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Uma pesquisa do Projeto Valquírias Digitais, da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, identificou que a violência de gênero que acontece em ambientes digitais, mediada pela tecnologia, segue invisibilizada e ainda é pouco notificada no Brasil. A razão para tal são desafios que vão desde a identificação e tipificação do crime, passando pelos canais de denúncia, até a punição de infratores e educação da sociedade civil sobre o tema.
O levantamento, conduzido pela Comissão de Privacidade, Proteção de Dados e Inteligência Artificial da OAB-SP, contou com a participação de mais de 7,4 mil profissionais de Direito de diferentes estados do país ao longo do ano de 2024.
O estudo revelou que grande parte das respondentes já presenciou ou conheceu situações de violência digital em que testemunharam agressão online orientada ao público feminino.
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Os dados refletem a realidade cruel enfrentada por mulheres e foram divulgados na cartilha educativa sobre violência digital contra mulheres, lançada nesta quarta-feira (1º) durante o 1º Fórum Valquírias Digitais: justiça para as mulheres no ambiente digital.
O projeto que traz à luz a questão reúne advogadas, especialistas em proteção de dados, pesquisadoras e representantes da sociedade civil em busca de soluções e prevenção.
Entre as ações previstas e sugeridas para diminuir os impactos causados às vítimas estão a produção de materiais técnicos e educativos, o fortalecimento da atuação legislativa, a expansão da rede de parceiras e apoiadoras e a consolidação de uma cultura de denúncia, acolhimento e também de responsabilização, de forma que as várias frentes se apoiem.
Solano de Camargo, presidente da Comissão de Privacidade, Proteção de Dados e Inteligência Artificial da OAB-SP vê no projeto uma forma de mudar o cenário atual.
“O Projeto Valquírias Digitais representa uma virada de chave ao propor uma atuação concreta e interdisciplinar”, acredita.
A cartilha destaca os principais dispositivos legais que protegem vítimas e responsabilizam agressores, como a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006); o Marco Civil da Internet (nº 12.965/2014); a Lei Rose Leonel (nº 13.772/2018); e Lei Mariana Ferrer (nº 14.245/2021).
O material também indica canais de denúncia, como os telefones 180, 100 e 197, além de sites e aplicativos de acolhimento. No âmbito da advocacia, a OAB-SP mantém mecanismos de defesa das prerrogativas profissionais, na garantia do exercício da função.
O levantamento identificou ainda quais são os principais obstáculos e desafios recorrentes que dificultam a proteção de vítimas de violência online ou mesmo impedem as denúncias.
O projeto reforça que os três pilares educação digital, advocacy (ações estratégicas) e mobilização social são fundamentais para enfrentar a violência de gênero na internet.
O objetivo é consolidar uma cultura de proteção, acolhimento e responsabilização no ambiente digital brasileiro para que, no futuro, seja possível frear essa crescente de casos.
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