva deixou claro: “Meu foco é fazer do Xbox o melhor lugar para jogar, voltar às nossas raízes, lançar coisas incríveis e nos tornarmos mais fortes para o futuro”.

Embora tenhamos todos os motivos para pensar que a experiência dará errado, devemos dar uma chance a Sharma e ao tempo para ver se o Xbox volta aos trilhos que o levaram ao sucesso na era do Xbox 360, ou se a marca está caminhando para um desfecho amargo.
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