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Ó Conselho Nacional de Justiça (CNJ) suspendeu nesta terça-feira (22) a análise de uma proposta que visa suportar regras sobre conflitos de interesse de juízes. O texto traz normas para participação em eventos e seminários, coleta de presentes e auxílios e restrições para que entidades privadas patrocinem atividades promovidas por associações de classe da magistratura.
A proposta é do relator do conselheiro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, integrante do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Depois de sua apresentação sobre o texto, o corregedor-nacional de Justiça, o ministro Luis Felipe Salomão pediu vista (mais tempo para análise).
Não há prazo para devolução do caso para julgamento. Salomão, no entanto, sinalizou que trataria do tema com o relator para tentar avançar com a proposta já na próxima semana.
Eventual aprovação da proposta terá validade para a magistratura nacional, com exceção do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a análise do caso no plenário do CNJ, o presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro Alves, pediu mais debate e defendeu que o tema saísse de pauta, para que a entidade pudesse colaborar com as propostas .
Ele criticou pontos específicos do projeto, argumentando que uma norma poderia trazer um estímulo à participação de magistrados em eventos acadêmicos, além de avançar na criação de hipóteses de impedimento e suspeita de juízes que não estão regulamentados em lei.
Alves também cobrou mais discussão sobre o ponto da proposta que estabelece obrigações na divulgação patrimonial dos magistrados, em caso de evolução que extrapole 40% dos valores recebidos no ano anterior.
Presidente do CNJ e também do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Rosa Weber parabenizou Vieira de Mello Filho e disse que o assunto é “importante para a magistratura e para a sociedade”.
Weber manifestou seu desejo em participar da votação sobre a proposta. Seu período à frente do CNJ se encerra junto com sua presidência do Supremo. Ela se aposentará no final de setembro, antes de completar os 75 anos da aposentadoria compulsória.
Oficialmente, a proposta de ato normativo trata da transparência no Poder Judiciário. O texto define o conceito de atividades que configura conflito de interesses na atuação dos juízes.
A minuta traz uma regulação de diversas atividades de juízes fora da magistratura, estabelecendo, por exemplo, limites para exercício da docência, que devem ser compatíveis com horários de atuação profissional.
O texto reitera a proibição da prática de coaching, inclusive pelas redes sociais.
A participação de magistrados em eventos, como palestrante e conferencista, deve ser previamente informada às corregedorias locais e nacionais da Justiça.
Conforme o relator do texto, a norma propõe a fixação de balizas para realização de congressos, seminários e encontros jurídicos realizados, promovidos ou apoiados por associações de classe da magistratura.
A possibilidade de entidades privadas com fins lucrativos patrocinarem esses eventos fica restrita a valores até um teto de 20% dos gastos totais, desde que não haja “ingerência na programação”.
A contratação de contratos diretos ou indiretos pelo magistrado para participar desses eventos passa a configurar o conflito de interesse para atuar em processos vinculados a entidades privadas. “Nesses casos, ainda que o magistrado participante do evento não reconheça, a parte poderá suscitar conflito de interesses e promover a respectiva arguição”, disse Vieira de Mello Filho. A exceção é para eventos custeados exclusivamente pela associação de classe.
A coleta de presentes, auxílios e contribuições fica limitada a R$ 100, com exceção de livros para uso em atividade profissional.
Um dos pontos mais críticos da Ajufe é o que trata da declaração de patrimônio pelos magistrados. Eles devem prestar informações sobre variações que extrapolem 40% do soma dos rendimentos recebidos no exercício anterior.
Reuniões de magistrados, nas dependências do Judiciário, com agentes públicos ou privados, partes ou advogados passam pela necessidade de divulgação na internet.
Conforme o conselheiro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a proposta tem o objetivo de instituir uma política nacional de transparência ativa e prevenção de conflitos de interesse na magistratura.
Ele disse que a magistratura nacional nunca “deteve tanto poder” quanto nos tempos atuais, “tempos de judicialização da política”, o que exigiria o incremento de práticas de transparência.
“É urgente o desenvolvimento das engrenagens internas do Poder Judiciário, desencastelando, clareando zonas gris, transformando algumas de suas práticas e permitindo o efetivo controle social”, declarou. “Só haverá independência e imparcialidade com transparência. A transparência também pode ser o melhor antídoto para corrupção, tráfico de influência e os desvios disciplinares”.
Ao se manifestar logo após a leitura do relatório, o presidente da Ajufe, Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro Alves, disse que o tema é “importante”, mas requer um debate mais profundo.
Ele criticou um dos dispositivos, que prevê que as associações de classe tenham que prestar informações sobre carga horária, receitas e despesas dos eventos com participação dos magistrados.
“As associações passarão a ter que divulgar todos esses dados e fazer prestações de contas, ou inserir informações, junto ao CNJ. Haveria escrutínio do Conselho dentro de uma entidade de natureza privada”, afirmou.
Alves disse, também, que a proposta criou possibilidades de impedimento de juízes, para além da lei. “O CNJ pode exercer seu poder regulamentar, mas estamos tratando dos limites desse poder”, declarou.
“Nossa recepção é que o excesso ou minúcia de normatização da matéria pode levar os magistrados que têm essa necessidade de fazer contato com a sociedade, até para aprimoramento dos processos, se sintam desestimulados a participar de eventos científicos e acadêmicos”, afirmou.
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Publicado por Mateus Cerqueira
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