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A Cooperparaíso fica em Sobradinho, uma cidade de 25 mil habitantes no sertão baiano, marcada pela transposição do Rio São Francisco. Lá, cerca de 70 famílias de agricultores plantam acerola, goiaba, manga e uva em lotes que chegam até, no máximo, dez hectares. Mas, nesta semana, Sobradinho está perto de 40 países.
Isso porque, com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a cooperativa vai participar de rodadas de negócios com importadores na Anuga Select Brazil 2026, uma feira de negócios de alimentos e bebidas, realizada de 7 a 9 de abril, em São Paulo.
“A ApexBrasil é esse braço de comercialização e crescimento incrível que une a cooperativa ao mundo”, diz Bartolomeu Nascimento, coordenador da Cooperparaíso. Em dezembro, eles participaram de uma rodada de negócios organizada pela Agência, dentro do âmbito do programa Exporta Mais Brasil, na qual sentou à mesa com mais de 20 potenciais clientes. Hoje, estão prestes a fechar negócio com players do Canadá, Índia e Filipinas, que conheceram no evento.
Antes disso, a cooperativa participou do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX). Durante essas trocas, a Cooperparaíso passou a sofisticar a produção, vendendo além de frutas e polpas, produtos manufaturados, como suco de uva, que acabou de lançar.
A trajetória da Cooperparaíso exemplifica a jornada de possibilidades da ApexBrasil para pequenos e médios empreendedores, os PMEs. Com elas, as empresas, além de acessarem mercados internacionais, aprimoram a produção e maximizam receitas. O crescimento desse tipo de empresa tem impacto relevante no PIB brasileiro, já que o setor corresponde a 90% dos negócios brasileiros e concentra mais de 50% dos empregos com carteira assinada.
Em 2025, a ApexBrasil apoiou 23.386 empresas, sendo mais da metade PMEs. Das empresas acompanhadas, 4.859 efetivamente exportaram, movimentando US$ 153,2 bilhões – o equivalente a 44% de tudo que o Brasil vendeu para o exterior no ano. Os resultados foram atingidos também com a inovação do Exporta Mais Brasil, programa lançado em 2023 que traz compradores de diferentes países para encontros com empresários. Nas 14 edições de 2025, o Exporta Mais conectou em rodadas de negócios, 688 empresas a 166 compradores de 52 países, com expectativa de R$ 386,7 milhões.
Além disso, a Agência apoia a presença das PMEs em feiras importantes como a Anuga Select Brasil. É possível investir R$ 750 pelo pacote com estande individual, uma fração do que custaria garantir estrutura individual. “Sem a ApexBrasil, teríamos que comprar o espaço, contratar pessoas para fazer a identidade visual, lidar com as licenças e autorizações necessárias e as exigências dos bombeiros. Com a ApexBrasil, chegamos no evento e a estrutura está montada”, diz Humberto Azenha, fundador da Maíz (SP), empresa de produtos de milho que exporta para Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda e Suíça.
No estande da ApexBrasil na Anuga, os múltiplos “Brasis” estão expostos: de óleos essenciais até açaí, do Sul ao Norte, são ofertados para visitantes locais e estrangeiros. Essa diversidade é garantida também pelo regulamento do Exporta Mais Brasil para a Anuga, que reserva 10% das vagas para cooperativas da agricultura familiar e atribui pontuação diferenciada a empresas lideradas por mulheres ou pessoas negras/pardas.
Ao participar de uma feira pela ApexBrasil no ano passado, a Ecocitrus, uma cooperativa de frutas orgânicas da região de Montenegro, no Rio Grande do Sul, que tem 120 associados, fechou negócio com uma importadora de Hong Kong. Agora, na Anuga Select Brasil, a Ecocitrus espera aprender mais tanto do B2C quanto do B2B, em uma feira de perfil diversificado. “Nosso trabalho é levar o produto do pequeno, de famílias que trabalham nos pomares. Eles ficam impressionados de ver o produto deles chegar nesse tipo de local, e veem a diferença na conta ao compararem com outros produtores”, lembra Matheus Knob, gerente da cooperativa.
Ainda no estande da ApexBrasil está a Meu Garoto, uma empresa de Belém (PA), pioneira na produção de cachaça de jambu. A empresa, antes um bar, inovou ao aproveitar a flor do jambu em sua cadeia, parte antes desprezada no preparo culinário, que utilizava apenas suas folhas, mudando as perspectivas para pequenos produtores. A empresa participou do Exporta Mais nos estados de Tocantins, Roraima e Goiás, além da Jornada Exportadora da ApexBrasil, uma iniciativa voltada especialmente para empresas iniciantes na exportação, e foi ao Chile.
Mesmo quando os negócios não se concretizam imediatamente, o feedback de compradores ajuda a adequar rótulos, embalagens, certificações e posicionamento de preço para mercados específicos. Com as rodadas, a Meu Garoto passou a ficar mais atenta a concursos – e, no ano passado, venceu um em Jalisco, no México, potencializando seus produtos no meio internacional. “O principal ativo que a ApexBrasil nos deu foi conhecimento e contatos. A venda é uma consequência de outros passos. Aprendemos sobre a adaptação do mercado e com o que os estrangeiros pensam sobre o produto. É um verdadeiro laboratório subsidiado, com um público qualificado”, diz Marcos Patrocínio, administrador da Meu Garoto.