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Produzir um notebook no Brasil envolve duas cidades, dois processos distintos e até oito meses de trabalho antes que o produto chegue às lojas. A dinâmica é descrita por Luiz Gustavo Milano Magoga, gerente de qualidade da Acer do Brasil, em entrevista ao Podcast Canaltech deste sábado (27).
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A operação é dividida entre Manaus e o interior paulista. Na capital do Amazonas, dentro da Zona Franca, são fabricadas as placas-mãe e demais componentes eletrônicos, etapa chamada internamente de CKD (Complete Knock Down).
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Após aprovação em testes, as peças seguem para Jundiaí, onde acontece a montagem final: integração de SSD, memória, teclado, display e cabos, com testes funcionais totalmente automatizados.
Magoga destaca que essa capacidade coloca o Brasil em posição diferenciada globalmente. “Nem os Estados Unidos mesmo fazem essa parte do CKD, eles importam o produto direto”, afirmou. “Nossa linha aqui é a mais próxima do que você pode ver num produto sendo fabricado na China”.
Antes de qualquer componente entrar na linha de Jundiaí, ele passa por uma inspeção de entrada, chamada de incoming inspection, com verificação visual e testes segundo o padrão NQA 0,65. Caso o lote apresente problemas, a fábrica de Manaus é notificada imediatamente.
Toda a cadeia produtiva é rastreável. Cada componente é vinculado ao seu lote de origem, número de embarque e nota fiscal. “Se acontecer algum problema, eu tenho toda a rastreabilidade. Consigo rastrear todas as máquinas que foram produzidas desse componente”, explicou Magoga.
Em caso de defeito pós-venda, o cliente aciona o suporte e o equipamento é enviado ao centro de reparos para análise. Quando o problema aponta para uma possível falha de fabricação, o gerente conduz uma investigação que pode envolver a fábrica, laboratórios externos e os parceiros de desenvolvimento do produto (ODMs), responsáveis pelo design original.
Atualmente, saem da linha de Jundiaí notebooks das séries Aspire (consumidor de entrada), Nitro (games intermediário), Predator (games premium) e TravelMate (B2B e governo), além de mini desktops voltados ao setor público.
O prazo médio para que um modelo lançado internacionalmente chegue à produção nacional fica entre seis e oito meses. O processo inclui definição estratégica do projeto, precificação para o mercado brasileiro — que leva em conta a carga tributária de cada componente —, fabricação e separação do material pelo parceiro no exterior (30 a 60 dias), transporte (8 a 12 semanas) e qualificação da linha local, com testes em lotes progressivos de 20, 200 e 1 mil unidades antes do processo entrar em ritmo normal.
“Tem projetos que a gente já fez em 4 meses”, disse Magoga. “Mas numa média, a gente fala que mais ou menos 8 meses”.
Leia a matéria no Canaltech.

