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Em estudo publicado na Nature no início de agosto, foi revelado que o assédio sexual e moral é um problema grave nas bases de pesquisa da Antártida, levantando preocupações diretas sobre como essas dinâmicas podem se repetir em futuras missões na Lua e em Marte. A pesquisa, conduzida pela National Science Foundation (NSF) dos Estados Unidos, mostra que os ambientes isolados, confinados e extremos exigem políticas mais rígidas de prevenção, apoio psicológico e cultura organizacional inclusiva.
De acordo com o levantamento, realizado entre 2022 e 2024 com 2.760 pessoas vinculadas ao Programa Antártico dos EUA (USAP), cerca de 40% dos pesquisadores da Antártida relataram ter sofrido assédio sexual ou violência durante as expedições. Entre as 521 vítimas, 40,7% afirmaram ter vivido ao menos um episódio de assédio ou agressão sexual.
Outro dado crítico é que mais da metade das vítimas (59%) eram mulheres. Os relatos ficaram praticamente divididos entre quem esteve menos de um ano na Antártida e quem permaneceu entre um e quatro anos.
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O estudo também coletou informações a partir de um “inventário de testemunhas”. Entre os 572 respondentes dessa etapa, quase 70% afirmaram já ter presenciado situações de assédio ou agressão sexual. Em quase metade dos casos (44,5%), os episódios faziam parte de uma série recorrente de incidentes.
A NSF classificou os tipos de ocorrência em quatro categorias:
A tipificação é feita para mapear a gravidade e orientar protocolos de prevenção e resposta.

A repercussão do estudo foi imediata. A NSF já vinha sendo investigada pelo Comitê da Câmara de Ciência, Espaço e Tecnologia dos EUA desde 2022 por falhas no combate ao assédio em suas operações.
Agora, com a nova pesquisa, foram apresentadas recomendações práticas, como a redução da prevalência de assédio e violência, ampliar os canais formais e informais de denúncia e envolver supervisores diretamente nas ações de prevenção.
Segundo a fundação, medidas já começaram a ser implementadas, incluindo monitoramento de casos e treinamento mais robusto para intervenção. O paralelo entre a Antártida e futuras missões espaciais é inevitável, já que ambos são ambientes isolados, confinados e extremos. Assim como astronautas em estações espaciais, os pesquisadores na Antártida vivem longe de casa, em condições adversas e com recursos limitados.
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