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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, abrir Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra os desembargadores Sideni Soncini Pimentel e Marcos José de Brito Rodrigues, ambos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A deliberação ocorreu nesta terça-feira (11/11), durante a 15ª Sessão Ordinária de 2025, sob a relatoria do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
As apurações estão relacionadas à Operação Ultima Ratio, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção e venda de decisões judiciais envolvendo magistrados e advogados atuantes no TJMS.
O primeiro processo refere-se ao desembargador recém-aposentado Sideni Soncini Pimentel, que está afastado desde 2024, quando passou a ser investigado por suspeita de participação em negociações ilícitas de sentenças.
Antes do julgamento da Reclamação Disciplinar n.º 0007128-61.2024.2.00.0000, a defesa do magistrado solicitou o arquivamento do procedimento, alegando que o TJMS já havia homologado seu pedido de aposentadoria. O Plenário, entretanto, rejeitou o pedido, seguindo o voto do relator que apontou a necessidade de continuidade da apuração.
Em um voto de 106 páginas, o ministro Mauro Campbell sustentou a instauração do PAD e a manutenção do afastamento cautelar de Pimentel.
Durante a operação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram apreendidos mais de R$ 3 milhões em espécie, além de armas encontradas em residências de magistrados investigados. Os filhos de Sideni Pimentel também figuram entre os alvos da investigação policial.
Na mesma sessão, o CNJ também determinou a abertura de PAD contra o desembargador Marcos José de Brito Rodrigues, outro membro do TJMS mencionado nas investigações da Operação Ultima Ratio. A decisão foi tomada durante o julgamento da Reclamação Disciplinar n.º 0007130-31.2024.2.00.0000, igualmente relatada pelo ministro Campbell, que recomendou a manutenção do afastamento preventivo do magistrado até o desfecho do processo.
Em seu voto, o corregedor nacional destacou a existência de um esquema estruturado de comercialização de decisões judiciais, envolvendo juízes de primeiro grau e desembargadores do tribunal sul-mato-grossense. Segundo ele, provas obtidas por meio de interceptações telefônicas, apreensões documentais e movimentações financeiras reforçam as suspeitas de recebimento de vantagens indevidas.
O relator classificou o caso como um exemplo de “promiscuidade institucional”, com magistrados atuando em processos patrocinados por filhos de desembargadores e advogados lobistas, em desvio grave de função.
Assim como no caso de Pimentel, o CNJ rejeitou o pedido de arquivamento formulado pela defesa de Rodrigues, que havia argumentado sobre o pedido de aposentadoria voluntária. O Plenário considerou que a saída do cargo não impede a responsabilização disciplinar por condutas praticadas durante o exercício da magistratura.
Deflagrada pela Polícia Federal com autorização do STJ, a operação apura a atuação de uma rede de corrupção judicial no âmbito do TJMS, envolvendo a negociação de sentenças e favorecimento de partes mediante pagamento de propina.
De acordo com as investigações, magistrados ativos e aposentados seriam beneficiários de vantagens financeiras ilícitas, com o envolvimento direto de familiares e advogados. Os valores apreendidos durante as buscas somam mais de R$ 3 milhões, além de armas e documentos de interesse do inquérito.
Com a decisão do CNJ, ambos os desembargadores permanecerão afastados de suas funções até o julgamento final dos processos disciplinares, que podem resultar em punições administrativas, incluindo a perda definitiva do cargo.
Fonte
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