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Se 2025 entrou para a história com a vitória de Ainda Estou Aqui, 2026 promete consolidar de vez o domínio brasileiro no cenário global. Todas as atenções estão voltadas para a cerimônia do Oscar, onde o país busca uma inédita ‘dobradinha’ com O Agente Secreto. O novo longa de Kleber Mendonça Filho não é apenas um concorrente; é um frontrunner legítimo para manter a estatueta em casa.
Ambientado no Recife de 1977, o filme narra a jornada de Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à cidade em pleno carnaval fugindo de seu passado, apenas para descobrir que o local não é o refúgio seguro que esperava. A produção já possui um currículo invejável: saiu do Festival de Cannes com os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator (Moura), além de ter sido eleito o melhor filme internacional pelos críticos de Nova York (NYFCC) e Los Angeles (LAFCA).
No entanto, a corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional é historicamente uma das mais imprevisíveis e acirradas. A lista de pré-selecionados deste ano é um verdadeiro mapa geopolítico e artístico do cinema contemporâneo. Temos desde uma produção iraniana submetida pela França (vencedora da Palma de Ouro), até o filme live-action de maior bilheteria da história do Japão, defendido publicamente por ninguém menos que Tom Cruise.
A seleção também reflete as tensões globais, com três filmes abordando conflitos no Oriente Médio (Tunísia, Palestina e Jordânia) e, pela primeira vez na história, uma produção do Iraque. Vale notar que a Espanha chega forte com Sirât, presente em cinco shortlists (um recorde para filmes não falados em inglês). Já Foi Apenas um Acidente levou o prêmio do Gotham Awards e do National Board of Review (NBR). Em resumo: embora O Agente Secreto tenha o favoritismo de grandes associações de críticos e indicações ao Globo de Ouro, ele enfrenta titãs do cinema mundial.
Para você entender o tamanho do desafio, preparamos uma análise detalhada dos 6 principais obstáculos entre o Brasil e a estatueta dourada, organizados por ordem de ameaça e relevância.
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Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes e produzido pela El Deseo (produtora de Pedro Almodóvar), Sirât é aquela obra que desafia o espectador. A trama segue Luis (Sergi López) e seu filho caçula em uma jornada desesperada pelo deserto do Marrocos, seguindo um grupo de fãs de raves para tentar encontrar a filha desaparecida.
É importante alinhar as expectativas aqui: este não é um filme de respostas fáceis e provavelmente não vai agradar o grande público acostumado a resoluções mastigadas. O diretor Oliver Laxe constrói um “road movie apocalíptico” visualmente deslumbrante, mas narrativamente denso, que mistura drama familiar com uma atmosfera quase de ficção científica existencial.
O Japão entra na disputa com um peso pesado comercial e artístico. Kokuho narra a saga de Kikuo, um jovem nascido na Yakuza que é adotado por uma lenda do teatro Kabuki (interpretado pelo icônico Ken Watanabe). O filme acompanha décadas de rivalidade, escândalos e a busca obsessiva pela perfeição artística.
Além da grandiosidade da produção, um dado chama a atenção da Academia: este se tornou o filme live-action de maior bilheteria da história do Japão. Unindo o apelo popular a uma execução técnica impecável que explora a tradição do Kabuki (algo raro no cinema moderno), Kokuho é o tipo de épico que Hollywood adora premiar.
Prepare o emocional, pois este é, sem dúvida, o filme mais perturbador e urgente da temporada. Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Veneza (onde foi aplaudido de pé por mais de 20 minutos), o longa reconstrói a tragédia real de Hind Rajab, uma menina palestina de seis anos.
A diretora Kaouther Ben Hania utiliza o áudio real das ligações da menina para o serviço de emergência enquanto ela estava presa em um carro sob fogo cruzado em Gaza. O filme se transforma em um retrato devastador do sofrimento humano na guerra, focando na tentativa heroica (e angustiante) dos voluntários do Crescente Vermelho em resgatá-la. É cinema como documento histórico e denúncia, algo que costuma ressoar muito forte entre os votantes.
O mestre Park Chan-wook (Oldboy) retorna com o que muitos críticos estão chamando de uma “sequência espiritual” do vencedor do Oscar Parasita. O filme traz Lee Byung-hun (de Round 6) como um homem que, após ser demitido de um emprego de 25 anos, decide eliminar fisicamente seus concorrentes para conseguir uma nova vaga e manter o padrão de vida da família.
A obra aborda temas semelhantes de luta de classes e desespero social vistos em Parasita, mas com o humor ácido e a violência estilizada característicos de Park. A interpretação de Lee Byung-hun é considerada uma das melhores do ano, equilibrando o patético e o aterrorizante, o que coloca a Coreia do Sul novamente como uma potência na disputa.
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, este é o “bicho-papão” da temporada. O filme é dirigido pelo mestre iraniano Jafar Panahi, que, proibido de filmar em seu país, gravou a obra “escondido” no Irã antes da produção ser finalizada na França. A trama envolve um ex-preso político que acredita ter encontrado seu torturador e planeja uma vingança, apenas para entrar em uma espiral de dúvidas morais.
Mais do que a narrativa, o que pesa aqui é o contexto. O filme é um exercício moral do próprio cineasta sobre os ciclos de violência: vale a pena se vingar? A Academia adora narrativas de resistência artística, e premiar Panahi seria uma forma de Hollywood se posicionar contra a censura e a repressão política.
Se há um filme que pode roubar a cena pela pura qualidade do roteiro e atuação, é este. Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo) entrega um belíssimo estudo de personagens que empresta elementos do cinema de Ingmar Bergman para falar sobre família e arte. A história foca em um diretor (Stellan Skarsgård) tentando se reconectar com as filhas, especialmente a personagem de Renate Reinsve.
Aqui temos um duelo interessante de categorias: enquanto no filme brasileiro O Agente Secreto, Wagner Moura é o favorito para tentar uma indicação a Melhor Ator, em Valor Sentimental, as apostas são altas para Renate Reinsve (Melhor Atriz) e Stellan Skarsgård (Ator Coadjuvante). Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes, é um drama humano, profundo e que tem emocionado plateias por onde passa.
A lista com os principais concorrentes de O Agente Secreto na disputa pela estatueta de melhor filme de língua não-inglesa no Oscar 2026 é formada por:
Os indicados ao Oscar 2026 serão anunciados no dia 22 de janeiro, e a cerimônia de premiação será realizada no dia 15 de março.
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