O que são pixels de rastreamento e por que são tão preocupantes

O que são pixels de rastreamento e por que são tão preocupantes – Canaltech

Hoje em dia, é extremamente comum sermos bombardeados com anúncios em sites e redes sociais que, vez ou outra, conseguem conquistar o nosso clique. A ação pode parecer inofensiva, mas saiba que o simples ato de clicar em uma publicidade online resulta na criação de um rastro digital dos seus interesses e comportamento, uma operação bastante preocupante para especialistas.

Embora pareça algo misterioso e até mágico, o monitoramento da atividade digital de usuários é possível graças ao chamado pixel de rastreamento, códigos que são incorporados em sites, e-mails ou anúncios para traçar o perfil do consumidor.

Dessa forma, empresas conseguem fazer um melhor direcionamento de publicidades, uma prática que, apesar de não ser proibida, é considerada bastante invasiva, afetando negativamente a privacidade dos usuários.


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Mas por que os pixels de rastreamento podem causar tantos problemas para a privacidade dos indivíduos que usam a internet diariamente? O Canaltech explica a seguir tudo que você precisa saber sobre o assunto, como é o funcionamento desses códigos de rastreio e por que eles precisam de atenção.

Pixels de rastreamento podem impactar privacidade do usuário na web (Imagem: Liam Briese/Unsplash).

O que é um pixel de rastreamento?

Em linhas gerais, um pixel de rastreamento é um código pequeno e invisível que é embutido em imagens, páginas, anúncios e e-mails para registrar as ações do usuário. Isso engloba cliques, visitas em sites, compras ou qualquer tipo de atividade de navegação na web.

Para simplificar, é como se esses pixels funcionassem como marcadores invisíveis para ajudar as plataformas e os anunciantes a entender o que acontece assim que um usuário interage com uma propaganda. Isso é feito a partir do disparo de requisições para servidores externos, enquanto a página carrega, que coleta esses dados para traçar o perfil daquele consumidor em potencial.

Marcadores invisíveis, pixel de rastreamento são recursos pequenos que registram a atividade do usuário (Imagem: juicy_fish/Freepik).

Para que esses pixels existem?

Na grande maioria dos casos, a principal finalidade do pixel de monitoramento está relacionada ao setor de marketing, sem ter necessariamente um fim malicioso por trás.

Com esses pixels na ativa, por exemplo, é possível analisar a audiência, verificar métricas em tempo real e aplicar o retargeting, uma prática que consiste no direcionamento de anúncios personalizados. O recurso também é usado para otimizar campanhas e entender como as conversões são feitas.

Diante desse cenário, pixels de rastreamento operam na jornada do consumidor para que anunciantes adotem práticas mais assertivas em plataformas que veiculam essas propagandas, um uso legítimo que não surgiu como uma ferramenta ilegal por natureza. Mas isso não significa que ela seja totalmente boazinha e inofensiva.

Pixels de rastreamento são usados por empresas de marketing para traçar panorama de comportamento de usuários (Imagem: Reprodução/Freepik).

Por que pixels de rastreamento preocupam tanto?

Apesar de não serem ilegais, os pixels de rastreamento preocupam especialistas de segurança quando o processo de coleta de dados vai além do razoável. Isso ocorre quando não há transparência na operação, ignorando totalmente a escolha do próprio usuário.

Um caso recente envolvendo Meta e Tiktok explica, na prática, o problema por trás da coleta de informações com pixels de rastreamento sem o devido consentimento dos usuários. De acordo com um relatório da Jscrambler, as duas empresas captam mais dados do que o necessário com o rastreio, obtendo acesso a informações como números de cartões de crédito, nomes e geolocalização, além de informações sobre o comportamento online.

O mais impressionante é que, segundo o relatório, isso é possível até mesmo se o usuário recusar expressamente o compartilhamento de seus dados com as companhias. O que ocorre é que há a injeção de scripts maliciosos que coletam as informações sensíveis sem que a pessoa tenha conhecimento disso.

Ainda que a Meta e o TikTok tenham negado a prática maliciosa de rastreio, isso não está tão longe do que acontece diariamente. Afinal, a coleta não consentida de dados de usuários por meio de pixels de rastreamento é mais comum do que deveria ser e pode implicar uma ação de má-fé em relação aos consumidores.

Que tipo de informação um pixel pode capturar?

Como já mencionamos por aqui, um pixel de rastreamento pode até ser minúsculo e invisível, mas ele é capaz de coisas impressionantes. Entre suas ações mais comuns está o registro de páginas visitadas pelo usuário, quais produtos ele visualiza e até mesmo o que ele coloca no carrinho durante a navegação.

Um pixel de rastreamento pode registrar págians visitadas, produtos visualizados e mais (Imagem: rawpixel.com/Freepik).

A coleta desses dados ajuda os anunciantes a terem um parâmetro do comportamento dos usuários enquanto eles permanecem dentro da página, informações fundamentais para que as empresas avaliem as taxas de conversão e direcionem publicidades personalizadas para aqueles que só deram uma espiadinha e fecharam o site.

Em casos mais agressivos, como o da Meta e do Tiktok com seus scripts maliciosos, dados ainda mais sensíveis podem ser capturados pelos pixels, como nomes completos, detalhes de checkout, informações bancárias e geolocalização.

Pixels, cookies e consentimento: qual é a diferença?

Um ponto que precisa de atenção é que, por mais que pareçam semelhantes, um pixel de rastreamento é diferente dos famosos cookies.

Enquanto os pixels rastreiam os dados da atividade online do usuário para enviá-las diretamente a um servidor, os cookies apenas armazenam informações no navegador do usuário.

Basicamente, cookies também são minúsculos como pixels, mas operam como arquivos de texto que registram dados sobre a navegação do usuário, como logins, senhas, preferências e histórico de produtos pesquisados, por exemplo.

Cookies são diferentes de pixels por apenas armazenarem dados de navegação do usuário (Imagem: Reprodução/Freepik).

O que aproxima os dois é que, em ambos os casos, é obrigatório solicitar o consentimento do usuário para armazenar (cookies) ou registrar (pixels) os dados de navegação do usuário.

A obrigatoriedade do pedido ocorre com base na nossa Lei Geral de Proteção de Dados e no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), legislação da União Europeia que obriga anunciantes a solicitar o consentimento explícito dos usuários para registar informações na web e proteger a privacidade dos usuários.

Como isso afeta o usuário comum

Falamos muito sobre as implicações do uso de pixels de rastreamento, mas como isso realmente afeta o usuário comum no dia a dia?

Pixels de rastreamento necessitam de consetimento do usuário para serem usados (Imagem: Reprodução/Freepik).

Considerando que a prática é aplicada na grande maioria por empresas de marketing e anunciantes, o problema está relacionado à veiculação excessiva de anúncios em sites e redes sociais sobre um produto que você pode ter interagido clicando sem querer em um anúncio.

Isso acontece graças aos pixels de rastreamento, que registram a sua atividade online para traçar o seu perfil comportamental e, dessa forma, poder direcionar propagandas mais precisas. Em cenários extremos, há a possibilidade desses dados serem expostos em fluxos de compras ou navegação, o que pode resultar em problemas para o usuário, cuja privacidade é invadida sem os devidos cuidados.

Dá para se proteger?

A boa notícia para quem ficou preocupado com os pixels de rastreamento é que existem formas de se proteger para reduzir a exposição dos seus dados de navegação. Veja a seguir cinco jeitos de fazer isso:

  1. Preste atenção em banners de consentimento. Viu aquela janela que solicita a sua permissão para registrar seus dados? Não saia clicando em qualquer botão antes de entender se você realmente quer compartilhar suas informações com aquela empresa.
  2. Revise permissões de cookies com uma varredura rotineira dos sites que você visita para aumentar a segurança dos seus dados.
  3. Use navegadores e extensões focados em privacidade para reduzir a sua exposição a registros indevidos de dados.
  4. Evite clicar em qualquer anúncio que aparecer na sua frente para não ser “perseguido” por anunciantes e evitar ser rastreado por páginas desconhecidas.
  5. Cheque as políticas de privacidade sempre que possível para entender como o site pretende usar as suas informações.

Vale lembrar ainda que, embora pixels de rastreamento pareçam pequenos demais para causar problemas, é justamente essa invisibilidade que pode virar um problema, principalmente quando empresas exploram o recurso sem transparência.

Caso você tenha ficado interessado em saber mais sobre como as suas informações são registradas na internet, confira um guia completo sobre cookies e fingerprinting para saber como sites rastreiam identidades para vender anúncio.

Leia a matéria no Canaltech.

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