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Há maioria formada entre os ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para manter a liminar do relator, ministro André Mendonça, que prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Acompanharam o relator, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Falta apenas o voto do ministro Gilmar Mendes, uma vez que Dias Toffoli declarou-se suspeito por motivos de “foro íntimo”.
Com a decisão, Vorcaro e os demais réus continuam presos, assim como os servidores do Banco Central (BC) continuam afastados e com tornozeleira e ficam suspensas as atividades de empresas ligadas ao grupo criminoso.
O apoio da maioria dos colegas fortalece Mendonça, pois significa que o colegiado corrobora as medidas tomadas, mesmo com as críticas da Procuradoria-Geral da República (PGR). A manutenção da prisão também pode intensificar as conversas para uma delação premiada do banqueiro.
Em seu voto, Mendonça refuta os argumentos da defesa de Vorcaro de que não haveria “existência concreta de fatos novos ou contemporâneos” para justificar a prisão e outras medidas adotadas durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março de 2026.
De acordo com a defesa de Vorcaro, não há registros telefônicos do banqueiro com investigados após novembro de 2025, não houveram movimentações bancárias suspeitas e ele desconhece a existência de “algum grupo de WhatsApp ou de qualquer outra plataforma/aplicativo eletrônico de mensagens com a denominação ‘A Turma’”.
No voto do referendo da liminar, Mendonça afirma que o primeiro celular de Vorcaro foi apreendido em novembro de 2025 e ficou retido para análise. Portanto, não teria como se fazer menção a comunicações posteriores à essa data. O ministro também ressaltou que ainda há 8 celulares para examinar.
Mendonça também diz que em nenhum momento “A Turma” foi caracterizada como um mero “grupo de WhatsApp ou de qualquer outra plataforma/aplicativo eletrônico de mensagens” do qual Vorcaro faria parte. Afinal, as investigações apontam que trata-se de um grupo articulado e violento sob o “comando inequívoco” de Vorcaro. Inclusive, durante o cumprimento da ordem de prisão foram localizadas armas, algumas, ilegais.
O relator destacou que as apurações indicam que são pelo menos seis integrantes da “Turma” e nem todos foram identificados.
Segundo Mendonça, no mesmo dia da operação que prendeu Vorcaro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) abordou um carro pertencente ao aliado do banqueiro, Phillipi Mourão, o Sicário – que morreu na prisão. “Identificaram-se dois potenciais integrantes do núcleo da organização criminosa conhecido como ‘os meninos’, os quais seriam responsáveis pelas investidas de hackeamento e invasão digital perpetradas pela ‘Turma’”. Mendonça lembrou da ação de milícia digital orquestrada contra o Banco Central a partir de influenciadores digitais que estão em investigação.
O ministro também chamou a atenção para as movimentações bancárias, inclusive, com a transferência de mais de R$ 2 bilhões para Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e a venda de ativos com deságio como uma aeronave, avaliada em R$ 538 milhões que estaria sendo vendida por R$ 415 milhões.
“Portanto, o que se verifica diante dos esclarecimentos acima aduzidos é que, ao contrário do que argumenta o agravante, a avaliação, em boa técnica, do cenário que se experimentou antes, durante e após a deflagração dessa terceira fase da operação, evidenciado pela análise dos fatos devidamente situados no tempo, robustecem ainda mais os elementos de convicção já devidamente verificados e apontados, à exaustão, na decisão ora submetida a referendo”, escreveu.
A defesa de Vorcaro foi procurada pelo JOTA, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.
Segundo a PF, o esquema investigado apresentava quatro núcleos principais de atuação: o financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; o de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; o de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas; e o de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
As investigações apontam que o Banco Master, controlado por Vorcaro, estruturou esquema de captação agressiva de recursos mediante emissão de CDBs com rentabilidade muito superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para operações financeiras de alto risco, aquisição de ativos de baixa liquidez e estruturação de fundos vinculados ao próprio conglomerado econômico.
As investigações também apontam que o grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada, denominada “A Turma”, destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos do conglomerado financeiro.