André Mendonça ajudou ou atrapalhou Messias?

Logo após o Senado ter rejeitado o nome de Jorge Messias à vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça escreveu nas redes sociais que o Brasil perdia a oportunidade de ter “um grande” ministro e o qualificou como um homem de caráter e íntegro. 

A manifestação pública é um retrato do apoio que Mendonça vinha dando a Messias. Mesmo tendo sido indicados por presidentes da República de espectros políticos distintos – um por Lula (PT) e outro por Jair Bolsonaro (PL), Mendonça resolveu dar a mão para Messias no processo. O “terrivelmente evangélico” ligado ao ex-presidente e à ex-primeira-dama Michelle abriu as portas de gabinetes, fez telefonemas e apresentou a senadores o escolhido por Lula como um bom nome para integrar a Corte.  

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

Messias retribuiu e o elogiou publicamente durante a sabatina. A relação entre ambos nasceu de uma empatia. Em comum, a fé evangélica e a geladeira na qual Davi Alcolumbre  os colocou – o presidente do Senado não queria nenhum dos dois para a vaga por preferir outros nomes. Os indicados tiveram de esperar meses entre a indicação e a sabatina, que é marcada pelo presidente do Senado. 

A interlocutores, Mendonça também demonstrou incômodo com o fato de colegas do STF se oporem ao indicado de Lula. Os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes expressaram publicamente a sua predileção por Rodrigo Pacheco, que também era o nome de Alcolumbre. 

Para Mendonça não cabe aos ministros decidirem quem será o próximo colega – acabou que ele mesmo fez isso quando resolveu abraçar a campanha de Messias. Além de Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin também deram apoio. 

Claro que, para o futuro, uma aliança com Messias também seria bem-vinda a Mendonça, que tem dificuldades de compor maioria para as suas teses dentro do tribunal.  A estratégia era que o apoio do Mendonça renderia votos entre senadores conservadores. Em um cenário de placar apertado, qualquer apoio ajudaria. No entanto, havia algumas pedras no caminho. 

Uma delas, a votação secreta, que protege quem não vota conforme o prometido com as lideranças partidárias. A outra era Davi Alcolumbre, que não tem uma boa relação com André Mendonça e não queria ver outro ministro na Corte contrário a ele. Por isso, trabalhou nos bastidores para a reprovação de Messias. 

A já azeda relação entre Mendonça e Alcolumbre piorou quando o ministro do Supremo assumiu a relatoria dos inquéritos do INSS e do Master. Entre as medidas tomadas pelo magistrado que contribuíram para o clima ruim, a determinação para Alcolumbre entregar aos deputados da CPMI do INSS as informações obtidas a partir da quebra de sigilo fiscal, bancário e telemático do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi determinante. Pela decisão, nenhuma documentação deveria continuar com o presidente do Congresso.

E não parou por aí: Mendonça deu uma liminar estabelecendo o prazo de 48 horas para que Alcolumbre lesse o requerimento de prorrogação da CPMI do INSS. A leitura do documento era suficiente para prorrogar a comissão, o que o presidente do Senado não queria. Por fim, por 8 a 2, Mendonça acabou derrotado em plenário.

Também não está claro o que pode aparecer nos dois inquéritos relatados por Mendonça em relação a parlamentares e ao próprio Alcolumbre. Embora a rejeição de Messias à cadeira do STF tenha muito a ver com a relação do presidente do Senado com o governo Lula, o ministro também foi um personagem de peso nesse processo – seja pelo apoio, seja pela derrocada de Messias. 

Fonte

ÉTopSaber Notícias
ÉTopSaber Notícias

🤖🌟 Sou o seu bot de notícias! Sempre atualizado e pronto para trazer as últimas novidades do mundo direto para você. Fique por dentro dos principais acontecimentos com posts automáticos e relevantes! 📰✨

Artigos: 68007

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verified by MonsterInsights