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Ninguém imagina que aquele PC montado com tanto suor vai parar de funcionar de uma hora para a outra, sem ser sua culpa. É o que tem acontecido a centenas de donos de processadores Ryzen 9000 com, principalmente, placas-mãe da ASRock. Esse problema já tem atormentado usuários há quase um ano e persiste mesmo após correções.
Embora tudo tenha começado com a ASRock, relatos recentes indicam que placas-mãe da ASUS, que contam com projetos de VRM (Voltage Regulator Module) e componentes de fornecimento de energia completamente diferentes dos da ASRock, também estão apresentando falhas críticas com as CPUs Zen 5.
Quando duas gigantes, com formas de trabalhar diferentes (apesar de a ASRock ter vindo da ASUS), cometem o mesmo erro, a variável comum deixa de ser a placa e, possivelmente, passa a ser o cérebro que as comanda: a AMD e seu microcódigo AGESA.
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Durante meses, a ASRock foi o alvo preferencial das críticas em fóruns. A acusação era de que suas placas AM5 de entrada e intermediárias não estavam preparadas para os picos de corrente da nova arquitetura. Contudo, a entrada da ASUS na equação muda tudo.

Se fabricantes diferentes apresentam o mesmo sintoma de inutilização (morte literal) da CPU, o erro provavelmente não está na solda ou no capacitor, mas na instrução que elas receberam. É o equivalente a vários motoristas de carros diferentes baterem no mesmo cruzamento porque o semáforo deu sinal verde para todos os lados ao mesmo tempo. O problema está no sistema de trânsito, não no veículo.
Para entender a morte desses chips, precisamos olhar para além da voltagem dos núcleos (VCore). A suspeita é que os causadores do problema podem ser tanto o EDC (Electric Design Current) quanto o TDC (Thermal Design Current). A configuração errada dessas correntes pode permitir o processador puxar mais energia do que ele aguantaria, causando sobrecarga.
O mecanismo de degradação funciona assim: o usuário ativa o perfil EXPO para memória RAM de alto desempenho (acima de 6000 MHz). Para estabilizar essa velocidade, a placa-mãe aumenta as correntes, atingindo 1,35 V ou mais. Os processadores Ryzen 9000, especialmente os modelos X3D com cache empilhado e mais sensível, parecem ter uma tolerância muito menor a essa voltagem do que a AMD admitiu. O silício degrada silenciosamente até entrar em curto.

O AGESA é a biblioteca de códigos que a AMD envia para que as fabricantes criem suas BIOS. É a AMD dizendo qual é o limite de velocidade e segurança, uma espécie de manual da empresa para as fabricantes parceiras seguirem.
A falha pode estar em dois pontos: ou a AMD definiu um limite um tanto perigoso para uso contínuo, caracterizando falha de engenharia, ou o código AGESA tem um bug que permite picos de milissegundos acima do limite, fritando o chip ao longo do tempo.
Há ainda as “Shadow Voltages”, parâmetros que a BIOS altera no fundo e que não aparecem no monitoramento comum, mas estressam o chip.
Estamos vivendo um momento de repetição. Entre 2023 e 2024, os Ryzen 7000X3D enfrentaram problemas similares, causando a inutilização dessas CPUs. A causa na época foi exatamente o VSOC alto demais, também ao aplicar o AMD EXPO.

A AMD lançou correções e impôs um limite de 1,3 V, mas parece que os Ryzen 9000 reintroduziram a vulnerabilidade ou se mostraram ainda mais frágeis. Fica a pergunta: a AMD está validando mal seus códigos AGESA antes de enviar para as parceiras?
Não adianta apenas atualizar a BIOS se a versão nova continuar agressiva nos parâmetros automáticos e, pelo tanto de relatos de problemas recentes, parece que é isso o que tem acontecido. O modo automático em placas high-end é perigoso porque elas tendem a jogar corrente extra para garantir estabilidade, sacrificando a vida útil e deixando o uso do processador mais delicado.

O usuário deve entrar na BIOS e travar o VSOC manualmente em 1,20 V ou 1,25 V. Evite deixar esse parâmetro em automático se estiver utilizando perfis de memória EXPO ou overclock.
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