Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


A internet via satélite pode substituir 4G e 5G? Com o avanço de tecnologias e a popularização de serviços de conexão em áreas remotas, o debate ganha força. No entanto, segundo especialistas, a resposta não é tão simples quanto parece.
A primeira distinção importante está na própria infraestrutura. Enquanto o 4G e o 5G dependem de antenas terrestres distribuídas em áreas urbanas, a internet via satélite opera a partir de dispositivos em órbita.
Como explica Altair Olivo Santin (engenheiro da computação, doutor em Cibersegurança e professor do curso de Cibersegurança e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, PUCPR):
–
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
–
“As infraestruras são completamente diferentes. A conexão por celular é baseada em antenas próximas, enquanto o satélite está muito mais distante”.
Essa diferença estrutural impacta diretamente o desempenho. Nas redes móveis, a proximidade das antenas resulta em menor latência (o tempo de resposta entre o envio e o recebimento de dados).
Dr. Santin destaca que “a latência na rede celular fica na faixa de 10 a 1 milissegundo”, enquanto no satélite pode chegar a “40 a 50 milissegundos”.
Isso significa que, embora o satélite tenha evoluído, ainda apresenta um tempo de resposta maior.
A velocidade média do satélite tende a ser inferior. “Pode ser, em média, cerca de metade da velocidade do 4G e 5G”, afirma.
Por outro lado, a internet via satélite oferece vantagens claras em cobertura. Enquanto redes móveis têm alcance limitado e dependem de infraestrutura física, o satélite cobre áreas muito maiores.
“O satélite tem uma cobertura praticamente global”, explica o especialista. Isso o torna ideal para regiões remotas, como áreas rurais, oceanos e florestas.
Outro ponto positivo é a estabilidade. Diferente do celular, que pode sofrer interrupções ao trocar de antena durante o deslocamento, o satélite mantém uma conexão mais constante. “Esse movimento é muito pequeno do ponto de vista do satélite”, compara Santin.

Existem cenários em que a internet via satélite é essencial. Em locais sem infraestrutura de telecomunicações, como estradas, áreas rurais e regiões isoladas, o satélite se destaca.
“Onde o 4G ou o 5G não chegam, o satélite se torna extremamente vantajoso”, afirma.
Aplicações em transporte, como navios, aviões e veículos em longas distâncias, também se beneficiam dessa tecnologia, assim como atividades de monitoramento ambiental e agricultura de precisão.
O especialista ressalta a importância do satélite em projetos de sensoriamento remoto. “Se eu quero monitorar variáveis ambientais no meio da Amazônia, basta instalar o sensor e conectá-lo ao satélite”, explica.
Isso elimina a necessidade de infraestrutura complexa, como redes de fibra óptica, reduzindo custos e desafios logísticos.
Apesar das vantagens, o satélite ainda enfrenta desafios importantes, principalmente quando o assunto é latência. Atividades que exigem respostas imediatas, como jogos online competitivos, são prejudicadas. “O chamado lag tende a ser maior no satélite”, observa Santin.
Embora funcione bem para streaming e chamadas, graças a mecanismos como buffer, a experiência pode não ser ideal em aplicações sensíveis ao tempo de resposta.
Em locais com muitos dispositivos eletrônicos, como hospitais, a instalação e o desempenho da antena via satélite podem ser comprometidos, exigindo cuidados adicionais.
A ideia de que a internet via satélite pode substituir 4G e 5G não parece realista no cenário atual.
“É muito pouco provável que uma tecnologia substitua a outra”, afirma o especialista. Segundo ele, as demandas modernas são diversas e exigem soluções complementares.
Enquanto o 4G e o 5G são ideais para ambientes urbanos e aplicações que exigem baixa latência, o satélite atende regiões remotas e cenários de mobilidade.
Enquanto isso, novas tendências, como realidade virtual e experiências imersivas, demandam alta velocidade e resposta rápida.
Outro fator decisivo é o custo. A instalação de antenas é viável em cidades devido à alta concentração de usuários. Já em regiões remotas, o investimento não se justifica, tornando o satélite a melhor alternativa.
Ou seja: a internet via satélite não deve substituir o 4G e o 5G, mas sim atuar como uma tecnologia complementar. Cada uma possui características específicas que atendem a diferentes necessidades.
Como resume Dr. Santin, o futuro da conectividade está na cooperação entre essas soluções: redes móveis garantindo velocidade e baixa latência nas cidades, enquanto o satélite amplia o acesso em escala global. E se você se interessa por esse assunto, veja nossa análise sobre Starlink vs satélite geostacionário.
Leia a matéria no Canaltech.

