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No auditório principal da Anuga Select Brazil, feira realizada entre os dias 7 e 9 de abril, em São Paulo, representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) recebem um grupo diverso: uma representante da WWF Brasil que trabalha com cooperativas, uma empreendedora boliviana que abriu empresa no país e quer entender como internacionalizar, e uma engenheira química que atua na indústria do mel.
Depois de uma apresentação, todos se aproximam de Luciana Pecegueiro Furtado, coordenadora de agronegócio da ApexBrasil, e de José Mendes Alves Filho, especialista em competitividade da Agência, para tirar dúvidas. A cena replica o que a ApexBrasil faz no seu dia a dia: receber empresas brasileiras de todos os tipos, de maneira personalizada e estratégica, para que elas ultrapassem fronteiras e prosperem com parceiros estrangeiros.
Mais tarde, dezenas de empresas negociavam com importadores nas rodadas de negócio organizadas pela Agência. E, durante todo o evento, outras expunham produtos no estande institucional. As variadas atividades na feira exemplificam bem três das várias frentes de atuação da ApexBrasil.
Para José Mendes, a sensibilização é o primeiro passo de uma jornada que pode levar anos, e, em todos eles, a Agência pode estar presente. “Precisamos desenvolver nessas empresas a perspectiva de enxergar que a exportação é uma realidade e que ela precisa entrar no planejamento estratégico de longo prazo”, diz.
Na palestra, junto com Luciana Pecegueiro, ele percorreu o cardápio de ferramentas gratuitas que a Agência oferece: um mapa interativo de oportunidades globais que qualquer empresa pode acessar, plataformas de educação à distância, webinars mensais sobre mercados específicos, e o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) para a capacitação de quem quer começar a exportar.
A poucos metros da sala de palestras, o estande institucional da ApexBrasil funcionava como uma pequena vitrine da diversidade produtiva do país. Lado a lado, expunham-se cachaça de jambu de Belém (PA), sucos orgânicos de cooperativas gaúchas, polpas de frutas da Amazônia, pamonhas congeladas do interior paulista, óleos essenciais e gins de diversos sabores.
Para as empresas presentes, o estande coletivo representa uma equação financeira que raramente conseguiriam resolver sozinhas. O investimento no pacote com estande individual no pavilhão da ApexBrasil é de R$ 750, fração do que custaria estrutura equivalente na Anuga Select sem o apoio da Agência.
Alguns dos expositores chegaram ao estande depois de passarem por praticamente toda a jornada de qualificação da ApexBrasil. É o caso da Surreal Bisks, de São Paulo, fundada em 2022 por Luis Rosa para produzir snacks proteicos sem glúten e sem lactose. A empresa percorreu o PEIEX, participou do programa de Design Export, que revisou embalagem e posicionamento visual. Depois, passou pelo programa de e-commerce e chegou a exportar para os Estados Unidos.
Se o estande é o espaço de apresentação, as rodadas de negócio são onde o trabalho de preparação se materializa em conversas. Cada reunião tem duração de 30 minutos, comprador e vendedor chegam com agendas previamente construídas pelo time de matchmaking da ApexBrasil, e o encontro acontece no Brasil, não no exterior, o que elimina a barreira financeira e logística que exclui pequenas empresas do mercado internacional. A iniciativa faz parte do programa Exporta Mais Brasil, que impacta empresas desde 2023.
A edição da Anuga reuniu 65 vagas para rodadas e 20 vagas mistas. Entre os participantes brasileiros, empresas em diferentes estágios de maturidade exportadora: a Predilecta, de Matão (SP), com sete plantas industriais e presença em mais de 60 países, estreou no programa e saiu com contatos em Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Moçambique, mercados novos. A Cooperparaíso, de Sobradinho (BA), com 70 famílias de agricultores familiares, estava prestes a fechar seus primeiros contratos de exportação, com Canadá, Índia e Filipinas, países que conheceu numa rodada anterior, em Salvador, em dezembro.
Juntas, as três frentes – palestra, estande e rodadas de negócio – descrevem uma arquitetura pensada para atender empresas em qualquer ponto da jornada: quem ainda não sabe como começar, quem precisa de novos mercados, e quem está no meio do caminho. “Intercalamos a qualificação com promoção comercial”, explica José Mendes. “Priorizamos que as empresas já tenham passado pelo pilar de qualificação antes de chegarem a uma ação de promoção, para que estejam de fato preparadas”.