Castlevania: um legado de décadas finalmente voltará ao “seu lar”

Castlevania: um legado de décadas finalmente voltará ao “seu lar” – Canaltech

Precursora do gênero metroidvania, a franquia Castlevania já foi uma das principais bases para toda uma geração de jogos. Se hoje vemos Hollow Knight, Blasphemous e Dead Cells brilharem, foi graças à caçada do clã Belmont ao Drácula e à sua horda de demônios.

Após mais de uma década longe dos videogames, a Konami trará de volta a série em Castlevania: Belmont’s Curse — um capítulo que promete trazer o que há de melhor na saga, sob o gênero que consagrou toda a jornada. As expectativas do público são colossais, assim como os temores.

Entre altos e baixos, polêmicas e um direcionamento confuso, não é de se estranhar que os fãs estejam com receio de que a companhia estrague de novo uma fórmula que foi criada pela própria. Contudo, será que ela faria isso após acertar tanto com outra franquia: Silent Hill? 

Nós do Canaltech vamos te lembrar onde você parou em Castlevania e como o legado de décadas finalmente voltará ao “seu lar” em 2026. Confira:

Recapitulação de Castlevania

Você se lembra que Castlevania: Lords of Shadow 2 (2014) foi o último capítulo inédito da saga? Pois é, a Konami passou 12 anos distante da caçada ao Drácula e ainda mais do próprio gênero — com pouco contato com as suas origens.

Castlevania-Lords-of-Shadows-2

Para ninguém dizer que ela largou de mão, algumas investidas foram vistas. Uma delas foi a presença de seus personagens em títulos como Dead Cells e V Rising, o que manteve a esperança dos fãs aquecida com o passar do tempo.

É seguro dizer que até os anos 1990, eles “nadavam de braçada” no mundo dos videogames. Nascida em 1986, ela viu na década seguinte duas aventuras emblemáticas — Super Castlevania IV (1991) e Castlevania: Symphony of the Night (1997). 

O original também marcou muita gente, assim como Castlevania III: Dracula’s Curse (1989). Este último, inclusive, inspirou a história vista nas quatro temporadas da animação da Netflix. Ter vários títulos de sucesso em um curto período evidenciou a qualidade da Konami e de Koji Igarashi, pai da franquia.

Contudo, a transição para novas gerações impactou e muito a saga. Enquanto Super Mario Bros, The Legend of Zelda, Final Fantasy e outros conseguiram migrar com sucesso para plataformas modernas, a Konami segurou até onde podia.

Nota-se que no PlayStation ela ainda se manteve com padrões elevados, com entregas que são vistas até os dias atuais como brilhantes. Contudo, o mesmo não pode ser dito dentre as demais plataformas daquela geração.

A queda

Enquanto muitos viam Castlevania: Symphony of the Night como uma obra-prima, a Konami quis seguir outro caminho e trouxe Castlevania 64 (1999) — com mapas tridimensionais, ambiente para explorar, hordas de inimigos e outras novidades.

Castlevania-64-Img1

O tiro saiu pela culatra, já que os desenvolvedores nunca tinham feito nenhum título 3D até ali. Câmeras atrapalhadas, controles com comandos confusos e mapas que obrigavam os jogadores a recomeçar em pontos distantes foram o “início do fim”.

Tudo isso foi acertado no PlayStation 2, com Lament of Innocence (2003) e Curse of Darkness (2005). Apesar de serem excelentes games, eles não eram mais os mesmos. Enquanto outras franquias preservavam suas origens, essa fugiu dos metroidvanias. 

A própria Nintendo viu o caminho da third-party e decidiu mudar alguns conceitos para levar Metroid ao Game Cube. Sob o selo “Prime”, ela criou um spin-off que foi considerado uma das maiores alterações de gênero de todos os tempos. O original existia, mas o outro realmente parecia algo “melhor”.

Enquanto isso, quem acompanhava a saga de Drácula nos videogames viu a Konami fugir cada vez mais do material original — o que deixou muitos tristes pelo seu rumo. A nostalgia e as pequenas falhas da produtora deixaram claro que o caminho de Castlevania devia voltar. 

As coisas ficaram piores quando surgiu Castlevania Judgment (2008). Em vez de voltar ao metroidvania ou corrigir os erros que já cansavam os jogadores, foi entregue um game de luta com artes no estilo mangá — com artes de Takeshi Obata, de Death Note.

Considerado uma falha comercial das grandes, o título lançado no Nintendo Wii precedeu a última tentativa de manter tudo de pé: a série Lords of Shadow. Ainda que não tenha retornado à sua origem, a trama de Gabriel Belmont apresentou uma prequel de toda a franquia.

Castlevania-Lords-of-Shadows

Como um jogo de ação e hack and slash, o título convenceu e mostrou que ainda tinha um fôlego. Isso garantiu o lançamento do segundo, porém ele não foi tão bem recebido e fez a Konami abandonar o Drácula de uma vez. 

É seguro dizer que a saga não vê sucesso nos consoles de mesa desde o início dos anos 2000. Ainda que Lords of Shadow tenha sido o último jogo “bom” da franquia, ele ainda estava longe de Symphony of the Night e Super Castlevania IV. Entre os 3D, Lament of Innocence continua o favorito de muitos.

A chama acesa dos portáteis

Se nos videogames domésticos a Konami errava feio, nos portáteis o acerto era crítico. Não é segredo para nenhum fã que a “Era GBA-DS” foi uma das que continuaram a preservar o gênero e tudo o que a marca representou no passado.

Não há forma de se falar de Castlevania nos dispositivos de mão sem mencionar Circle of the Moon (2001), Aria of Sorrow (2003), Dawn of Sorrow (2005) e Portrait of Ruin (2006). Enquanto o público se frustrava no PS2, Game Cube e XBOX, eles se tornaram pilares que seguraram todas as esperanças do público.

Pelo seu escopo e menor desempenho, todos eram clássicos metroidvanias e versões aprimoradas um do outro — com melhorias pontuais, histórias inéditas e uma evolução clara para uma fórmula que nunca se mostrou cansativa ou desgastada.

Eles se tornaram tão aclamados que a linha Lords of Shadow precisava entrar nessa onda, com o spin-off Mirror of Fate (2013) que mostrava uma história intermediária entre o primeiro e o segundo jogo. Lançado no Nintendo 3DS, ele fez uma fama que o alavancou para uma versão HD nos demais consoles.

Apesar de se destacar nos portáteis, a Konami permanecia com os pés fincados no chão com a decisão de manter os consoles de mesa distantes do gênero. Com a saída do 3DS do mercado, assim como o fracasso do PS Vita e as falhas comerciais das versões tridimensionais, a franquia entrou em hiato.

Castlevania

Para ter uma ideia, o último metroidvania da série foi Mirror of Fate. Se considerar apenas os capítulos principais, longe dos spin-offs, então isso vai ainda mais longe com Order of Ecclesia (2008). Na prática, 13 anos sem games no gênero que ajudou a criar e 18 sem um dos “principais”. É tempo demais.

O que rolou nesse meio-tempo?

Mesmo na geladeira, Castlevania não ficou no caixão e aparecia aqui e ali. A presença de seus elementos em títulos como Dead Cells, V Rising, Dead by Daylight e Vampire Survivors trazia um encanto para os fãs, assim como a promessa de que a série não estava 100% enterrada. 

A presença dos seus personagens em Super Smash Bros. Ultimate (2018) também criou esperanças, principalmente pelo conflito emblemático com o Drácula no modo World of Light. Ainda assim, a Konami não disparou nenhum game inédito. O máximo que chegou perto foi com Skelattack (2020), embora sem o mesmo impacto. 

Por outro lado, no cenário multimídia Castlevania se tornou uma das principais marcas. O anime da Netflix, exibido entre 2017 e 2021, se tornou um grandioso sucesso e manteve os seus personagens em alta por um longo período. 

Em 2023, o desenho recebeu seu primeiro spin-off, chamado de Castlevania: Noturno e mostrou toda a saga de Richter e Alucard contra Drolta — considerada uma sucessora de Drácula. Esta obra recebeu duas temporadas e também alcançou um sucesso entre os fãs da franquia.

Castlevania: De Volta ao Lar

Após todos estes altos e baixos, o público não sentia muita esperança de um glorioso retorno. Isso até o ano de 2024, quando a Konami decidiu ressuscitar Silent Hill e criar todo um plano anual de lançamentos (que é respeitado até os dias atuais, diga-se de passagem). 

Em fevereiro de 2026, no entanto, o coração do público voltou a bater. Durante um State of Play, a companhia revelou Castlevania: Belmont’s Curse — um clássico metroidvania para as novas gerações. Seria bom demais para ser verdade?

Koji Igarashi, criador da saga, está com seu próprio estúdio e investe em Bloodstained (um sucessor espiritual da franquia que ajudou a criar), mas muitos fãs pediram pelo seu retorno. Contudo, isso não acontecerá, ao menos não “tão cedo”.

Ainda assim, o público não ficou desamparado. O estúdio que cuidará da nova experiência é a Evil Empire, os mesmos responsáveis pelo aclamado Dead Cells e por todo cuidado com a série visto na expansão Return to Castlevania. 

Na prática, isso significa que são alguns dos maiores fãs da saga que cuidam do novo capítulo. Isso ao menos assegura que os personagens e trama terão um certo nível de carinho — assim como Silent Hill teve nas mãos da Bloober Team. 

Os 40 anos da franquia não poderiam ser celebrados da melhor forma. Belmont’s Curse é o retorno da série ao lugar no qual ela mais brilhou: no metroidvania, com os mapas interconectados, cenários góticos e uma exploração sem precedentes.

Isso é tudo o que os fãs pediram por mais de uma década e “mais um pouco”. A história também capta fãs antigos e novos — com a filha de Trevor e Sypha como a nova protagonista, o que ajudará a se tornar o ponto em comum de todos os jogadores.

Ainda é cedo para estipular que o game será bom ou não, mas ao menos todos os fatores já se encaminham para um “final feliz”. Castlevania: Belmont’s Curse chegará no dia 15 de outubro de 2026 para o PS5, XBOX Series, Nintendo Switch e PCs.

Como está a sua expectativa para o retorno dos Belmont, Drácula e de toda a caçada aos demônios pelos corredores do castelo? Para celebrar os 40 anos e como “contagem regressiva”, você pode aproveitar o primeiro título gratuitamente nos dispositivos mobile (por tempo limitado).

Caso queira começar seus primeiros passos no castelo mais nefasto de todos, veja o que você precisa saber antes de começar a jogar Castlevania. 

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