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Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) Direito Rio recomenda que o Google remova de seus resultados de pesquisa os sites de “nudify”, ferramentas de inteligência artificial (IA) que geram imagens falsas de nudez sem consentimento.
A cobrança ocorre após o Brasil registrar um recorde de buscas por essas plataformas, impulsionado pela popularização da ferramenta de edição de imagens da IA Grok, da rede social X de Elon Musk.
O documento apresenta uma lista de medidas estruturais para a plataforma de buscas. A principal recomendação é a desindexação completa de URLs que hospedam essas ferramentas, incluindo domínios espelhos e variantes linguísticas. Os pesquisadores orientam a implementação de filtros algorítmicos, baseados em análise semântica e metadados, para impedir a indexação futura de sites similares.
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O estudo propõe a remoção de sugestões na função de “autocompletar” para termos como “nudify”, “undress AI” e “deepnude”. A FGV sugere a exibição de avisos de segurança nos resultados dessas buscas para informar os usuários sobre a ilegalidade e os danos da prática.
A pesquisa recomenda a atualização das políticas do Google para classificar essas páginas como nocivas, equiparando-as aos sites de imagens íntimas não consentidas.
O texto pede a criação de um canal de denúncia rápido para vítimas e organizações da sociedade civil. Os autores também cobram transparência nos relatórios sobre o número de URLs removidas e o incentivo a um diálogo multissetorial para o desenvolvimento de um protocolo global de resposta.
O pedido de intervenção tem como base a análise de dados do Google Trends. O interesse pelo termo atingiu o pico máximo (índice 100) na semana de 28 de dezembro de 2025. O período coincide com a geração em larga escala de imagens sexualizadas pela ferramenta Grok.
A coordenadora do estudo e professora Yasmin Curzi argumenta que o mecanismo de busca atua como o principal portal de descoberta para essas tecnologias. A presença nos resultados confere legitimação cognitiva aos sites e reduz a barreira de entrada, dispensando conhecimentos técnicos avançados por parte dos usuários.
“A indexação desses sites pelo Google amplifica exponencialmente o alcance de tecnologias de abuso, facilitando violência de gênero online e abuso infantil em escala industrial”, afirma Curzi.
A facilidade de acesso a essas ferramentas afeta diretamente o ambiente escolar. Um mapeamento da SaferNet Brasil, realizado em 2025, identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino de 10 estados brasileiros, atingindo alunas e professoras.
O documento fundamenta a cobrança de desindexação no Marco Civil da Internet e na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
A FGV baseia o pedido também no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entra em vigor neste mês de março e impõe aos fornecedores o dever de prevenir e mitigar riscos de exposição a conteúdos de abuso.
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