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Nos últimos anos, quantas vezes você escutou que seu trabalho seria extinto pela IA? E, desde a primeira vez que você refletiu sobre essa questão, o quanto essa perspectiva mudou? Além disso, o que esperar do futuro do trabalho, no que diz respeito à implementação de IA no âmbito corporativo? Se neste início de 2026 esses questionamentos te preocupam, venho, por meio deste artigo, tentar te trazer uma resposta – e, quem sabe, trazer algum tipo de alívio ou, pelo menos, um direcionamento.
Em primeiro lugar, informações e dados numéricos apresentados por diferentes organizações ao redor do mundo já nos mostram um panorama para os próximos anos – mesmo que em um nível superficial, quantitativo. O interessante é entender, de fato, o que esses números podem nos dizer.
De acordo com o Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, mudanças no mercado de trabalho devem equivaler a 22% dos empregos até 2030, com a criação de 170 milhões de novas funções e, por outro lado, a destituição de 92 milhões – um aumento líquido de 78 milhões de empregos. Relacionado a esse cenário, um trecho do estudo aponta que a IA está reestruturando os modelos de negócios, e metade dos empregadores do mundo planejam focar os negócios em novas oportunidades resultantes da tecnologia.
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Mas, talvez, para os fins deste artigo, o ponto mais interessante do relatório é outro: segundo o Fórum, habilidades com IA são as que apresentam maior índice de crescimento até 2030. Dessa forma, como podemos entender a transformação do trabalho a partir de IA – e por que ela representa uma ferramenta de alavancagem tão importante nesse contexto?
Mais do que substituir postos e funções de trabalho, parto do entendimento de que a Inteligência Artificial atribui a ele um novo significado, ampliando, inclusive, as capacidades humanas – posição que tenho defendido em meus artigos e por meio da AIMANA. E, para que esse processo de ressignificação e ampliação de capacidade possa ser efetivo, com resultados tangíveis para as empresas, é preciso entender em quais tarefas a IA é e pode ser, de fato, útil e produtiva.
Isso porque, no cenário atual, é nítido que existem muitas tarefas que já podem ser parcial ou totalmente executadas por IA, ao mesmo tempo em que, para outras, ela é completamente inútil. Por ora, os humanos ainda apresentam uma vantagem relevante sobretudo em situações de improvisação e de exceção.
E é justamente por isso que o foco dos empregadores – e dos empregados – deve ser em processos de reestruturação e reorganização, e não de simples e total substituição de um pelo outro, posicionando a IA uma sofisticada alavanca de trabalho. Hoje, qualquer postura diferente dessa tende a gerar desperdícios, seja de dinheiro, tempo ou talentos em potencial.
O equilíbrio entre tecnologia e habilidades centradas no ser humano, inclusive, entendo como uma tendência que pode despontar em 2026. Isso porque, à medida que a IA assume novas responsabilidades e expertises de aspecto técnico, são as habilidades humanas que mais importam. Josh Bersin, especialista e autoridade mundial na área de Recursos Humanos, enxerga, nesse cenário, a ascensão das chamadas “Power Skills”: criatividade, resiliência, inteligência emocional e curiosidade. Outros especialistas em aquisição de talentos entendem que, a partir deste ano, contratar será menos sobre “vencer robôs” e mais sobre se destacar como humano.
Para entender de forma prática como essa mudança pode acontecer, de modo que a IA represente uma ferramenta de alavancagem essencial, trago uma análise realizada por Erik Brynjolfsson, diretor do Laboratório de Economia Digital de Stanford e cofundador da Workhelix – empresa que orienta organizações acerca do planejamento de sua jornada em direção à automação inteligente de seus processos e do gerenciamento da inclusão de IA nas atividades.
De acordo com Brynjolfsson, para entender a importância da revolução trazida pela IA – neste caso, sua abordagem é centrada no modelo agêntico da tecnologia –, é preciso desconstruir a própria natureza do trabalho, dividindo tarefas estratégicas em três fases: 1) questionamento, definição do problema e do objetivo; 2) execução; e 3) avaliação de resultados, de modo a possibilitar um refinamento do objetivo.
No contexto atual, a grande mudança e que define esta era de trabalho é a de que a Inteligência Artificial tem se tornado incrivelmente na segunda etapa do processo, a execução. Ao aprender com dados e por meio de tentativa e erro, a IA agora é capaz de executar sequências complexas de tarefas sem a necessidade de instruções explícitas para cada passo – como navegar no mundo digital ou escrever códigos de software funcional, com mais qualidade e agilidade do que um humano.
Ainda segundo ele, isso traz mudanças na economia fundamental do valor: à medida que a execução se torna barata e abundante, como uma commodity, o valor se desloca para seus complementos. Nesse caso, fazer as perguntas certas e avaliar os resultados se tornou mais valioso do que nunca. É o humano como o arquiteto e a IA como a construtora. E essa mudança de perspectiva, ou a efetiva alavancagem do trabalho por meio de IA, traz consigo uma promessa de explosão de inovação e empreendedorismo.
Diante desse cenário, e em uma tentativa de resposta mais direta aos questionamentos apresentados no início deste artigo, o futuro do trabalho não parece caminhar para a escassez de espaço para os humanos, mas para uma redefinição profunda sobre a geração de valor – e o papel da IA neste processo. Nesse sentido, a relevância do trabalho humano se desloca para a capacidade de interpretar contextos, gerar bons questionamentos, definir direções e avaliar criticamente os resultados produzidos.
No âmbito corporativo, isso significa que adotar IA vai muito além de incorporar ferramentas: envolve revisar processos, repensar papéis, capacitar pessoas e conectar a tecnologia a decisões estratégicas do negócio. Basicamente, é o posicionamento que defendemos na AIMANA: a IA não substitui pessoas, ela expande o que os humanos são capazes de construir.
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