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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (18/3), reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Esse é o primeiro corte de juros em quase dois anos, quando em maio de 2024 o conselho reduziu a taxa Selic de 10,75% para 10,50% ao ano. A queda vem de encontro com a expectativa do mercado financeiro, que já projetava o corte de 0,25 p.p, e com o ciclo de queda anunciado pelo Copom em sua última reunião. Na tarde desta quarta, o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, divulgou a manutenção da taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Em comunicado, o comitê informou que a decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.
No cenário doméstico, o Copom afirmou que “o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”.
Apesar do corte, o Copom destacou que ”o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, o que “exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.
Na decisão, o Copom afirma que os conflitos afetam direta e indiretamente a inflação e que os riscos de alta ou de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos. “O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”.
O Comitê ainda enfatizou a posição cautelosa na condução da política monetária, afirmando que os próximos passos na calibração da taxa básica de juros devem incorporar novas informações sobre “profundidade e a extensão” do conflito geopolítico.
A queda dos juros era esperada pela maior parte dos economistas do mercado financeiro. Isso porque, em sua última reunião, o Copom sinalizou um possível início no ciclo de quedas da taxa. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o comunicado da reunião de janeiro.
De acordo com o Boletim Focus publicado na última sexta-feira (13/3), a expectativa de redução foi menor do que a projetada na semana anterior, quando os analistas previam um corte de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Com o início da guerra no Oriente Médio, o mercado passou a projetar um corte menor, de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano e até a considerar uma possível manutenção.
O conflito também tem pressionado uma alta no valor do petróleo para mais de US$100 por barril, que era cotado entre US$60 e US$70 anteriormente.
Além do anúncio feito pelo Banco Central, o Fed divulgou que a taxa de juros do país deve se manter inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, menor nível desde setembro de 2022. O Banco havia interrompido o ciclo de três cortes seguidos em 28 de janeiro.
O Fed destacou as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio e, consequentemente, a disparada do preço do barril de petróleo. Apesar do cenário incerto, autoridades do Fed mantiveram a previsão de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026.
Em comunicado, o Fomc (Federal Open Market Committee ou Comitê Federal de Mercado Aberto) afirmou que as “incertezas sobre o cenário econômico permanecem elevadas. As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas. O Comitê está atento aos riscos em ambos os lados de seu duplo mandato”.