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Marcelo Pontes Vianna, secretário de integridade privada da Controladoria-Geral da União (CGU), afirmou nesta quinta-feira (30/4) que a atuação do Banco Master deve ser enxergada como “uma organização criminosa estruturada”, com o objetivo de “corromper e acessar dinheiro de forma ilícita”. O secretário debateu a infiltração do crime organizado nas organizações durante o evento de lançamento do “Guia para Empresas sobre Gestão de Riscos Associados a Organizações Criminosas”, do International Chamber of Commerce Brasil (ICC Brasil) em parceria com a CGU.
Vianna argumentou que o imaginário de organizações criminosas como apenas “tráfico de drogas, exploração sexual e crimes mais ligados à violência” deve ser analisado com uma profundidade maior, uma vez que operações como “Carbono Oculto e a investigação do Banco Master tem deixado de legado e de lição que o crime organizado já tá está em outro patamar de profissionalização e toma formas diferentes”.
Para o secretário, “se não enxergarmos o Banco Master com uma atuação de organização criminosa estruturada para poder corromper e acessar dinheiro de forma ilícita, vamos perder de vista o que efetivamente é o risco do crime organizado”.
José Alexandre Buaiz, chair da Comissão de Integridade e Responsabilidade Corporativa do ICC Brasil e sócio do Pinheiro Neto Advogados, acrescentou que “a Operação Compliance Zero deixou claro que o crime organizado está aqui perto. Está aqui na Faria Lima. Ele [crime organizado] comprou fundos, ele compra empresas legítimas, ele participa de canais de fornecimento bastante razoáveis”, afirmou.
Vianna destacou que a forma de inserção das organizações criminosas no setor privado “têm uma natureza muito própria do que a gente [CGU] identifica nas operações de lavagem de dinheiro”. Segundo o secretário, o crime organizado, na maior parte das vezes, oferece contratos de baixo valor para o fornecimento de um serviço, o que “faz todo sentido na lógica da organização criminosa, já que a principal intenção dela não é lucrar com aquele contrato, é ter um jeito ótimo e eficiente de lavar o dinheiro”.
Para o secretário da CGU, o crime organizado tem utilizado “mecanismos cada vez mais sofisticados. A Operação Carbono Oculto demonstrou isso muito bem. O uso de fundos de investimento, fintechs, holdings, etc. cria uma camada de sofisticação que a gente tem que estar atento”.
Gabriela Dorlhiac, diretora executiva da ICC Brasil, destacou que a cooptação de colaboradores é um dos riscos de maior atenção para as empresas. “Vem crescendo não só nas áreas operacionais, mas na alta liderança de empresas, especialmente diretorias de segurança cibernética, por exemplo”, comentou.
Vianna entende que para combater as organizações criminosas no setor privado é necessário “fortalecer as instituições que já trabalham com isso” e “enxergá-las como verdadeiras parceiras que podem evitar que isso aconteça de forma disseminada na nossa sociedade”. “No âmbito do Governo Federal, a gente viu agora um fortalecimento muito grande do COAF. Eu acho que é algo que tem que ser muito defendido, não só pelo setor público, mas especialmente pelo setor privado”, acrescentou o secretário.