Qual jogo inventou o gênero de mundo aberto?

Qual jogo inventou o gênero de mundo aberto? – Canaltech

Os jogos de mundo aberto passaram por diversas transformações nos últimos anos, como o mapa quase infinito de possibilidades de Skyrim, o detalhado e profundo Red Dead Redemption 2 ou a liberdade de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, que garante um nível de liberdade nunca antes visto em um jogo do gênero.

Embora sua popularidade tenha explodido mais recentemente, entrando até em uma espécie de saturação, os jogos de mundo aberto estão entre nós há décadas. Mas, afinal, qual foi o primeiro jogo de mundo aberto lançado?

Há títulos que remontam ao Atari. Outros defendem que Ultima I: The First Age of Darkness foi o pioneiro do estilo. Para responder a essa pergunta, o Canaltech investigou qual foi o primeiro jogo eletrônico a estrear a famosa estrutura de mundo aberto.

O que é um jogo de mundo aberto?

A expressão “jogos de mundo aberto” virou um daqueles termos que costumam conter seu significado nas próprias palavras. No entanto, alguns jogadores podem deixar um conceito ou outro de lado.

the legend of zelda breath of the wild

Antes de mais nada, é importante notar que mundo aberto não se trata exatamente de um gênero, mas sim de uma estrutura de design com vários elementos característicos. A exploração e a liberdade dos jogadores normalmente são pilares que comumente vemos em jogos do tipo.

Os jogos de mundo aberto costumam dar certa liberdade aos jogadores para percorrer os grandes mapas e explorá-los como quiserem. Esses elementos variam de jogo para jogo. Alguns títulos vão exigir certa linearidade para seguir a história principal ou limitarão certas áreas do mapa. Outros serão practically irrestritos, permitindo até que você vença o último chefe logo de cara, como é o caso de The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Esses grandes espaços normalmente formam um mundo contínuo e interconectado, sem telas de carregamento, e têm a exploração como centro da aventura. Encontrar itens, resolver quebra-cabeças, falar com NPCs e realizar atividades secundárias são algumas dessas possibilidades. Tais ações normalmente são apoiadas por outros sistemas, como economia, crafting, reputação, relacionamentos e equipamentos.

Vale lembrar que jogos de mundo aberto não são definidos necessariamente por perspectiva. É possível que um jogo 2D possua um mundo aberto amplo, como em The Legend of Zelda, de 1986. Embora relacionemos a estrutura a jogos em três dimensões, há outras aplicações bem-sucedidas em diferentes formatos.

Qual foi o primeiro jogo de mundo aberto?

A estrutura de mundo aberto é bem flexível e pode ser utilizada de diferentes maneiras, seja em RPGs mais profundos, shooters, jogos de aventura ou plataforma: enfim, o céu é o limite. É exatamente por isso que fica difícil definir qual jogo foi o primeiro grande título do tipo.

Skyrim Mapa

Há vários jogos que podem ser considerados os primeiros de mundo aberto ou que trouxeram formulações tão marcantes que não podem deixar de ser mencionados. Eles variam em perspectiva, estilo, gênero e características principais, mas em sua essência possuem essa estrutura livre.

Adventure (1980)

Além de ser conhecido por abrigar o primeiro easter egg da história dos videogames, Adventure pode ser considerado um dos primeiros jogos a apresentar uma estrutura de mundo aberto. O título comporta 30 telas interligadas e possui pontos de interesse (POIs), como castelos e labirintos, elemento presente no gênero até hoje.

Adventure

Embora pareça algo simples, Adventure foi revolucionário ao oferecer várias telas para explorar, não apenas uma, como era costume na época. Outro ponto importante é sua estrutura não linear, que permite aos jogadores explorar os locais livremente. Além disso, o game conta com alguns eventos que podem mudar itens de lugar e interferir na rota da partida.

Ultima I: The First Age of Darkness (1981)

Ultima I é frequentemente citado como o precursor dos jogos de mundo aberto. Isso porque, diferentemente de Adventure, que tinha telas limitadas, os títulos da série Ultima sempre se passaram em mapas-mundi vastos, o que torna a franquia uma das pioneiras do gênero nos computadores.

Ultima I

A exploração do mapa acontecia em visão superior, mas, ao entrar em masmorras, o jogo mudava para a perspectiva em primeira pessoa. Ultima I foi um título marcante não só por seu mundo aberto, que garantia liberdade aos jogadores, mas também por se aproximar da dinâmica dos RPGs de mesa.

Elite (1984)

Estreando os jogos de mundo aberto com temática espacial, Elite chegou aos computadores em 1984 trazendo uma experiência de simulação e tiro em que o objetivo é atingir o rank máximo. Nele, os jogadores podem explorar o espaço livremente e realizar diferentes atividades para evoluir, que vão do comércio e da pirataria à simples exploração.

Elite

Outro detalhe interessante é que Elite possui um universo gerado procedimentalmente, distribuído por 8 galáxias com 256 sistemas planetários, o que era considerado um mundo gigantesco para a época. O título se destaca justamente por não ter praticamente nenhuma linearidade, com foco total na simulação e na exploração do espaço.

The Legend of Zelda (1986)

The Legend of Zelda, do Nintendinho, é um dos grandes responsáveis por fundamentar as bases dos jogos de mundo aberto. O clássico de Shigeru Miyamoto contava com um mapa extenso e totalmente interconectado, composto por 128 telas, além das famosas masmorras.

The Legend of Zelda 1986

A liberdade é outro conceito fundamental presente no clássico. Após pegar a primeira espada, Link pode perambular pelo mapa sem precisar seguir um caminho pré-determinado. The Legend of Zelda não só consolidou a exploração livre na indústria, como também definiu o ponto de partida para os jogos de ação e aventura modernos.

Shenmue (1999)

Embora o Dreamcast tenha sido o último console da SEGA como fabricante de hardware, o videogame certamente caiu atirando. Uma das maiores contribuições da plataforma para a indústria foi ser o lar de Shenmue. O título, criado por ninguém menos que Yu Suzuki, tornou-se um marco absoluto para os jogos de mundo aberto em 3D.

Shenmue III

Shenmue introduziu conceitos fundamentais para a estrutura do gênero, como NPCs com rotinas próprias que davam vida ao universo, clima dinâmico e interações avançadas com o cenário. De acordo com Suzuki, o termo “mundo aberto” ganhou força após Shenmue I e II, o que consolida ainda mais o peso e a importância do RPG da SEGA.

Grand Theft Auto III (2001)

Enquanto Shenmue focava em fazer seu mundo seguir uma rotina verossímil, a Rockstar Games apostou em outra ideia de liberdade ao lançar GTA III no início dos anos 2000. Além de expandir consideravelmente o conceito de mundo aberto 3D para uma escala muito maior do que a vista no RPG de Yu Suzuki, o game dava total liberdade para o jogador quebrar as regras em uma cidade reativa e cheia de vida.

GTA III

A experiência promovida por GTA III inspirou inúmeros outros títulos a adotarem mundos em grande escala e livres para explorar, sem deixar de lado uma campanha principal.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017)

The Legend of Zelda: Breath of the Wild foi um dos marcos mais recentes na evolução do estilo. Lançado para Nintendo Switch e Wii U, o jogo se destacou por levar a liberdade do jogador ao limite, possibilitando encarar o chefe final logo nos primeiros minutos de campanha. As shrines (Santuários) também se tornaram referências de game design muito elogiadas.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Toda essa inovação culminou em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, sequência direta do título de 2017 que adicionou ainda mais camadas de liberdade e criação. Não à toa, surgiu um movimento entre fãs e críticos para classificar lançamentos inspirados na obra sob a alcunha de “breath-like”, influenciando inclusive aclamados títulos posteriores, como Elden Ring.

Afinal, quem inventou os jogos de mundo aberto?

No fim das contas, não é possível bater o martelo sobre quem inventou o primeiro jogo de mundo aberto. Isso acontece porque a estrutura foi moldada ao longo dos anos por múltiplos lançamentos, em vez de nascer de um único título. Além disso, o formato se adaptou a diferentes perspectivas e gêneros, desdobrando-se em inovações que vemos até hoje.

Embora a fórmula por vezes tenha corrido o risco de ficar engessada, sendo embarcada a franquias que talvez nem precisassem de um mapa aberto, a estrutura provou sua flexibilidade e funcionou muito bem em diversos gêneros, como jogos de corrida arcade e simuladores de combate aéreo.

Vale lembrar que mundo aberto não é um gênero isolado, mas sim uma estrutura de design que oferece ao jogador liberdade para explorar o universo no seu próprio ritmo. E o futuro promete: títulos muito aguardados, como GTA 6, The Elder Scrolls VI e The Witcher 4, têm o desafio de elevar esse conceito a um novo patamar.

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