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Criar uma megaconstelação de internet via satélite como a SpaceX, responsável pela Starlink, está entre os projetos tecnológicos mais ambiciosos da atualidade. A proposta de oferecer internet global de alta velocidade exige investimento gigante, desde a fabricação dos satélites até sua operação contínua em órbita. Mas quanto custaria? Traçamos uma estimativa.
O primeiro grande desafio financeiro da Starlink está na produção em escala industrial de milhares de satélites e na logística para colocá-los no espaço.
Diferente de programas espaciais tradicionais, a SpaceX adotou um modelo inspirado na manufatura em massa, o que reduz significativamente o custo por unidade.
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Segundo Elon Musk, o custo de fabricação de cada satélite já é inferior ao custo de lançamento, uma inversão relevante em relação ao padrão histórico da indústria aeroespacial.
Hoje, estima-se que cada unidade custe entre US$ 350 mil e US$ 400 mil para ser produzida, o que equivale a aproximadamente R$ 1,74 milhão a R$ 1,99 milhão.
No entanto, o valor total por satélite aumenta quando se considera o envio ao espaço. Com base em lançamentos realizados pelo foguete Falcon 9, o custo combinado de fabricação e lançamento gira em torno de US$ 850 mil por unidade (cerca de R$ 4,23 milhões).
Isso só é possível porque cada missão leva dezenas de satélites simultaneamente, diluindo o custo total do lançamento, que varia entre US$ 25 milhões e US$ 28 milhões (aproximadamente R$ 124,5 milhões a R$ 139,4 milhões).
Nos primeiros lançamentos, os números já indicavam essa tendência de redução de custos. Em 2021, um lote de 60 satélites custou menos de US$ 30 milhões para ser fabricado e valor semelhante para ser lançado, totalizando menos de US$ 1 milhão por unidade (cerca de R$ 4,98 milhões).
Esses dados demonstram como a combinação de reutilização de foguetes e produção em larga escala foi determinante para viabilizar o projeto.

Depois de posicionar os satélites em órbita, começa uma fase ainda mais desafiadora: manter a rede funcionando de forma estável e eficiente. Os satélites têm vida útil limitada e precisam ser constantemente substituídos.
Considerando uma constelação com cerca de 6.000 satélites e uma vida útil média de cinco anos, o custo total por unidade ao longo desse período chega a aproximadamente US$ 1,68 milhão (R$ 8,38 milhões). Isso se traduz em um custo anual de cerca de US$ 336 mil por satélite, ou R$ 1,67 milhão.
Já a operação anual da Starlink gira em torno de US$ 2 bilhões, (R$ 9,96 bilhões) por ano.
Apesar dos custos elevados, os dados mais recentes indicam que o modelo de negócio começa a se equilibrar. Documentos financeiros registrados na Netherlands Chamber of Commerce mostram que a Starlink gerou cerca de US$ 2,7 bilhões em receita em 2024 (aproximadamente R$ 13,45 bilhões), com lucro de US$ 72 milhões (R$ 358,5 milhões).
Ou seja: montar uma rede como a Starlink exige dezenas de bilhões de reais em investimento inicial e custos operacionais anuais que podem chegar perto de R$ 10 bilhões.
Ainda assim, o modelo da SpaceX provou que é possível reduzir drasticamente os custos da indústria espacial, transformando um projeto antes inviável em um negócio escalável e potencialmente altamente lucrativo. E se gostou de saber, veja quanto vai custar usar Starlink direto no celular no Brasil.
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