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O lançamento de Marvel’s Wolverine está próximo, com a promessa de trazer os mutantes de volta aos videogames após um longo período distantes deste universo. O projeto, criado pela Insomniac Games em conjunto com a Marvel Games, foi anunciado em 2021 e finalmente chegará ao PlayStation 5.
O jogo de ação e aventura segue um caminho bem diferente daquele visto na saga do Homem-Aranha (que seguiu de 2018 a 2023), com um foco maior no combate contra poderosos vilões e hordas de inimigos que vão despertar a sede de sangue do carcaju.
Com suas garras afiadas, o membro dos X-Men mostra a razão pela qual ele é o melhor naquilo que faz: dilacera inimigos, arranca membros e fatia tudo o que há em seu caminho para avançar na sua jornada. Ainda assim, há uma grande imersão em um lado pouco explorado do super-herói: sua solidão e culpa.
Ainda que exista um abismo entre Marvel’s Wolverine e os grandes jogos do gênero, a nova experiência do PS5 não é de se jogar fora e pode surpreender por sua abordagem. Seja você um fã do grupo da Marvel ou apenas do personagem, será que vale a pena dar uma chance para James “Logan” Howlett?
Todas as mecânicas funcionam muito bem
Ação de primeira
Constrói uma boa base para os X-Men
Desafios e dificuldade muito bons
Representação estranha de personagens clássicos
Progressão extremamente linear
Repete a “fórmula PlayStation”
Parece que colocaram vários arcos clássicos em um liquidificador
Já se passaram 17 anos desde X-Men Origins: Wolverine, o último projeto baseado no herói da Casa das Ideias. A Insomniac Games fez tudo ao seu alcance para que o principal estivesse presente em Marvel’s Wolverine: a ação desenfreada e o banho de sangue.

O super-herói usa suas garras para destruir absolutamente tudo, algo que funciona extremamente bem na sua proposta. A tática dele é simples: se respira e se mexe, é possível fincar suas garras e ele fará de tudo para ser o último em pé a cada confronto.
Seus movimentos, saltos, habilidades com sua principal arma e o fator de cura são muito bem representados e mostram o que há de melhor de Logan. A cada banho de sangue e inimigo atravessado, será um momento feliz e recompensador.
Se o estúdio acertou neste recurso, já se tornou um meio-caminho andado para um grande sucesso. Porém, quem experimentá-lo verá mais do que combates desenfreados e oponentes caídos.
Você conhece a “fórmula PlayStation”? Aquela que “obriga” os jogos a serem filmes interativos — você vê uma longa sequência de cutscene, seu personagem pode ser movimentado a partir dela e o coloca em meio à ação, apenas para repetir isso centenas de vezes até o fim da trama.
“Esta fórmula irrita mais quando você vê o game te facilitar o caminho com luzes que marcam para onde precisa ir ou bloqueios que te impedem só de ir ‘até ali’ enquanto outro personagem faz seu monólogo” – Diego Corumba
Marvel’s Wolverine segue isso à risca. Você vê o “filminho”, pode mover o personagem pelo cenário até entrar em uma sequência de batalhas que o levará até o próximo. Podemos pensar que a maioria é assim, mas alguns conseguem esconder isso muito bem. No entanto, este não é o caso.
A estrutura, usada à exaustão em franquias como Uncharted e The Last of Us, também destaca outro aspecto que vai incomodar os fãs: o jogo é extremamente linear, com cenários limitados e que não permitem sequer usar elementos de forma criativa.

É impossível não compará-lo a Marvel’s Spider-Man ou enxergar um imenso potencial desperdiçado assim. Não há necessidade de entregar um mundo aberto, contudo o combo cutscene, batalhas e áreas fechadas por quase 15 horas de duração vai cansar você.
Na questão narrativa, Logan trabalha há alguns anos ao lado de Essex e da Equipe X — formada por Mística, Dentes-de-Sabre e alguns aliados. Seu objetivo inicial é proteger mutantes, o que leva o time a confrontar diretamente Bolivar Trask e suas iniciativas contra a espécie.
Neste jogo de gato-e-rato, Trask captura os Morlocks (membros da espécie que são marginalizados pela sociedade, até mesmo pelos outros de seu grupo) e faz o caminho de Wolverine e Jean Grey se cruzarem. A partir do romance dos dois, são descobertos segredos de Trask e do próprio Essex que movimentam a trama.
Enquanto joga, você notará dezenas de referências diferentes. Do clássico Arma-X a Eu, Wolverine e outras HQs conhecidas, notará que a Insomniac Games estudou o assunto para trazer o carcaju à vida nos videogames.
O problema maior é que, ao contrário do que fizeram em Marvel’s Spider-Man de homenagear o que foi construído ao redor do super-herói, aqui parece que todas as histórias em quadrinhos foram batidas em um liquidificador e eles “colaram” o que saiu.
Isso não é de todo ruim, já que você tem uma progressão coesa e que não desrespeita o que construiu. Contudo, é perceptível que quiseram colocar coisas demais no pacote e muitas destas pontas continuarão soltas por anos — se é que algumas delas se resolverão nos próximos games.
“Muita coisa se perderá, então não se preocupe com algumas das referências que aparecerão conforme explora a história” – Diego Corumba
No fim das contas, as portas estão abertas para os X-Men e tudo o que os envolve em plataformas como o PlayStation 5 (talvez, até lá, o PS6). Isso é muito importante, de modo que temos um bom vislumbre de como determinados personagens pertenciam a um “Ponto A” e, quando o momento chegar, terão de estar em um “Ponto B” com as suas motivações.
Em Marvel’s Wolverine você pode decidir a dificuldade, mas no geral a experiência não lhe dará tanto trabalho durante o avanço da narrativa. Porém, se você busca algo mais próximo a um “soulslike”, poderá visitar as memórias do carcaju e tentar a sua sorte.

Na cabana de Logan, você pode correr por cenários no menor tempo possível, encarar hordas de inimigos que chegam em ondas (possui até mecânicas de roguelite) e até revisitar algumas de suas missões para buscar colecionáveis que ficaram pelo caminho.
Isso auxilia a ganhar mais pontos de experiência, desbloqueia roupas e garras, assim como permite aumentar o seu nível de mutante para encontrar itens com maior facilidade e outras funções que desburocratizam o gameplay.
Inicialmente, sentirá que Wolverine é “travadão” e que a figura está extremamente limitada em combate. No entanto, conforme progride na árvore de habilidades e nos níveis, pode receber bônus que o ajudarão a aprimorar sua estratégia.
No quesito gráfico, não tenho do que reclamar. Cenários, efeitos especiais nas batalhas, sequências de ação e mais estão belíssimos e mostram como a Insomniac Games continua afiadíssima nesta característica.
Em desempenho, Marvel’s Wolverine não usa todo o potencial do PS5. Ele não está péssimo por isso, contudo é notável o quanto o time de desenvolvedores não ousou para explorar todas as possibilidades no console-base. Talvez no PS5 Pro o público tenha uma experiência diferente, mas fez falta ver algo “a mais”.
Inclusive, em alguns momentos você perceberá coisas “a menos”. Uma pequena queda quando o cenário está repleto de inimigos, a câmera que não se movimenta em uma velocidade compatível com a do personagem principal e outros problemas que incomodam no game.

Vale notar que alguns personagens de Marvel’s Wolverine estão muito mal representados na aventura, mas em relação às suas feições físicas. Ninguém aqui é fiscal de beleza de jogo, mas você com certeza notará que está no “Vale da Estranheza” em vários trechos.
Não é raro ver Logan cortar inimigos como papel, ver mais sangue do que um hospital em um dia inteiro e gritar a cada morte pelas suas garras e, na cutscene que ocorre logo na sequência, ele apresentar uma cara de “coitadinho” — principalmente quando Jean Grey está por perto.
Por falar na telepata, sinto muito por você fã, mas não houve um momento em que eu não enxergava Jesse de Control (2019) em vez de uma das principais X-Men. Abaixo deixo um comparativo, para você compreender o tamanho da semelhança:

Não entrarei aqui em aspectos como estética e outros elementos, mas nem mesmo o personagem Essex convence em seu complexo papel dentro da história. Você ouve os diálogos, reconhece os rostos, mas sentirá que tem algo de errado.
Por falar na dublagem, ela segue os padrões de Marvel Tokon: Fighting Souls e mantém todos os nomes de personagens icônicos em inglês. Na prática, ouvir Omega Red, Mystique, Sabertooth (por sorte, chamam ele de Victor aqui e ali) e outros será extremamente comum.
Não apenas isso, como notei que um trecho no fim do game, subitamente, todos falavam em inglês por uma missão inteira. Possivelmente isso será atualizado até seu lançamento, mas me deixou muito confuso. Espero que, até o dia 15 de setembro de 2026, o time também corrija a falta de sincronia das legendas em determinados trechos.
Para um primeiro título do carcaju, a maior parte do público pode curtir o que foi entregue pela Insomniac Games. O jogo tem seu valor, até porque ele pertence ao mesmo universo do Homem-Aranha e abre as portas para os demais X-Men nos próximos títulos.
Contudo, ele entra em uma pilha de “mais um AAA” no meio de uma maré infinita de games que também serão lançados neste mês. Se ele é sua prioridade sobre Control Resonant, Onimusha: Way of the Sword, The Witcher III: Wild Hunt Remastered, The Blood of the Dawnwalker e outros, ainda dá tempo de repensar.
Mesmo os maiores fãs do carcaju vão revirar os olhos em alguns aspectos, então não deposite esperanças de que ele reinventará a roda e trará um patamar superior ao que já teve em Marvel’s Spider-Man 2 (2023). Na verdade, pelo contrário: parece um curto retrocesso ao que o estúdio já mostrou ser capaz no passado.
A aventura diverte, traz embates muito bons e cria uma proximidade maior com o super-herói — principalmente se lembrarmos que ele esteve afastado como protagonista por quase duas décadas. Neste sentido, poderia haver um capricho maior, mas quem ama o mutante verá que “é o que tem para hoje”.
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