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Existe vida em Marte… em argila? Os cientistas pensam que os minerais da argila podem ser a chave para encontrar sinais de vida antiga no Planeta Vermelho.
A Agência Espacial Europeia ainda está trabalhando para lançar seu ExoMars Rosalind Franklin rover a Marte em busca de sinais de vida. E, segundo um declaração da agência espacial, o rover pretende agora pousar em Oxia Planum, uma depressão na superfície marciana onde se pensa que a água já foi abundante. Lá, os cientistas pensam que poderão encontrar pistas importantes na busca pela vida na argila da bacia, de acordo com um novo artigo.
“Usaremos os instrumentos a bordo para fundamentar as descobertas feitas em órbita, aprender sobre o ambiente antigo em que se formaram e se preservam alguma evidência de vida marciana. O calor e os nutrientes no fundo do mar marciano primitivo poderiam ter fornecido habitats para o início da vida”, acrescentou o vice-cientista do projeto ExoMars, Elliot Sefton-Nash, no comunicado.
Os cientistas passaram anos procurando sinais de que já existiu vida em Marte. Isso é pensei que a água em Marte evaporou há cerca de três mil milhões de anos, mas antes disso o planeta provavelmente tinha uma atmosfera mais substancial e água fluindo em rios e lagos por toda a sua superfície. Devido à história do planeta, muitos cientistas pensam que é mais provável que em algum momento do passado antigo, o planeta tenha sustentado vida. Embora isso ainda não tenha sido confirmado, no ano passado cientistas descobriram o que atualmente é considerado a bioassinatura mais forte possível, ou evidência física de vida, em Marte.
Num novo estudo, os investigadores encontraram extensos depósitos de argila no local de pouso proposto por Rosalind Franklin. Eles descobriram que esta argila alcançava cerca de 300 quilômetros de Oxia Planum, estendendo-se até um vale marciano chamado Mawrth Vallis. Para localizar a argila, eles primeiro estudaram o planeta em órbita.
Os investigadores usaram o instrumento OMEGA na sonda Mars Express da ESA e na Mars Reconnaissance Orbiter da NASA para explorar os minerais e camadas rochosas em Marte entre Oxia Planum e Mawrth Vallid, encontrando camadas minerais em ambos os locais, bem como marcadores que mostram mudanças na química da água ao longo do tempo. Essas observações se somam a outros estudos que apontam para água no antigo Marte.
Com o próximo rover da ESA, alguns cientistas pensam que as pistas da vida em Marte podem estar escondidas nesta argila na região de Oxia Planum.
“Ao pousar em Oxia Planum, descobriremos um processo em grande escala que moldou argilas antigas em Marte”, disse a autora principal Inés Torres Auré, da Universidade de Lyon, na França, no comunicado.
Os cientistas pensam que é possível que a área de Oxia Planum possa ter sido o lar de uma massa de água tão grande como um oceano ou que a região possa ter sofrido inundações incríveis há cerca de quatro mil milhões de anos, de acordo com o comunicado.
“Como a área é tão grande, não estamos falando de uma ocorrência localizada, mas sim de um processo regional ou global que exigiria imensas quantidades de água. Estamos visando os depósitos mais antigos da sequência, o que torna as implicações potenciais para a geologia e o clima inicial de Marte muito relevantes para a missão Rosalind Franklin na sua busca por vida”, explicou o cientista do projeto ExoMars, Jorge Vago, no comunicado.
Embora nunca tenhamos confirmado a vida fora da Terra e possa ser diferente da vida que conhecemos, no que diz respeito à vida na Terra, a água é um ingrediente necessário.
O rover Rosalind Franklin da ESA está previsto para ser lançado no Planeta Vermelho em 2028. O rover fará parte do programa ExoMars da ESA juntamente com o Trace Gas Orbiter da agência, que já está viajando ao redor de Marte. Rosalind Franklin terá uma broca, permitindo explorar abaixo da superfície do planeta enquanto a dupla trabalha junta em órbita e na superfície marciana em busca de sinais de vida antiga.
Este trabalho foi descrito em um estudo publicado na revista Science Direct.