Testei a Brastemp que “lava celular”; máquina que não precisa de água funciona?

Testei a Brastemp que “lava celular”; máquina que não precisa de água funciona? – Canaltech

A ideia de colocar um celular dentro de uma lava e seca parece errada. Na Brastemp BNQ14, porém, esse é um dos usos citados pela própria fabricante para o ciclo Ozônio Clean, recurso que trata roupas e objetos sem uma lavagem convencional.

A BNQ14 tem capacidade de 14 kg para lavagem e 8 kg para secagem. Mas, nesta análise, deixei todos os ciclos tradicionais de lado. O objetivo foi testar apenas o principal diferencial do modelo: o uso de ozônio.

Foram três experiências. Primeiro, coloquei um smartphone no tambor e liguei o Ozônio Clean. Depois, parti para um teste bem mais fácil de avaliar: uma camisa extremamente impregnada com cheiro de cigarro. Por fim, repeti o teste do odor com o Vapor + Ozônio Power.

Nenhum deles envolveu uma lavagem convencional com água, sabão e enxágue. O Ozônio Clean é um processo seco. Já o Vapor + Ozônio usa vapor de água e, por isso, pode deixar um pouco de umidade na roupa.

Como funciona o Ozônio Clean da Brastemp?

O ozônio é um gás resultante da formação de três átomos de oxigênio. Sua alta reatividade explica o uso para neutralizar odores e atuar sobre microrganismos.

Segundo a Brastemp, a própria BNQ14 produz o ozônio e libera o gás dentro do tambor.

No Ozônio Clean, a roupa ou o objeto entra seco no tambor e não recebe água nem sabão. O tratamento também é estático e suave. No meu teste, o cesto permaneceu parado durante todo o ciclo.

Isso dá a impressão de que nada está acontecendo, mas acredite, ela funciona muito bem durante todo o ciclo.

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 Isso permite tratar itens que jamais poderiam passar por uma lavagem tradicional. A própria Brastemp cita peças de couro, pelúcias, travesseiros, roupas com pedrarias e até celulares entre os exemplos de uso.

Esse ciclo é especialmente útil para jaquetas pesadas ou roupas e acessórios de marcas de luxo que não foram feitas para serem lavadas, nem na chamada “lavagem à seco”.

Sim, eu coloquei um celular dentro da lava e seca

O primeiro teste foi propositalmente o mais estranho. Coloquei um smartphone dentro do tambor, selecionei apenas o Ozônio Clean e iniciei o ciclo.

Como não havia água e o tambor não se moveu, o celular ficou apoiado dentro da máquina enquanto o ozônio circulava. Não houve impacto, queda ou qualquer movimentação que pudesse causar dano físico ao aparelho.

A proposta aqui era avaliar uma aplicação bastante específica: tratar um objeto que passa o dia inteiro nas nossas mãos, mas que não pode simplesmente ser mergulhado em água e sabão.

Há, porém, uma limitação importante. Eu não tinha placas de cultura, medidores ou qualquer método que permitisse comparar a quantidade de microrganismos antes e depois. Portanto, não dá para afirmar que o celular foi esterilizado, nem usar o teste como comprovação da eficácia microbiológica prometida pela fabricante. Para ter certeza, precisei fazer o teste que descrevo a seguir.

Após o ciclo, o aparelho ficou com um cheiro neutro e seco, semelhante à sensação de um objeto recém-higienizado, mas não sei explicar exatamente essa sensação.

O teste que realmente mostrou o efeito do ozônio

Se o celular não permitiu medir o resultado de forma objetiva, a camisa com cheiro de cigarro resolveu esse problema.

A peça estava extremamente impregnada. Não era apenas uma camisa usada perto de alguém que fumava. Eu pedi para meu colega fumante dar dezenas de baforadas de fumaça de cigarro em uma camiseta que posicionamos ao ar livre. Com isso, consegui uma peça de roupa com cheiro terrível, muito pior do que estaria em uso comum.

Coloquei a peça na BNQ14 e rodei o Ozônio Clean, que funcionou por cerca de 26 minutos. Quando o ciclo terminou, a diferença foi imediata: o cheiro de cigarro não estava mais perceptível.

A roupa também não saiu perfumada, como acontece após o uso de amaciante. O tecido ficou com um cheiro neutro, muito parecido com o de uma roupa nova, recém comprada.

Esse detalhe é importante porque mostra que, pelo menos na percepção sensorial, o sistema não mascarou o cigarro com outra fragrância. O odor indesejado simplesmente desapareceu.

Ozônio com vapor foi melhor?

Depois, repeti o cenário com a camisa novamente exposta ao cheiro de cigarro, mas desta vez selecionei o Vapor + Ozônio Power. O ciclo durou aproximadamente 40 minutos.

Para remoção de odor, o resultado foi praticamente o mesmo. O cheiro forte de cigarro desapareceu e a peça voltou a ter aquele odor neutro de tecido novo.

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 A principal diferença foi física. A camisa saiu levemente úmida por causa do vapor, mas secou após poucos minutos fora da máquina.

Nesse teste específico, portanto, o vapor não trouxe uma vantagem perceptível para tirar cheiro.

É possível que ele faça mais sentido em peças com odor de guardado, mofo ou sujeiras muito impregnadas, ou até para ciclos com mais peças dentro. Durante os testes, havia apenas uma camisa dentro do tambor.

Em que cenários a nova máquina da Brastemp faz sentido?

Imagine que você foi a um churrasco durante o dia e ficou algumas horas exposto à fumaça e ao cheiro de comida. A roupa ainda está limpa, mas voltou para casa impregnada com cheiro de carne assada. À noite, surge outro compromisso, você quer usar a mesma peça e não há tempo para lavar e secar tudo novamente.

É justamente nesse tipo de situação que o Ozônio Clean faz mais sentido. O ciclo apenas com ozônio dura cerca de 26 minutos e, no meu teste, a camisa saiu seca e sem o cheiro de cigarro. Já o Vapor + Ozônio Power leva aproximadamente 40 minutos e teve resultado semelhante, embora a peça tenha saído levemente úmida.

Assim, em menos de meia hora no ciclo mais rápido, dá para ter uma roupa sem odores perceptíveis e pronta para ser usada novamente, sem passar por uma lavagem completa com água, sabão e secagem.

O recurso também pode ser interessante para roupas usadas por poucas horas, peças delicadas que não devem ser lavadas com tanta frequência, roupas guardadas por muito tempo com cheiro de mofo, ou qualquer situação em que o tecido esteja limpo, mas com muito cheiro.

Roupas coloridas feitas de algodão também podem durar bem mais no seu guarda-roupas caso você use uma lava e seca como esta da Brastemp. Isso porque é a lavagem constante que faz a tintura ir se perdendo. Roupas pretas, especialmente, ficam esbranquiçadas com facilidade após algumas lavagens, e o ciclo de ozônio pode reduzir bastante esse desgaste.

Vale a pena comprar a Brastemp BNQ14?

A Brastemp BNQ14 não é barata. No site oficial da marca, a máquina aparece por R$ 6.230 no Pix ou R$ 6.490 no pagamento parcelado.

É um valor alto em comparação com muitas lava e seca convencionais. Ainda assim, o Ozônio Clean ajuda a explicar parte dessa diferença porque não fica restrito a uma função difícil de perceber no uso real.

Vale lembrar que a BNQ14 é uma lava e seca premium, com tambor para 14 kg de lavagem e 8 kg de secagem, dispenser automático de sabão e amaciante e tecnologia B=Smart, que usa sensores para ajustar o tempo e a quantidade de água de cada lavagem.

Ela ainda traz ciclo para remoção de mais de 100 tipos de manchas, programa rápido para cargas pequenas e Limpeza de Cesto, que usa altas temperaturas e avisa quando é necessário fazer a higienização da máquina.

Ou seja, existem outros recursos além do ozônio que ajudam a explicar por que ela custa mais do que modelos de entrada.

Para quem já pretende comprar uma lava e seca nova e tem orçamento nessa faixa, ela vale muito a pena. Além de renovar roupas com odor sem um ciclo completo, a BNQ14 consegue tratar objetos que não podem entrar em contato com água e faz suas roupas coloridas e pretas durarem mais tempo.

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