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Na internet atual, os usuários precisam desviar de malwares constantemente, indo de ameaças como phishing e ransomware a táticas pontuais como o grokking. Agora, imagine que houve uma época em que os computadores sequer tinham vírus — mesmo com a internet já criada —, mas que essa calmaria acabou não por malícia, mas com um experimento inofensivo, quase uma brincadeira. Isso, curiosamente, aconteceu mesmo.
Buscando sobre o tema, você pode ter visto alguns sites afirmando que o primeiro vírus de computador do mundo foi o Creeper, enquanto outros dizem que foi o Brain. Por que essa dúvida existe? Ao final deste artigo, você saberá exatamente a resposta — e terá uma história bastante interessante para contar numa conversa de bar.
O ano é 1971. Longe do tamanho reduzido e praticidade dos notebooks, os computadores eram grandes trambolhos conhecidos como mainframes, ocupando literalmente salas inteiras. Eles eram conectados à ARPANET, projeto militar dos EUA para ligar máquinas que foi o precursor da internet moderna.
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Entra em cena Bob Thomas, o “pai” do Creeper. O estadunidense não buscava causar danos com a ideia, mas sim desenvolver um programa que pudesse ser transferido de um computador para outro de maneira autônoma.
Ele era o Creeper, que não destruía arquivos, mas sim ia de uma máquina a outra e apenas exibia a mensagem “I’M THE CREEPER: CATCH ME IF YOU CAN!” (em tradução livre, seria algo como “Eu sou aquele que espreita: pegue-me se for capaz!”). O teste, ou prova de conceito, foi marcante na história dos computadores.
Toda história precisa de um antagonista para engajar, não é mesmo? É aí que surge o Reaper (Ceifador, em inglês), programa que se espalhava pela ARPANET com o objetivo de encontrar e apagar o Creeper. Criado pelo estadunidense Ray Tomlinson em 1972, ele foi, de certa maneira, o primeiro “antivírus” da história, feito para caçar um programa autorreplicante. Nascia a eterna batalha da cibersegurança: ataque e defesa agindo em turnos.
Hora de saltar no tempo: agora estamos em 1980, e os computadores pessoais (PCs) já são populares, feitos pela IBM e rodando o sistema operacional MS-DOS. As informações não eram mais trocadas por uma rede restrita, como antes, mas através de disquetes floppy disk. Chega a próxima ameaça, mais próxima das que conhecemos hoje.
O Brain foi uma invenção que também era, originalmente, benigna: em 1986, dois irmãos paquistaneses, Basit e Amjad Farooq Alvi, buscavam criar uma proteção para o software médico que vendiam e evitar a pirataria. O tal programa se espalhava através do setor de inicialização (boot) dos disquetes — toda vez que alguém copiava o disquete, o vírus ia junto.

Seu objetivo não era destruir nada, mas acabava deixando o drive de disquete mais lento e alterava o nome do volume para “© Brain”. Foi o primeiro vírus a ser disseminado em massa, afetando usuários de computador de todo o mundo.
A nível de conceito, o Creeper não pode ser considerado o primeiro vírus: ele foi apenas o primeiro programa autorreplicante, o “paciente zero” dessa forma de aplicação, algo criado em um ambiente de rede restrito e acadêmico. Já o Brain, sim, pode ser considerado o primeiro vírus de PC da história, dado que conseguia se disseminar em massa e causou a primeira “epidemia” digital.
É como se o Creeper fosse a primeira descoberta de um micróbio em laboratório, com o Brain sendo o primeiro resfriado que se espalhou pela escola. Mesmo assim, ambos os programas pouco faziam de destrutivo, sendo quase nada em comparação com as ameaças digitais do mundo atual — sofisticadas, destrutivas e impactantes, movimentando bilhões de reais pelo mundo com ransomwares, spywares e phishing, além de roubar dados pessoais de milhões de pessoas para uso em outros golpes.
De 1971 para cá, um simples experimento de laboratório, feito para arrancar o riso de um punhado de pesquisadores e desenvolvedores, evoluiu para uma das maiores preocupações do mundo moderno. A vigilância e a segurança digital, indústria que gera milhões com antivírus, firewalls e VPNs e tira o sono de desenvolvedores e donos de empresas todos os dias, têm uma longa história que começou com uma simples frase: “Pegue-me se for capaz”.
VÍDEO | Como saber se o CELULAR está com VÍRUS e O QUE FAZER para resolver o problema
Leia a matéria no Canaltech.