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Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, negou na quinta-feira (25/9) qualquer envolvimento de suas empresas em um suposto esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões. O depoimento foi dado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde o lobista e empresário tentou desvincular-se das acusações.
Atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal, Antunes afirmou que suas empresas apenas prestam serviços a associações, e que a responsabilidade pelos descontos irregulares cabe a essas entidades. “Minha empresa sempre prestou serviço a associações, tendo como destinatário final o aposentado associado, mas sem ter qualquer ingerência ou responsabilidade sobre descontos incidentes em seus benefícios previdenciários“, declarou. Ele reforçou que os descontos eram feitos diretamente pelas associações e que a responsabilidade deveria ser apurada sobre “as associações que eventualmente promoveram a inclusão dessas pessoas em seus quadros associativos e sem a devida anuência“.
HISTÓRICO
O depoimento, no entanto, foi marcado por um momento de tensão. Antunes se recusou a responder às perguntas do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), alegando que já havia sido “julgado e condenado previamente” pelo congressista. A decisão de comparecer à comissão, após ter inicialmente cancelado seu depoimento agendado para 15 de setembro, foi tomada após sua esposa, filho e sócios serem convocados pela CPMI.
Antunes, que nunca foi funcionário do INSS, é considerado pela Polícia Federal como um dos principais operadores de um esquema que desvia recursos de aposentados e pensionistas. A PF aponta que ele movimentou mais de R$ 53 milhões entre 2022 e 2024, com R$ 9,33 milhões supostamente repassados a funcionários do INSS ou pessoas a eles ligadas. A investigação também revelou que o empresário possuía uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, além de bens de luxo incompatíveis com sua renda declarada de cerca de R$ 24 mil mensais.
O avanço das investigações levou à prisão de Antunes em setembro, simbolizando a escalada das apurações. A CPMI já havia aprovado a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, ampliando a pressão sobre o lobista. A prisão e o depoimento desta quinta-feira reforçam a gravidade das acusações e a complexidade do caso que, segundo as autoridades, se sustenta em uma rede de 22 empresas, muitas delas de propósito específico, criadas para mascarar o fluxo de dinheiro.
Fonte
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