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O Brasil abriga um campo recém-descoberto de vidro natural criado a partir de impactos de meteoritos, de acordo com um novo estudo.
O vidro natural é conhecido como tectita, que ocorre após o derretimento das rochas terrestres quando meteoritos, cometasou asteróides bater na superfície do nosso planeta, de acordo com Enciclopédia Britânica. (A palavra “tektite” é derivada de Palavras gregas antigas isso significa “derretido” ou “fundido”.)
“Sabe-se que os tektites… ocorrem apenas em cinco campos distintos espalhados pela Terra”, escreveram os pesquisadores em um artigo de dezembro de 2025 no revista revisada por pares Geology.
“Relatamos a descoberta de um novo campo espalhado de tectita no nordeste do Brasil. Esta descoberta recente resultou na coleção de ~500 espécimes encontrados em um campo espalhado de pelo menos 90 km (56 milhas) de comprimento”, acrescentou o estudo, liderado por Álvaro Penteado Crósta, geólogo e professor sênior do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.
Os pesquisadores sugerem que o impacto aconteceu há cerca de 6,3 milhões de anos, com base na datação radioativa de isótopos de argônio. Para contextualizar, isso foi no final da época do Mioceno, que é aproximadamente quando podemos começar a rastrear humanos como uma espécie distinta.
Porque os meteoritos podem atingir qualquer lugar Terraalguém poderia pensar que o vidro derretido seria mais comum. No entanto, a história da substância é um pouco mais complicado do que isso.
Primeiro, temos que considerar a composição da rocha subjacente: xisto e arenito quartzo, ou alguns tipos de rochas ígneas, por exemplo. “A maioria dos cientistas atuais teoriza que os tectitos são formados pelo rápido aquecimento e subsequente resfriamento de solos e rochas ricos em quartzo”, de acordo com uma declaração de especialistas da Jackson School of Geosciences da Universidade do Texas.
Em segundo lugar, o tamanho é importante: grandes meteoritos têm maior probabilidade de produzir o derretimento necessário. “O impacto de grandes meteoritos com a superfície da Terra fornece energia suficiente para derreter solos e rochas e dispersar o material ejetado desses impactos por grandes distâncias, formando tectitos”, diz o comunicado.
Na Terra, zonas de tectitos são distribuídas em “campos espalhados” que incluem “espécimes semelhantes em idade e composição química” e podem ser encontrados na superfície da Terra ou debaixo d’água em sedimentos de águas profundas (conhecidos como “microtectitos”).
O maior campo espalhado é conhecido como Australásia, que cobre cerca de 10% da superfície da Terra. Outros exemplos estão na Costa do Marfim, na região Checa e na América do Norte.
É costume na comunidade tektite dar a cada tipo de tektite seu próprio nome, com base em onde foi encontrado. Um exemplo são os “modavites” na República Tcheca, que vêm do rio Moldau (ou Vltava), na Boêmia.
Os tectitos recém-descobertos no Brasil são chamados de “geraisitas”, em homenagem à costa leste do estado de Minas Gerais, onde foram encontrados. Os geraisitas têm entre 1 grama e 86 gramas de massa e têm “formatos diversos”, escreveram os pesquisadores, como esféricos ou em forma de gota.
Eles parecem pretos e não transparentes à primeira vista, mas ficam verde-acinzentados e mais translúcidos quando expostos à luz intensa. As superfícies são marcadas por cavidades, que são bolhas remanescentes que surgiram quando o material superquente estava sendo lançado pela atmosfera – assim como acontece com a lava, um Comunicado de imprensa observado.
Desde a publicação do artigo, mais geraissítios foram encontrados — pelo menos 600 no total. A zona original do descobrimento ficava no norte de Minas Gerais, incluindo os municípios de Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso. Mas a zona agora se estende por dez vezes o seu tamanho original, para 560 milhas (900 km) de comprimento, como foram relatados achados nos estados brasileiros da Bahia e do Piauí.
“Este crescimento na área de ocorrência é inteiramente consistente com o que é observado em outros campos de tectita ao redor do mundo. O tamanho do campo depende diretamente da energia do impacto, entre outros fatores”, afirmou o principal autor do estudo, Crósta, no comunicado de imprensa.
Os geraisitos são compostos em sua maioria por sílica (70% a 74%, dependendo da amostra) juntamente com altas concentrações de óxidos de sódio e potássio. Foram encontrados vestígios de cromo, níquel e outros elementos, “indicando que o material original não era puro nem homogêneo”, afirma o comunicado.
Em alguns casos, foi o que faltava nas rochas que ajudou os cientistas a identificar a origem dos tectitos. A evidência de um impacto vem de inclusões de um tipo de sílica vítrea criada apenas em temperaturas muito altas, conhecida como lechatelierita. Os pesquisadores também notaram baixo teor de água nas amostras, que é característico dos tectitos em geral.
Crósta acrescentou que os investigadores ainda não localizaram a cratera causada pelo impacto, mas ele esperava isso. Isto ocorre porque dos seis campos mapeados que conhecemos agora, apenas metade deles tem uma cratera conhecida. A cratera poderia estar em algum lugar do cráton São Francisco, que é uma rocha granítica no leste da América do Sul e uma das regiões mais antigas do continente. Mas serão necessários mais estudos, talvez utilizando imagens de satélite, para ver se alguma coisa enterrada ou erodida está aparecendo naquela região.